segunda-feira, 15 de setembro de 2008

De S. José do Rio Preto a Campo Grande


O interior do Brasil. Vista de uma pequena vila ao nascer do sol, tinta da china sobre grafite sobre papel ( tentativa desesperada num onibus aos solavancos)







Mesma vista, agora ao pôr do sol, adivinhe-se os materiais usados...







Polémica à volta do desenvolvimento e preservação socio-cultural.








Loja Maçônica Oriente Maracaju, em Campo Grande







Saída de São José do Rio Preto pela noitinha e chegada de madrugada a campo Grande no Mato Grosso do Sul.
O Inverno aqui tem oscilado entre 30 e 38 graus, ficando-nos a questão de como será o Verão. Mas hoje durante toda a noite trovejou imenso e a temperatura chegou aos 13 graus, acompanhada de chuvinha à chegada a Campo Grande. Por aqui, para fugir aos roteiros mais tradicionais, o modo de viajar é o onibus-executivo, com lugares largos tipo primeira classe de avião, reclináveis a fazer cama, com “banheiro”… barato e muito repousante…

Estamos agora em Campo Grande, a estudar percursos alternativos para atravessar a Bolívia, e mesmo a ida de avião para La Paz, para não deixar a organização do Congresso "pendurada", mesmo isso se torna cada vez mais remoto…

Num primeiro passeio deparámo-nos com dois pormenores curiosos, um grande outdoor a questionar “Para valorizar as etnias é preciso desacelerar o desenvolvimento?”. Tentámos aprofundar esta questão misteriosa.
Justamente num dos últimos números do jornal “ A Folha de São Paulo” este assunto foi abordado num debate tipo o nosso “ Prós e Contras”.
O Brasil tem tido um enorme crescimento económico, neste ano o PIB aumentou quase 6%.
A questão é se este desenvolvimento acelerado, que terá as suas raízes em vários factores entre os quais a exploração petrolífera, tornará não-sustentável a valorização das minorias étnicas no País. O outro lado da questão é alegadamente a vantagem de manter esta parte da população pobre e iletrada.
Como é costume nestas polémicas polarizadas, ambas as correntes de opinião não conversam procurando convergências, e rebatendo os argumentos da outra parte, por isso, para um outsider como nós até parece que cada parte está a falar de um assunto completamente diferente, ignorando a argumentação opositora!

Depararamos mais tarde com um bonito edifício térreo, que ostentava na fachada um baixo relevo com as palavras “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” e um cartaz na porta de entrada onde enunciava ser ali a sede da Loja Maçónica Oriente Maracajú , fundada em 1921 e Juridiscionada à Sereníssima Grande Loja Maçónica do Mato Grosso do Sul.

Em Campo Grande tivemos o privilégio de visitar, mesmo nu último dia a primeira Feira Internacional de Artesanato e Decoração Artesanal, com representações de 19 países e 16 estados Brasileiros (Feira Internacional de Artesanato). Portugal estava representado pelos verdadeiros e tradicionais pastéis de Belém, confeccionados no Brasil desde 1935, mas que não vimos porque estavam esgotados, pastéis de Santa Clara (penso que são os da minha terra natal, Coimbra, mas não reconheci…) e os pastéis de Tentúgal na sua versão original e com sabor a maçã (?).

Ainda o caminho para a Bolívia

No Público que consultámos esta manhã não vimos notícias sobre a Bolívia. No entanto por cá ouvimos esta manhã na televisão, que o exército avançou numa tentativa de controlar a situação.
Os opositores de Evo Morales desbloquearam as estradas, e um dos governadores de uma das províncias revoltosas foi detido, o das províncias revoltosas reuniram-se e falam de “ditadura”. Evo Morales apela à serenidade fala de interesses económicos com o apoio dos Estados Unidos e pede ao Brasil que não deixe entrar na Bolívia milícias brasileiras. Registaram-se mais mortes entre a população.
O Presidente Lula foi hoje aceite por ambas as partes como interlocutor e viajou já para o Chile para iniciar esta missão.

Por cá estamos a ver como sair de Campo Grande para Asunción, e como ir de Asunción para o Peru, mas ainda não perdi a esperança de voar para La Paz dia 28, se as coisas serenarem. Ainda iria a tempo de alguma participação.

domingo, 14 de setembro de 2008

De S.José do Rio Preto a S.José do Rio Preto


Em passeio com a Cristina e Neide,
fomos surpreendidos por estas Capivaras, à beira do Rio Preto.
Estranho convívio o deste animal insólito com a população, ali mesmo ao lado, quase no centro da cidade.






Psicologia da Saúde em São José do Rio Preto

A Professora Cristina Miyazaki é uma profissional de renome que regularmente apresenta o seu trabalho pelo mundo, em Congressos na área da Psicoterapia Cognitiva e Comportamental, Medicina do Comportamento e Psicologia da Saúde. Lidera o Laboratório de Psicologia da Faculdade de Medicina São José do Rio Preto (Faculdade de Medicina de S.José do Rio Preto) .

Conheci também a Prof Neide Micelli (Psicóloga) e a Prof Maysa Bianchin (Terapeuta Ocupacional) e falei ainda com vários profissionais e estudantes de pós graduação.

Os cursos de graduação da FAMERP são de Medicina e Enfermagem, mas nos cursos de pós-graduação, juntam-se os profissionais de várias áreas (Medicina,Psicologia, Enfermagem, Fisioterapia, Terapia Ocupacional). Nesta reunião visitei ainda o Hospital Escola (Hospital Escola de S.José do Rio Preto)

Aqui, existem cerca de 50 Psicólogos ligados aos vários serviços do Hospital-Escola: Urologia; Pediatria; Pediatria Oncológica; Cirurgia; Obesidade; Neurologia; Genética; Cardiologia; Organizacional e Recursos Humanos, Clínica de apoio psicológico a estudantes.
Para além destes há bolseiros de doutoramento e “Residentes”, uma figura semelhante aos Internatos da Medicina em Portugal, que aqui também incluem os Psicólogos em formação.
Para além da componente clínica e da docência, esta equipa tem ainda uma grande componente de investigação e trabalho na comunidade.

