Viagem tranquila para S Paulo de autocarro (onibus).
Das localidades pelo caminho, registam-se os pormenores mais salientes: uma estrada lindíssima à beira-mar, uma estrada de montanha às curvas e contra-curvas (mas desta vez o condutor era sereno!), a multiplicidade de cartazes publicitando candidatos para as próximas eleições, e a tipologia dos serviços mais populares em cada localidade (cafés, drogarias e "Assembleias de Deus").
Da religiosidade da população falarei um dia, se me der a coragem, porque é sem dúvida um assunto fracturante, mas de importância nacional.
Das próximas eleições aqui vai mais um descritivo:
Afinal no acto eleitoral, quando se marcam aqueles números atribuídos a cada um dos candidatos, aparece a foto do candidato(a) e requer uma confirmação.
Na campanha eleitoral na televisão, faz-se um apelo sensato mas insólito “Não venda o seu voto, só assim pode impedir a eleição de maus políticos”.
As eleições por aqui, como por todo o lado, dão muitas notícias: O Globo anda a desenvolver a notícia da prisão de uma candidata por suspeição de vários ilícitos relacionados com o processo eleitoral.
Na leitura do jornal damos conta que alguns candidatos líderes de milícias, estão a ser investigados por suspeitas criminais, arrastando com eles forças policiais também envolvidas.
Muitas das suspeitas têm justamente a ver com processos vários de “compra” de votos. A televisão passa uns spots apelando para a resistência à extorsão.
As milícias apareceram como organizações locais de auto-defesa, num movimento de organização das favelas contra a liderança dos “narcos”.
Pelos vistos acabaram em muitos casos por se tornar organizações paralelas, que protegem a população mas a troco de pagamento, que robustecem, e cujos líderes pelos vistos também se candidatam às eleições.
Durante a campanha eleitoral, aparentemente há patrões que garantem despedimentos, outros garantem que molestam, outros optam por outra estratégia e prometem benefícios na terra ou nos céus….
Alguns obrigam a uma foto de telemóvel do acto eleitoral para confirmar o sentido do voto (o que é proibido), outros ameaçam que verão em quem cada um votou através de uma gravação local.
Os meios de comunicação social desdobram-se em afirmações que tudo isto é impossível. Mas a população tem medo!
Para dar uma nota construtiva um vereador de um município na zona do Rio de Janeiro, implementou, para promover a cidadania, a Câmara Mirim. Os alunos das escolas do município candidatam-se com autorização dos pais e são eleitos Vereadores Mirins do município, nos variados pelouros, pelos seus pares. A experiência iniciou-se com um mandato de um mês, mas espera-se que em breve venha a estender-se a um ano .
Que tal levar os nossos alunos a inteirar-se, interessar-se, estudar e ter uma voz, em relação aos vários problemas, de áreas diversas, dos vários Municípios, em Portgal?
Pormenor curioso para a chegada a S.Paulo ( já tinha acontecido no Rio) : há por todo o Brasil um sistema bem cómodo e seguro para os turistas e também para os locais: o táxi pré-pago.
Chegados a um aeroporto ou uma estação rodoviária, o viajante que não conhece a cidade não tem que se preocupar em fugir de um taxista desonesto ou incompetente. Há cabines ou quiosques de venda do serviço de táxi a preço fixo de acordo com o destino. Este serviço é cómodo e descansativo: o táxi não nos leva a fazer passeios imensos com o simples fito de uma corrida mais longa.
Porque será que não existe em Portugal?
Não estarão os Governos ou as Câmaras Municipais interessados em facilitar este serviço? Porquê?











