Mostrar mensagens com a etiqueta Argentina. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Argentina. Mostrar todas as mensagens

sábado, 1 de novembro de 2008

De Chipolletti a Chipolletti III







Patagónia- Dinossauros e trabalho

Escola de Medicina da Universidade Nacional de Comahue/Patagónia; Faculdade de Psicologia num belo e decadente edifíco "Art nouveau" e visita a Los Bareales onde descobriram recentemente fósseis de dinossauros e onde visitámos o campus e o museu.



De Chipolletti a Chipolletti II





Na Patagónia: com a Mónica, até ao fim do Mundo!
( Nota: na rubrica " cobertura fotográfica" há hoje mais fotos)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

De Cipolletti a Cipolletti

Por aqui e por aí, temas actuais!


Uma pós -graduação sobre "O mal-estar dos docentes universitários" face à "imobilidade burocrática", e respectivas consequências para a saúde!


Ainda a Educação sexual :







Archives Dis Childhood



Nova publicação desta vez no Arch Dis Childhood/ BMJ, abstract disponível em:


http://adc.bmj.com/cgi/content/abstract/adc.2008.139915v1?eaf




Parabéns Helena!



Emotional, behavioural, and social correlates of missing values for BMI


Helena Fonseca 1*, Margarida Gaspar de Matos 2, António Guerra 3 and João Gomes Pedro 1

Objective: To examine the emotional, behavioural, and social correlates of missing values for Body Mass Index (BMI) in a nationally representative sample of Portuguese youth.


Design and Methods: Sample included 6131 6th, 8th, and 10th grade public school Portuguese students, age 11-16 years, who participated in the 2002 HBSC / WHO survey of adolescent health. Those who did not report their weight and/or height, were compared with their peers. Bivariate analyses of psychosocial and behavioural variables were conducted, comparing the two groups. Multivariate logistic regression was used to determine if the variables that were significantly associated with missing BMI values at a bivariate level would predict missing BMI, when controlling for all the others in the model.


Results: From the 6131 adolescents who answered to the questionnaire, 661 (10.8%) did not report either their weight or height or both. Gender was not associated with missing BMI. Missing values were significantly predicted by a younger age (aOR=2.56, 95% CI 1.99-3.29, P< 0.001), sedentary lifestyle (aOR=1.53, 95% CI 1.16-2.01, P< 0.01), poor body satisfaction (aOR=1.34, 95% CI 1.19-1.51, P<0.001), father absence (aOR=1.62, 95% CI 1.14-2.30, P<0.01), lack of friends of the opposite sex (aOR=1.65, 95% CI 1.03-2.66, P< 0.05), and by a poor perception of academic achievement (aOR=1.23, 95% CI 1.06-1.42, P< 0.01).


Discussion: Our findings suggest that those with missing values for BMI tend to have poorer body image, health behaviours, and social networks. These results have implications for potential bias in results in studies that do not account for missing BMI.






terça-feira, 28 de outubro de 2008

De Mendoza a Cipolletti III





Pegando outra vez na publicidade e nas suas perversões, fica um cartaz onde se diz que
Um amigo é como um psicólogo, apenas sem título” e dá um endereço electrónico tipo amigopsicologo.com.

Os conselhos são do estilo “se a tua namorada quer casar, diz-lhe que se case”, “ se andas a sair com duas miúdas, compra dois telemóveis”. O que se quer vender é uma cerveja!

Qua campanha tonta, sexista e ainda por cima potencialmente banalizante do que é um apoio psicológico.


De Mendoza a Chipolletti II




Pelas ruas de Mendoza (provavelmente por toda a Argentina), à boleia de um cartaz do Ministério da Saúde onde se apela “consulte o seu médico” para controlo do cancro da mama e do útero (foto), aparece massivamente um outro cartaz (foto) com uma actriz muito conhecida e sua filha, “ uma em seis mulheres morre diariamente…” apelando para a tal consulta e a tal vacina.