Os Médicos, Enfermeiros, Psicólogos, Fisioterapeutas, Terapeutas Ocupacionais são treinados juntos na pós graduação e assim crescem juntos e aprendem juntos a compreender, respeitar e saber colaborar uns com os outros, respeitando a diferenciação de competências e as mais-valias desta sinergia.
Para a Cristina Miyazaki este é um “ingrediente básico” na boa relação e colaboração entre estes profissionais com formação–base diferente.
A equipa tem várias publicações, entre as quais um livro publicado em 2006 onde se relata esta experiência (Cristina Miyazaki, Neide Micelli Domingos e Nelson Valério (org), Psicologia da Saúde: Pesquisa e Prática, (2006), THS Arantes).

Os cursos de pós-graduação são de vários tipos, alguns dos quais “à distância” embora incluam sessões regulares presenciais.
Tal como em S. Carlos e S.Paulo, vamos desenvolver esforços para o estabelecimento de um convénio de colaboração e partilha de investigação e intercâmbio de estudantes, entre as nossas Instituições.

A Cristina é uma mulher “de armas”, uma pessoa que resolve problemas, e é efectivamente espantosa a organização do serviço que ela lidera aqui em S. José do Rio Preto, e que considerei paradigmática do que pode ser o papel do psicólogo nos serviços de saúde e de como se pode processar a criação de uma linguagem comum e uma gestão de esforços entre os vários profissionais, abrindo possibilidade ao trabalho pluridisciplinar.

Passeamos também em S. José do Rio Preto:

- Boa gastronomia, bom convívio e algumas notas turísticas: à beira rio, a “visão” de um bando de uma vintena de Capivaras, eu diria que adultas, do tamanho de um borrego pequeno mas gorducho, que vivem em perfeito convívio com a população, na margem do Rio Preto.

- As Ipês, árvores lindíssimas da mata atlântica, com flores de cores várias, a mais frequente o amarelo, aqui são brancas (a cor mais rara) e ficam belíssimas a lembrar as amendoeiras em flor, ou árvores com neve, nestes 37 graus…

- Já de táxi para o onibus, conhecemos (ouvimos no taxi) um cantor nascido, criado e falecido em S. José do Rio Preto, o "Tião Carreira" que se celebrizou por cantar cantigas populares com letras críticas à política de Vargas, que tomavam a forma de metáforas para melhor fugir à censura (ouvimos do taxista, enquanto nos mostrava o botequim onde ele passava muito tempo, à beira da estação rodoviária ).

O caminho para a Bolívia

Hoje devemos ter notícias sobre a intervenção militar nas zonas orientais da Bolívia e sobre a evolução do conflito. Fontes bem informadas contactaram-nos no sentido de nos sugerir uma alternativa à travessia da Bolívia neste momento.
Estamos a trabalhar numa alternativa que é seguir para o Paraguai e apanhar voo directo para La Paz, ou, se na próxima semana as coisas não se compuserem, para Cusco no Peru abandonando a passagem pela Bolívia.



sexta-feira, 12 de setembro de 2008

De S.José do Rio Preto a S.José do Rio Preto

Bolívia, desde S. José do Rio Preto

Por entre uma visita extraordinária à Faculdade de Medicina de S.José do Rio Preto, Laboratório de Psicologia e Hospital Escolar, de que falarei em breve, a nossa perturbação actual é o prosseguimento da viagem pela Bolívia.

Tínhamos planeado seguir pelo Pantanal até Corumbá e passar para a Bolívia por Puerto Suárez. Seguia-se uma viagem de comboio-cama até Santa Cruz de la Sierra, uma viagem por estrada para Cochabamba, e chegada a La Paz de avião, daqui seguiríamos para Lima por avião, em dois troços. Tudo já planeado, hotéis, viagens de avião, e uma estada de 5 dias em La Paz a visitar projectos na área da saúde e participação num congresso com 3 conferências e um workshop…

Bem… A fronteira de Puerto Suárez/Corumbá está fechada, não há comboio, a estrada de Santa Cruz para La Paz com passagem por Cochabamba está bloqueada, ocupada pelos opositores a Evo Morales.

Em Cochabamba e em La Paz, seguindo um comentário que me enviaram (ver comentário), não há problemas.

A questão que vamos seguindo pelos jornais e noticiários é que 5 das 9 províncias da Bolívia (as mais ricos) querem que os impostos sobre a produção e comercialização do gás natural revertam apenas para os estados produtores. O Governo Central em La Paz, chefiado por Evo Morales, quer redistribuir estes impostos por toda a Bolívia. Mais, quer utilizá-los para fins de benefícios sociais, nomeadamente um subsídio aos maiores de 60 anos.
Os Bolivianos mais pobres, que são também a maioria, moram na parte ocidental e montanhosa da Bolívia. São estes os apoiantes de Evo Morales e a maioria, daí a sua eleição. As restantes 5 províncias querem então autonomia e revoltam-se nas ruas com apoio dos governantes provinciais.

Tem havido tumultos nas ruas, destruições nas ruas e algumas mortes. Ontem explodiu um gasoduto o que está a perturbar o fornecimento de gás natural ao Brasil. Os noticiários apresentam repetidamente imagens de violência de populares nas ruas das cidades orientais, nomeadamente em Pando (onde se registaram as mortes) Tarija e Santa Cruz de la Sierra.

Ontem Hugo Chavez, que responsabiliza o Governo dos Estados Unidos por tudo isto, expulsou o Embaixador dos Estados Unidos em Caracas, como forma de solidariedade para com Evo Morales e veio à televisão com um discurso inflamado entremeado com um par de palavrões ilustrativos da sua revolta.

Vimos hoje no Público que o Governo Português aconselha os cidadãos Portugueses a que evitem a Bolívia.

Agora o nosso problemazinho particular… evitar a Bolívia em bloco? ou tentar chegar à parte ocidental (Cochabamba ou La Paz)? Como?

Podemos contornar a Bolívia pelo Amazonas a norte, ou entrar no Paraguai até Asuncion e depois apanhar um avião, para Cochabamba, para La Paz, ou para Lima… Para ir para Cochabamba ou la Paz o problema é que os aviões fazem escala em Santa Cruz de la Sierra, e o aeroporto está em risco de encerramento….

Ir directo a Lima… é uma pena. Temos grandes expectativas em relação ao trabalho em La Paz, além disso no caminho de La Paz para Lima tínhamos previsto uma visita a Cusco e Machu Pichu… e assim não há como lá chegar… E depois há um conjunto de despesas irrecuperáveis e 3 semanas de viagem a refazer e a repagar…
Aiaiai…
Vamos seguindo as notícias, cheios de prudência e cheios de vontade de tornar possível, no mínimo, ir pelo Paraguai directamente para La Paz.
Alguma dica?

De S. Carlos a S.José do Rio Preto


A Margarida faz hoje anos , com a jovialidade e encanto que se retratam.
Temos saudades suas e das suas travessuras!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

De S.Carlos a S.Carlos III















S. Carlos é uma verdadeira cidade Universitária com campus. Talvez mais bem descrita como um campus com uma cidade. Este formato com esta intensidade, não temos nós em Portugal, ou pelo menos não me estou a lembrar de nenhum caso…

Aqui o campus ocupa grande parte da cidade e lá dentro há todo um conjunto de Instituições de apoio ao aluno, ao docente, à docência, à investigação e aos serviços de extensão à comunidade. Há instituições bancárias, restaurantes, livrarias e papelarias, uma estação de rádio, uma estação de televisão, uma orquestra e um coro, um teatro, um hospital-escola, um centro de saúde-escola e até uma agência de financiamento à investigação…, tudo dentro da UFSCAR.
Muitos alunos de outras partes do Brasil vivem em residências universitárias, até à graduação. Para os outros há Repúblicas, tal como as conhecemos da cultura Coimbrã. Tal como lá, há um culto corporativo dos alunos que passaram pelas Repúblicas, alunos de Minas Gerais, do Mato Grosso…

Tal como a nossa equipa Aventura Social em Lisboa, a equipa da Zilda e do Almir tem cerca de uma dúzia de alunas de mestrado, doutoramento e pós-doutoramento, todos com bolsas de investigação. TodOs não, todAs: são na verdade alunas no feminino, apenas um jovem. A nossa equipa em Lisboa tem a mesma proporção. Por onde andam os alunos-investigadores, aqui como aí?

Ontem jantámos juntos!
Mais uma experiência cultural “Rodízio de Pizza”: várias pizzas vão passando, uma das quais aliás chamada “Pizza à Portuguesa” (?). Assim podem comer-se uma dúzia de espécies de pizza diferentes, se o apetite o permitir. O curioso é que segue-se para a sobremesa também com pizza, mas então o queijo-base, é subtituido por chocolate-base e… largas à imaginação.

Radio USFCAR Escute Diferente

Hoje fui requisitada para fazer uma entrevista para a rádio local ( Radio USFCAR- Escute Diferente).
Vamos ter o link directo para a entrevista que vai passar em vários programas, na proxima semana.
Aceitei, um pouco para ser coerente com a minha politica de divulgação do conhecimento, mas francamente tinha-me parecido uma coisa longa (uma hora). Mas os meus entrevistadores, dois jornalistas, eram muito animados e descontraídos e tinham feito um trabalho de pesquisa notável sobre a minha vida e o meu trabalho. Diverti-me imenso “à conversa” ao longo daquela curta hora…

Em passeio com a Zilda descobrimos que a cidade se estende bem para além da rua que já conhecemos e inclui mesmo uma vasta zona verde com laguinhos a pedir longos e saudáveis passeios. A Zilda conta-nos que é uma cidade que permite uma excelente qualidade de vida, sem poluição, sem criminalidade, sem trânsito… Tem também uns excelente “picolés” (gelados de pauzinho, excelentes, directamente da fábrica).

Visitamos o Centro de Saúde–Escola, que fornece serviço à comunidade bem como apoio à docência e à investigação na área da medicina, fisioterapia, psicologia, enfermagem e terapia ocupacional, tal como o Hospital–Escola. Tem vários gabinetes de consulta, vários ginásios com saída directa para a rua (campo exterior para treino), piscina com vidro para fisioterapia, uma unidade de treino de actividades de vida diária (uma meia casa completamente equipada com vidro unidireccional, para treino de pessoas com deficiência mental, ou pessoas em recuperação de lesão motora), tem ainda uma ala para crianças com ludoteca que acabou de abrir, e projecta-se um espaço para design e construção de próteses.
Portugal- Dinamarca
Todos os dias nos assombramos com as diferenças linguísticas que unem o Português de Portugal e do Brasil.
Um “lanche de presunto”, é mesmo uma sandes de fiambre… o pedido “ Um chopp fresquinho”, leva o garçon ao máximo da estupefação “ Um chopp quê? não entendo o que a senhora quer!” e depois aliviado “ ah.. quer um chopp bem geladinho?”.
Não admira que às vezes alguns insistam em falar connosco inglês…

Justamente no fim da tarde num café passava um jogo de futebol no plasma. O garçon meteu conversa gesticulando : “ É Portugal- Dinamarca, está 1-0”. Metemos conversa de volta "Portugal tem também uma famosa selecção de futebol”.

No fim da noite vínhamos de jantar para o hotel e passamos à porta do mesmo café.
O garçon veio a correr para a rua ter connosco a gritar “ 3-2, 3-2, puxa vocês saindo e a Dinamarca pôs-se a marcar, foram 4 golos em 7 minutos, vocês haviam de ver…incrível, o Luizão já está fazendo aquela falta, é mesmo isso”.

O café estava agora cheio e perguntamos que jogo era agora “O Brasil-Bolivia”.
O garçon olhou para nós sorridenteOs senhores estão mesmo há quanto tempo no Brasil? , "Há 3 semanas”.
Ó! Puxa gente… imagina …para quem está no Brasil há 3 semanas, vocês falam Português bem para caramba!”.
Enfim é "gostozinho", no Brasil estamos sempre a receber elogios.
Bolívia
As notícias da instabilidade na Bolívia não param na comunicação social.