No ano passado houve uma campanha do Ministério da Saúde para a vacinação das meninas contra a Rubéola, este ano é a vez dos rapazes “Vamos acabar com a rubéola na Argentina” dizem os cartazes), provavelmente confundindo com campanhas nacionais deste tipo, as mães de meninas a partir de 9 anos e as jovens dos 18 aos 26 apareceram massivamente nos hospitais e centros de saúde, a pedir que as vacinassem… Não queriam que as suas filhas fossem “uma das seis”. Mas não sabiam, que a vacina custa 1000 pesos (cerca de 250 euros).
Apesar do ar oficial e “não lucrativo” das Associações anunciadas no cartaz, a verdade é que divulgam um serviço que, não sendo acessível, pode perversamente servir para alarmar… culpabilizar…!

(mensagem implícita: “A população foi abundantemente informada, se as filhas vierem a ser uma das seis é porque as mães não tiveram 1000 pesos para lhe dar a vacina!”) .

Mas não há respostas públicas!
Não devia isto ter sido feito de outra maneira?
Nota: para quem gosta das fotos turísticas publicámos hoje mais um conjunto, na faixa lateral.

De Mendoza a Mendoza III



Ainda a educação sexual, a sexualidade e saúde sexual e reprodutiva.

Quem diria que Mendoza, com cerca de 100 mil habitantes, podia receber 3 mil médicos ginecologistas para o “XIX Congreso Latinoamericano de Obstetrícia y Ginecologia ( F.L.A.S.O.G. 2008)”.

Por casualidade o Simpósio do primeiro dia era exactamente sobre “ La Salud Reprodutiva en la Adolescencia”, e fui, no âmbito de uma reunião preparatória para um Congresso da SAGIJ (Sociedade Argentina de Ginecologia Infanto Juvenil), que terá lugar em breve em Buenos Aires e onde participarei também.

O Simpósio foi interessante com 3 apresentações “direitas ao assunto” : contracepção na adolescência (José Alcione, Brasil), o aborto na adolescência (Jorge Pelaez, Cuba) e o HPV (Ruth Graciela, Panamá).

Este simpósio teve um formato curioso, o debate público foi substituído pelo comentário de especialistas convidados, de elevado mérito tiveram 5 minutos cada um para comentários às apresentações.
Foi com entusiasmo que vi como em 5 minutos se pode dizer o essencial (para recordar o “massacre” de algumas reuniões de trabalho intermináveis onde se passam horas a patinar no gelo e saímos como entrámos, apenas um pouco mais irritados!).


Assim o Dr.Ramiro Molina da CEMERA (que visitei em Santiago do Chile) e actual Presidente da FIGIJ (Federação Internacional de Ginecologia Infanto-Juvenil), e o Dr.Enrique Pons (Uruguai).

Dos comentários sublinho:

(1) a necessidade de estudos internacionais para conhecimento do perfil dos(as) adolescentes nos problemas, mas também no dia-a-dia, conhecimento da sua percepção de saúde, de bem-estar, de qualidade de vida.
(2) a necessidade de uma educação sexual atempada: em geral a adolescente apenas recorre aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, após a primeira relação sexual, expondo-se assim a riscos escusados
(3) a necessidade de inclusão urgente dos jovens pais, nas intervenções na área da gravidez na adolescência (pais “grávidos”)
(4) a discrepância entre os países da América Latina em matéria de legislação na área do aborto
(5) a falta de eficácia, mesmo das medidas autorizadas pelas leis dos países em matéria de Interrupção Voluntária de Gravidez, que ocorre por questões logísticas ou de recursos humanos
(6) a vacina HPV não deve ocasionar a eliminação dos habituais testes de rastreio
(7) a necessidade de se evitar que o HPV seja o novo vírus do “controlo” da sexualidade.