Custa relativizar e entender o parâmetro do risco.
Temos uma semana para decidir se cancelamos mesmo a passagem pela Bolívia e se vamos directos ao Peru, se voamos para La Paz directo de Brasilia e evitamos o caminho por terra.
Seria uma pena não poder ir, porque vai ser um grande congresso, onde gostar imenso de falar com os investigadores locais, onde vou ter uma grande participação e estamos com uma grande expectativa em relação aos locais, às pessoas, e ao percurso que planeámos, mas…
Alguém tem alguma notícia útil que nos possa ajudar a decidir?




quarta-feira, 10 de setembro de 2008

De S.Carlos a S.Carlos II

O prazer e a competência na Matemática

Para além das leituras em formato electrónico, trouxe de Lisboa uns livros de papel.
Um dos livros foi "A Matemática das Coisas" do Nuno Crato. Não conheço pessoalmente o Nuno Crato e fiquei a saber, apenas na capa deste livro, que ele trabalha na mesma Universidade do que eu…
Há tempos tinha lido uma crónica do autor, em que ele dissertava sobre os (re)conhecidos males da Educação em Portugal…
Para falar com franqueza, pareceu-me na altura um texto inteligente e denotando um elevado sentido de humor, mas achei-o também uma critica contundente, mas demasiado fácil e demasiado pouco acompanhada de propostas concretas de mudança (tenho para mim, que críticas, na idade adulta, só mesmo acompanhadas de propostas; senão é mesmo só agitar brasas…).

Muita tinta tem corrido sobre a razão do insucesso e (des)gosto dos alunos Portugueses pela Matemática. Ainda hoje li no Público on-line mais achegas a este assunto.
Mas as coisas na Educação não estão todas mal, e uma generalização abusiva só leva a um estado de pânico e insegurança dos pais, desalento dos professores, desinteresse dos alunos e descrédito da população em geral. Há sem dúvida “nichos” péssimos que até poderão azedar tudo à volta, e que têm de ser identificados e debelados, mas o resto (as boas partes), também têm que ser identificadas, reconhecidas e divulgadas.

O Nuno Crato explica com um entusiasmo transbordante, fenómenos matemáticos complexos. O seu livro tem uma leitura muito agradável e simples, com utilidade imediata na análise e compreensão de problemas do quotidiano.
Quando era adolescente, eu tinha um grande fascínio pela matemática e, se o Nuno Crato tem sido meu professor, ele teria sem dúvida mudado o meu futuro.

Passando agora a propostas concretas, o Nuno Crato podia ser encarregado de analisar e fazer propostas para o ensino da Matemática nas escolas Portuguesas. Identificar o que está mal, propor mudanças, e tornar a breve trecho os nossos alunos adeptos fervorosos e entusiastas desta maravilhosa ciência dos padrões, “os padrões matemáticos são afinal padrões necessários da natureza” (NC, pag 192).

Já agora, corroboro um apelo seu, embora não seja um tema central neste livro: a palavra "grama" tem género MASCULINO. Quando se lê “a grama” parece uma desafinação linguística, ou então que estamos a falar de botânica.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

De S. Carlos a S. Carlos



São Carlos foi criada em 1857 por um jovem político e seus irmãos, realizando um desejo antigo de seu pai de estabelecer uma cidade na sua sesmaria. S. Carlos foi o padroeiro.






E uma cidade que, salvo erro, tem uma rua grande, sem encantos de maior e algumas ramificações do mesmo género.







No passeio em frente à Experimentoteca há no chão pegadas, à boa maneira das mãos no "passeio da honra" nos Estados Unidos.











Mas aqui as "pegadas" são de várias espécies. Os exemplos são variados e há uma legenda com a foto correspondente ao exemplar que deixou a "pegada". Deixo aqui dois exemplos, o segundo dos quais achei curioso.


E assim chegámos à Universidade. sim porque depois desta descrição, "sobram" duas grandes Universidades:


Gresham e Matos
É com prazer que o Grupo RIHS/UFSCar está promovendo um conjunto de atividades sobre Habilidades Sociais para a comunidade acadêmica em agosto e setembro de 2008. Essas atividades incluem a vinda do Prof. Dr. Frank M. Gresham da Universidade de Louisiana ao Brasil e a vinda da Prof. Dra. Margarida Gaspar de Matos da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa, Portugal.
O Grupo RIHS/UFSCar agradece os apoios recebidos da FAPESP , PPGEEs/UFSCar, PPGPsi/UFSCar e da ABPMC.
Prof. Dr. Frank Gresham
E-mail:
gresham@lsu.edu
Profa. Dra. Margarida Gaspar de Matos

Duas grandes Universidades dominam a cidade, uma das quais, a Universidade Federal de S. Carlos ( Universidade Federal de S. Carlos) é a segunda melhor Universidade do Estado de S.Paulo, segundo o ranking hoje publicados no jornal O Estado de S.Paulo.

Meus colegas de já longa data no Departamento de Psicologia e Departamento de Educação Especial desta universidade, a Prof ª Zilda de Prette e o Prof Almir De Prette
Zilda e Almir ambos psicólogos, têm provavelmente a melhor equipa Brasileira no trabalho com promoção de competências pessoais e sociais, também a minha área de doutoramento, com vários projectos de renome internacional RIHS além de uma vastíssima obra em língua portuguesa, que é pena não se encontrarem nas nossas livrarias em Portugal Publicações.

A minha rotina aqui foi ministrar um curso de pós graduação, para alunos de mestrado e de doutoramento em Psicologia e em Educação Especial, na aplicação das metodologias de promoção de competências pessoais e sociais, na promoção da saúde dos alunos, em meio escolar, e organização dos serviços na escola.
Pós Graduação em Psicologia
Pós Graduação em Educação Especial

Para além disto conversei com alunos de doutoramento e discutimos o convénio de colaboração entre a UFSCAR, e a FMH/UTL e o CMDTla. Os alunos de Pós Graduação são muito diferenciados e experientes, e vêm um pouco de todo o Pais para este curso, que teve aqui, antes de mim, o Prof . Graham, uma referência mundial na área.

De S.Paulo a S.Paulo III















A perfeita entrada de fim de semana!!
Um concerto no magnífico Auditório Ibirapuera, da autoria do Niemeyer, para ver a Orquestra da Universidade de S. Paulo (OSUSP), junto com o Nelson Ayres, a tocar/ cantar Villa-Lobos, Edu Lobo e Chico Buarte.
Admirável este auditório, admirável também a música, e ainda admirável a companhia.
A OSUSP foi criada em 1975 pelo Prof. Orlando Paiva, então Reitor da USP.
Investimentos arrojados e futuristas, no que diz respeito à Cultura e às Artes! …
Fica aqui um repto, às nossas Universidades e ao arrojo dos nossos Reitores.
Depois do concerto o típico programa Paulista “pós-concerto” : Pizza, em Pizzaria repleta, pela noite dentro, em alegre cavaqueira à volta das tão já badaladas diferenças e convergências nas culturas luso-brasileiras.

Sábado de manhã assistimos à cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, na sua versão Para–Olímpica, e à chegada da chama Olímpica.
Por aqui vimos o desfile da equipa Brasileira.
Penso que o meu colega e amigo Jorge Vilela estará em Pequim, acompanhando a equipa Portuguesa.
Aqui um voto de excelentes provas a todos os nossos atletas.
A cobertura dos Jogos pela comunicação social foi por aqui parca, ao longo do fim de semana. Será que houve melhor cobertura aí em Portugal?

Embu é uma “aldeia-mercado” de artesanato, na periferia de S Paulo, que visitámos no caminho para “ o sítio” da Vivi.
Por aqui “ um sítio” é uma chácara (quinta) grande (ou talvez uma fazenda pequena).
No sítio da Vivi tivemos aulas de Culinária (peixe na grelha com ervas, farofa, picanha, caipira, sopa de caldo, chimarrão- chá de mate verde, aspirado por uma palhinha, doce de leite condensado, cocada, quebra-queixos- doce de coco com ananás).














Seguiram-se aulas de Botânica e Zoologia, em passeio, no contexto natural da Mata Atlântica, um privilégio!

Aprendemos a observar muita vida animal e vegetal própria da Mata Atlântica: tatus, beija-flor, bem-te-vi, gambá, saúva, isto com respeito à fauna; ipê, palmito, araucária (diferente da de Portugal), morango silvestre, orquídeas várias empoleiradas pelas árvores, fetos luxuriantes a embrulhar troncos, para a flora. E tantos outros que a Vivi e o Otávio nos mostraram, à vista ou ao ouvido, e que não conseguimos memorizar.

Tivemos ainda "aulas" de cultura musical brasileira, sempre ao som de música brasileira, de MPB (Música Popular Brasileira) e Bossa Nova.
O Bossa Nova tem um ritmo impressionante, que se gosta de imediato e que se aprende a gostar cada vez mais.
Este ano os brasileiros celebram os 50 anos do aparecimento do Bossa Nova e o assunto tem vindo a ser debatido. Mas a nossa perplexidade não acaba aqui.
Esta música mágica, de ritmo complexo é considerada uma música genial mas …elitista, conservadora, afastada das preocupações da população.

Lembrei-me do José Duarte nos seus “5 minutos de Jazz”, quando há décadas dizia no seu programa qualquer coisa como “ sempre houve, em todos os tempos, uma elite musical… e em todos os tempos a população em geral necessitou de uma música”…
Enfim, não é simples !
Pois bem, Bossa Nova será conservadora, apelará ao romantismo e à inércia social, terá mesmo justificado da Nara Leão a expressão “ Agora já chega de Bossa Nova!”.
Mas é tão, tão, mas tão envolvente!
Um fim de semana inesquecivel, na melhor companhia!

Saímos no fim do dia de São Paulo e continuamos a nossa viagem para o interior, mais duzentos e tal quilómetros, até S. Carlos.
Para já ainda não vimos nada para além de um jantarinho simples de carne seca à mineira no bar restaurante Trem Bão, que estava cheio de juventude. Delicioso e muito bom preço.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

De S.Paulo a S.Paulo II

Hoje foi dia de museus. Todos dentro do campus da Universidade de São Paulo.

Comecei pelos magníficos museus do Instituto Butantan: um serpentário, um museu de biologia, outro de microbiologia e ainda um museu histórico. Depois o MAC, de arte contemporânea, o MAE de arqueologia e etnografia e o Museu de Geologia da Faculdade de Ciência Geofísicas.

O Instituto Butantan, fundado em 23 de Fevereiro de 1901, é um centro de pesquisa biomédica, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, responsável pela produção de mais de 80% do total de soros e vacinas consumidas no Brasil.
Para prossecução das suas actividades possui grande número de ofídeos dos quais expõe, ao ar livre, algumas espécies mais adaptáveis ao cativeiro. Em jaulas de vidro dentro do Museu de Biologia podem ver-se dezenas de espécies.

O Museu de Microbiologia dá uma visão desde os fungos até aos priões. Fungos, protozoários e bactérias podem aí ser vistos ao microscópio. Ficam, naturalmente, fora da visão os vírus e priões, dos quais são apresentados modelos.
O Museu Histórico descreve a evolução do Instituto desde o sítio de Ibu-tá-tá (terra-dura-dura), passando pela fazenda de Ibutatan e até hoje.
Sobre o MAC (lamento a minha falta de competência) entrei e saí sem um mínimo de afeição por qualquer uma das obras expostas.

O MAE tem, para além de um sector mediterrânico e outro africano menos interessantes para o visitante europeu, um importante acervo de materiais sul-americanos. Os Índios brasileiros são aqui descritos nas suas culturas ancestrais e na sua evolução ao contacto com a cultura industrial.
O MGFCG tem uma imensa colecção de minerais, rochas, pedras. Todos com indicação de nome e respectiva composição química.
É, com certeza, de inestimável valor para o estudante mas também de imenso gozo para a vista do turista.

Incluíndo os passeios a pé e de autocarro (onibus) foi um dia bem agradável este passado nos 50 hectares do campus da USP.
Note-se o gosto que aqui temos ao ouvir onibus (em Portugal escreveríamos omnibus) em vez de "ónibâss" como pronunciado pela maioria dos Portugueses desconhecedores, que tratam esta conjunção latina como se de inglês se tratasse (?). Também dizem "áitéme" (item) e ainda os hei-de ouvir dizer "sainé daié" (Sine die). É triste mas é verdade.






Alunos visitando o Museu de Microbiologia












Serpentário no Instituto Butantan














Procurámos de tarde uma esplanada para trabalhar, ao sol, longe do hotel.
O Hotel Howard Johnson é um exemplo acabado de má hotelaria.
O pessoal acumula-se e perfila-se no balcão da recepção, mas nada, nada e nunca, corre bem…

O hotel é central e perto da Universidade o que daria para evitar o caótico e imenso trânsito de S.Paulo. Daí a escolha.
É um hotel "standard" daqueles que há, iguaizinhos, por todo o mundo.
Pessoalmente preferimos hotéis mais característicos, mais do tipo familiar e local, mas, na verdade, estes hotéis internacionais costumam brindar o cliente com um serviço de qualidade, no sentido estrito de “sempre igual”.