Nota:
Na faixa lateral vamos incluindo links de interesse em cada país.
Hoje mesmo para além de mais links da Argentina, incluimos a newletter do Centro da Malária e Doenças Tropicais, onde é possivel inscrever-se e receber semanalmente, e o powerpoint com as fotos turisticas de São Paulo/ Brasil. As do Pantanal vêm a seguir.

domingo, 26 de outubro de 2008

De Mendoza a Mendoza II

Ponte del Inca - Fenómeno de erosão natural

Aconcágua - com a sua nuvenzinha "privativa" à volta.
Emocionante vê-lo aqui mesmo, a 30 km de nós ... quase 7000 metros de altitude!
O João Garcia já esteve certamente por aqui. Mesmo agora vimos um grupo nos preparativos de partida, não sabemos se para ir até ao topo!


sábado, 25 de outubro de 2008

De Mendoza a Mendoza



Estamos agora em Mendoza (uma das cidades produtoras de vinho na Argentina, com castas como o Malbec que por aí não temos).
Ontem o passeio do Chile aqui foi fantástico, 9 horas de autocarro, daqueles com poltronas e serviço de almoço, muito confortável.

A paisagem era de tirar a respiração, sempre no meio dos Andes, subimos do lado do Chile, e descemos do lado da Argentina.

Há um mês ainda estava tudo cheio de neve, agora começa a derreter formando quedas de água de grande velocidade e força por autênticas ravinas. As cores variam entre o branco da neve e o ocre da terra, que às vezes parece esculpida outras derretida.

Passamos várias estações de esqui, agora fechadas com pistas de uma inclinação invejavel para "espertos".

Na fronteira, já não viamos coisa assim há muitos anos, toca a abrir malas , revolver, desmanchar, mostrar tudo, arrumar tudo, um tempão, bastante irritante!

Ontem lembrei-me que aqui há uns tempos me tinha apetecido contar uma história, mas quis deixar uns dias e alguns países para manter o anonimato. Mas agora vem mesmo a propósito da celeuma renascida sobre a educação sexual nas escolas em Portugal.

A história começa quando me resolvo ir cortar o cabelo, o que como se sabe, é um risco num local desconhecido.

O jovem que se ocupou de mim perguntou as coisas habituais, de onde vinha e o que fazia mas, à menção que era psicóloga olhou para mim encantado e confessou que andava há anos para consultar uma, mas não conhecia o "ramo" e que queria mesmo muito falar comigo. E começou imediatamente a contar a sua história.

Então, eram sete irmãos e ele, com 24 anos era o mais velho. Moravam todos com a mãe e ele era o ganha pão daquela família, idolatrado pelos irmãos e pela mãe, porque do pai nenhum se lembrava.

O drama deste jovem com 24 anos, homosexual, era que em casa ninguém poderia nem imaginar a sua orientação sexual fazendo-o sentir-se sempre só, e muitas vezes culpado, enfim sempre que "abandonava" a família para sair com o seu grupo.

Como a sua situação era secreta, não podia ter um namorado estável, com quem tivesse uma vida social, sexual e familiar. Assim, tinha apenas acesso a relações episódicas, e era em geral muito assediado por homens mais velhos, que não lhe agradavam porque, dizia, apesar de já ser um pouco calvo tinha apenas 24 anos e gostava do convívio dos da sua geração.

Estava muito deprimido, achava-se excelente no seu emprego, achava-se um excelente pai para todos os seus irmãos e irmãs, mas não tinha coragem para seguir a sua vida e os seus sonhos, porque não ousava, nem achava que tivesse o direito de chocar a família, e, assim sendo, não podia fazer parte de um casal apaixonado e estável, e ficava confinado a relações episódicas e não gratificantes.
Enfim, esta situação fica para ilustrar que a recusa da educação sexual nas escolas, limita também o direito à diferença. Para quando todos diferentes... todos iguais?
Esta situação insólita, a mim garantiu-me um (excelente) corte de cabelo de 90 minutos.

Penso que para este jovem foi importante constatar que pelo menos para alguns, a orientação sexual de cada um faz parte do direito de cada um à diferença.

No fim brindou-me com um grande sorriso, agradeceu e declarou que eu não podia nem imaginar como aquela conversa tinha sido importante para ele.

Olhei e, com efeito, pelo menos a culpabilidade parecia ter-se ido!