Aqui corre tudo mal… a ligação à net, acessível por períodos de 24 horas a preço módico, não trabalha dias a fio e desde há 5 dias que nos garantem que o técnico está a providenciar.
O “café da manhã” mantêm há 5 dias um (o mesmo) bolo de chocolate, que hoje apresentava já sinais do devido envelhecimento e desidratação.
O jantar de ontem era praticamente intragável… uma porção de legumes a acompanhar um objecto não identificado coberto de molho (na lista o objecto dava pelo nome de peixe!).

Hoje a fugir do hotel fomos até uma esplanada nas redondezas. Um restaurante na rua paralela, com uma esplanada agradável, coberta de vegetação.
O empregado não tardou: “Você fumam?”, “Não?”…. “Então não pode sentar, só lá dentro… a esplanada está reservada a fumadores !!!!!!!!”
Nunca tinha acontecido, mas para nós que adoramos esplanadas em dia de sol…
Custa pensar que a nossa única hipótese é começar a fumar!!!!!


Mas falando de coisas interessantes. A visita ao Instituto de Psicologia foi rica em informações e experiência.
A Prof Edwiges Mattos Silvares (Professora Edwiges ) é minha conhecida de longa data. Nas últimas décadas fomo-nos vendo um pouco por todo o Mundo, ela já me tinha visitado em Lisboa, só faltava mesmo esta minha visita à sua Universidade. Toda a gente a reconhece pelo carinhoso nome de “Vivi”. Apesar da sua juventude foi professora de meio mundo no meio profissional de psicologia por todo o Brasil. É, enfim, daquelas pessoas que “abriram portas e horizontes” aos seus estudantes.

A Universidade de S.Paulo é enorme! Mais de 50000 alunos, mais de 40 Escolas, um campus com uma linha permanente e gratuita de transporte entre escolas.
Há vários museus (entre os quais um de Microbiologia, onde veja-se na foto, também abundavam crianças-visitantes, interessados no assunto), variada oferta de logística hoteleira, um Hospital Universitário e, pelo menos no Instituto de Psicologia, uma Biblioteca invejável… (Universidade de S.Paulo )

No Instituto de Psicologia (Instituto de Psicologia) para além das minha palestra e workshop, contactei os alunos de doutoramento (aqui diz-se “de doutorado”) e seus projectos, alguns dos quais incluídos no “Projecto Enurese”, ( Projecto Enurese ) uma linha de pesquisa em que a Edwiges é uma referência a nível mundial. Desenvoveram e têm a patente de uma intervenção terapêutica e um instrumento terapêutico para este problema.

Ficámos em promessas e projectos de que uma representação deste projecto deveria ir a Braga, em Abril de 2009, participar num evento que estamos a organizar colaborando com a Universidade do Minho, o Congresso Ibérico “Saúde e Comportamento”.
Fui, com os estudantes de pós graduação e estagiários, ver o seu trabalho no serviço de Pediatria do Hospital Universitário. Alguns psicólogos fazem jogos didácticos com as crianças à espera de consulta de pediatria num cantinho recreativo; outros conversam com os pais também na sala de espera ouvindo-os e identificando problemas e recursos familiares. Mais um exemplo a seguir, com muito impacto e baixo custo, uma vez que este serviço conta com a colaboração de estagiários de graduação, supervisionados por dois seniores, a própria Edwiges e mais um psicólogo graduado.

Adiantamos um pouco no projecto Luso-Brasileiro “ Projecto Serviços-Escola de Psicologia” , que vamos desenvolver em conjunto, on-line (Serviços-Escola de Psicologia ).

Uma das doutorandas da Vivi, a Carol Guisantes está a fazer o estudo piloto do HBSC (HBSC) no Brasil, mais exactamente em S.Paulo e Curitiba. Juntámos as bases de dados dos nossos dois países e temos já um artigo cozinhado, em que ela vai trabalhar até à minha passagem por Curitiba, mesmo antes do meu regresso. Estamos a comparar os alunos Portugueses e Brasileiros no que diz respeito aos problemas de comportamento e competências sociais e sua influência nos estilos de vida.

Estivemos hoje a ver revistas especializadas em língua Portuguesa, e factores de impacto ( CAPES e ANPEPP )

Tive ainda ocasião de reunir com a Directora do IP , acertando projectos de assinatura de um protocolo entre as nossas Instituições, para colaboração em investigação e intercâmbio de alunos e professores.

Entretanto recebi hoje um e-mail com a referência da legislação Portuguesa referente à recente criação da Ordem dos Psicólogos em Portugal.
Aqui no Brasil, 2008 é o ano da Psicologia: Profissão na Construção da Educação para Todos (ver Psicologia)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

De S. Paulo a S. Paulo
















Hoje foi verdadeiramente interessante a conversa com os alunos de pós graduação do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Desenvolvo em breve;

Aprendi muito da realidade Brasileira (de modo mais lato Latino-Americana), em questões como as trajectórias e as vicissitudes das democracias, a questão religiosa e a filosofia de vida da nova geração de adolescentes.


A propósito de convergências (nem de propósito) lia-se hoje no jornal "O Estado de S.Paulo" que num estudo semelhante ao HBSC ( http://www.hbsc.org/), incluindo 6308 alunos de todo o Brasil, que nas idades de 13 a 16 anos, 22.1% já tinham iniciado a sua vida sexual. Percentagem semelhante à portuguesa no estudo de HBSC 2006, para as mesmas idades ( http://www.aventurasocial.com/) . um quarto dos que responderam afirmativamente a esta questão, referiram uma idade de inicio de 14 anos. Enfim, nada de muito diferente!
Aqui como aí, os especialistas continuam a alertar os governantes para a necessidade de não negligenciar a educação sexual nas escolas.
Aqui como ai, esperamos que a mensagem não tarde a gerar mudança!

Na mesma página do jornal, numa outra noticia na área da saúde, lê-se que num outro estudo feito em 132 países, os brasileiros são os mais optimistas face ao futuro dos próximos 5 anos, embora menos bem classificados no optimismo face ao presente ( de Portugal não se fala).















Aqui S. Paulo visto do edificio Italia, imponente e idêntico a toda a volta, a partir deste 44 andar.















Na zona da Sé muitos sem abrigo, nesta zona central mas despovoada da cidade.














Pinacoteca de São Paulo : alunos das escolas a desenhar pelo chão!

Os museus não são só para ver, são também para viver e para voltar.

Além disso pagamos dois reais, menos de um euro!

Mais publicações da equipa:

Revista de Saúde Pública

Saiu mais uma publicação nossa na Revista de Saúde Publica 42 (4), aqui do Brasil:

Percepções de professores portugueses sobre educação sexual/ Perceptions of Portuguese teachers about sex education

Lúcia Ramiro;
Margarida Gaspar de Matos

Que está acessível nas bases SciELO Brasil e SciELO Saúde Pública.
http://www.sielo.br/
http://www.scielosp.br/

OBJECTIVE: To assess perceptions and attitudes regarding sex education among middle and high school teachers in Portugal.
METHODS: A study comprising 371 middle and high school teachers, both female and male, was conducted in Portugal in February and March 2006. Data was collected through snowball technique. The questionnaire was made up of two parts: the first collected data on demographics, career, religious background and training and experience in sex education; the second part presented three measures related to sex education, one assessed attitudes, another importance given to sex education, and the third the grade at which respondents believed sex education topics should be taught. The analysis of differences between gender, trained and untrained teachers in sex education, and experienced and non-experienced teachers in teaching sex education was carried out using ANOVA.
RESULTS: Overall, teachers showed a fairly straightforward attitude towards sex education and assessed it as moderately/highly important. Body image was found to be the only topic that should be introduced in the 5th and 6th grades. Female teachers [F(1;366)=7.772;p=.006], trained teachers [F(1;351)=8.030; p=.005] and experienced teachers in teaching sex education [F(1;356)=30.836;p=.000] showed a more positive attitude towards sex education (M=39.5; 40.4; 41.3; respectively). Only trained teachers assessed its teaching as highly important [F(1;351)=5.436;p=.020]; and female teachers believed it should be introduced earlier [F(1;370)=5.412;p=0.021].
CONCLUSIONS: In general, teachers favor sex education in school. The fact that most topics of sex education are only taught in the 5th-6th or 7th-9th grades may have serious consequences since sex education has to be introduced before students engage in sexual behaviors.
Keywords : Sex Education [manpower]; Teaching; Curriculum; Health Knowledge [Attitudes]; Health Knowledge [Practice].

Lúcia: Parabéns!

La Presse Medicale, Elsevier
Outro nosso artigo submetido a La Presse Medicale, Elsevier, foi também aceite.

Effet de l'activité physique sur l'anxiété et la dépression Effect of Physical Activity on anxiety and depression

Margarida Gaspar De Matos,
Luis Calmeiro,
David Da Fonseca, France

Les avantages de la pratique de l’activité physique sont maintenant reconnus tant du point de vue physiologique que du point de vue psychologique.
Il y a des études qui démontrent que l’activité physique est associée à une importante réduction des états dépressifs et anxieux, dans la populations générale comme dans des sous-groupes ayant un diagnostique psychiatrique d’anxiété ou de dépression.
Ces bénéfices de l’exercice physique peuvent s’expliquer par des processus physiologiques, biochimiques et psychologiques.
L’activité physique peut être considérée comme une aide thérapeutique aux approches psychothérapeutiques et pharmacologiques de la dépression et de l’anxiété.
Elle semble donc constituer un type de traitement non spécifique avec un réel potentiel psychothérapeutique qui a été jusqu’ici négligé.
Mots–clé: Activité Physique, Dépression, Anxiété, Santé Mentale

Luis e David : Parabéns !

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Do Rio a S. Paulo II












Viagem tranquila para S Paulo de autocarro (onibus).
Das localidades pelo caminho, registam-se os pormenores mais salientes: uma estrada lindíssima à beira-mar, uma estrada de montanha às curvas e contra-curvas (mas desta vez o condutor era sereno!), a multiplicidade de cartazes publicitando candidatos para as próximas eleições, e a tipologia dos serviços mais populares em cada localidade (cafés, drogarias e "Assembleias de Deus").
Da religiosidade da população falarei um dia, se me der a coragem, porque é sem dúvida um assunto fracturante, mas de importância nacional.

Das próximas eleições aqui vai mais um descritivo:
Afinal no acto eleitoral, quando se marcam aqueles números atribuídos a cada um dos candidatos, aparece a foto do candidato(a) e requer uma confirmação.

Na campanha eleitoral na televisão, faz-se um apelo sensato mas insólito “Não venda o seu voto, só assim pode impedir a eleição de maus políticos”.

As eleições por aqui, como por todo o lado, dão muitas notícias: O Globo anda a desenvolver a notícia da prisão de uma candidata por suspeição de vários ilícitos relacionados com o processo eleitoral.
Na leitura do jornal damos conta que alguns candidatos líderes de milícias, estão a ser investigados por suspeitas criminais, arrastando com eles forças policiais também envolvidas.
Muitas das suspeitas têm justamente a ver com processos vários de “compra” de votos. A televisão passa uns spots apelando para a resistência à extorsão.
As milícias apareceram como organizações locais de auto-defesa, num movimento de organização das favelas contra a liderança dos “narcos”.
Pelos vistos acabaram em muitos casos por se tornar organizações paralelas, que protegem a população mas a troco de pagamento, que robustecem, e cujos líderes pelos vistos também se candidatam às eleições.

Durante a campanha eleitoral, aparentemente há patrões que garantem despedimentos, outros garantem que molestam, outros optam por outra estratégia e prometem benefícios na terra ou nos céus….

Alguns obrigam a uma foto de telemóvel do acto eleitoral para confirmar o sentido do voto (o que é proibido), outros ameaçam que verão em quem cada um votou através de uma gravação local.
Os meios de comunicação social desdobram-se em afirmações que tudo isto é impossível. Mas a população tem medo!

Para dar uma nota construtiva um vereador de um município na zona do Rio de Janeiro, implementou, para promover a cidadania, a Câmara Mirim. Os alunos das escolas do município candidatam-se com autorização dos pais e são eleitos Vereadores Mirins do município, nos variados pelouros, pelos seus pares. A experiência iniciou-se com um mandato de um mês, mas espera-se que em breve venha a estender-se a um ano .

Que tal levar os nossos alunos a inteirar-se, interessar-se, estudar e ter uma voz, em relação aos vários problemas, de áreas diversas, dos vários Municípios, em Portgal?


Pormenor curioso para a chegada a S.Paulo ( já tinha acontecido no Rio) : há por todo o Brasil um sistema bem cómodo e seguro para os turistas e também para os locais: o táxi pré-pago.

Chegados a um aeroporto ou uma estação rodoviária, o viajante que não conhece a cidade não tem que se preocupar em fugir de um taxista desonesto ou incompetente. Há cabines ou quiosques de venda do serviço de táxi a preço fixo de acordo com o destino. Este serviço é cómodo e descansativo: o táxi não nos leva a fazer passeios imensos com o simples fito de uma corrida mais longa.
Porque será que não existe em Portugal?
Não estarão os Governos ou as Câmaras Municipais interessados em facilitar este serviço? Porquê?

domingo, 31 de agosto de 2008

Do Rio a S.Paulo

Angra dos Reis com sol















Angra dos Reis com forte chuva













A Casa do Bicho Preguiça






Um posto de trabalho que convida a ficar !












Para fim-de-semana escolhemos Angra dos Reis, desde logo avisados que “ era bonito, até quando chove”, e que chove muito…

Falemos primeiro do “transfer” que adjudicámos a uma agência turística, um condutor particular, de profissão condutor de ambulância, que na sua folga fez este serviço, para almofadar o parco orçamento mensal (aqui o ordenado mínimo é cerca de $400 reais (menos de 200 euros).

Não vou fazer a descrição desta viagem, deixando ao sabor da imaginação as emoções fortes possíveis num automóvel velhote, conduzido por um condutor de ambulância, exímio na técnica que os franceses celebrizaram com a expressão “queue de poisson”!...

Estes dois dias em Angra foram providenciais.
A Casa do Bicho Preguiça (Casa do Bicho Preguiça) pertence a um casal com 3 filhos.
Quando os filhos cresceram e saíram de casa, eles resolveram transformar o local numa pousada. Têm agora, nas suas próprias palavras, um desafio novo.
O local é um repouso para os olhos e um remédio para o stress residual.
Um serviço atento e familiar, onde nada falta mas, no entanto, nos deixam a ilusão de que estamos sós.
Bom para descansar...bom para trabalhar!

Do Rio ao Rio VIII













Numa folha qualquer,
eu desenho um navio de partida (…);
de uma América a outra,
eu consigo passar num segundo;
giro um simples compasso,
e num circulo faço o mundo.

Toquinho e Vinicius
(na parede do restaurante)


Contrariamente ao que aconteceria ainda não há 20 anos, todos os dias temos notícias de casa, via correio electrónico, SMS, telefone, SKYPE.
Todos os dias encontramos um ambiente de rede sem fios para enviar mais um texto a dar notícias.
Mesmo hoje ouvi em directo o Miguel a palrar, quando se dirigia para a sua festinha de aniversário, com quatro horas e todos estes milhares de quilómetros de mar de distância.

O tempo e a distância já não são o que eram, para o melhor e para o pior.
O exótico e a diferença ou a rotina; o convívio ou o isolamento, terão que ser reinventados. Esperemos apenas que o sejam numa boa direcção.

Hoje estive um bom tempo a falar com o Iago, um adolescente de 14 anos, filho de mãe brasileira e pai alemão, a viver em Munique e de visita ao Brasil.
O Iago nasceu na Alemanha e é nas suas próprias palavras, “um alemão, de coração brasileiro”.

Fiquei a ouvi-lo falar, em (bom) português, dos seus amigos em Munique: uns turcos, uns brasileiros, uns italianos, uns ingleses, uns franceses, outros alemães.

Comentava o Iago que alguns colegas às vezes eram arrogantes para os que consideravam estrangeiros.

Rematou em tom filosófico, do cimo dos seus 14 anos:

Ser arrogante, faz ficar com o coração frio, ou você muda, ou você vai congelar mesmo!

Do Rio ao Rio VII
















O Miguel faz hoje anos !

Temos pena de não estar convosco, nos festejos deste primeiro ano.

Fica esta foto, tirada no mês passado, na festinha antecipada dos seus 11 meses.

Vamos festejar por aqui!

sábado, 30 de agosto de 2008

Do Rio ao Rio VI





















A encher de brios os nossos olhos lusos, deparámos com um jornal carinhosamente aberto, na mesa do “café da manhã”, acompanhado do olhar sorridente do nosso hospedeiro:
“Guardei pra vocês”.

O jornal O Globo está a fazer um concurso “ Cidades reinventadas” e hoje era justamente Lisboa “a fénix” renascida.

O argumento era triplo: a reinvenção do Chiado após o incêndio de 1988, em obra do Siza Vieira, a reinvenção da zona degradada de Cabo Ruivo após a Expo 98, e a reinvenção da zona ribeirinha Stª Apolónia -Algés, antes atulhada de contentores do Porto de Lisboa.

Já tínhamos reparado algumas coisas em Lisboa estão cada vez mais bonitas.
(Outras nem tanto, mas não somos nós que vamos contar…)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Do Rio ao Rio V














O Alex (o designer responsável pelo logo do Aventura Social), faz hoje anos e encontrámos esta foto muito original e inesperada para registar o evento.

Já que estamos no Brasil, gostaríamos de “o parabenizar” ou, para sermos ainda mais exactos, de “parabenizar ele”!

Esta vivacidade linguística tem outras variações. A mais curiosa para os nossos ouvidos lusos, foi mesmo “dedetizar” (de DDT).
Numa carrinha comercial, em letras pintadas na chapa da viatura, prometia-se “ Dedetização total”.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Do Rio ao Rio IV



RIO DE JANEIRO, 19/9/2008
LOCAL: Instituto de Psicologia da Universidade do Rio de Janeiro IP/UERJ

Temas:
Integração das psicoterapias cognitivas
Neurociência
Transtornos de personalidade
Terapia sexual
Transtornos alimentares
Transtornos do humor
Terapia na infância e adolescência
Dependência química
Habilidades sociais
Psicologia da saúde

Atividade prática: Supervisão ao vivo de casos clínicos

Para inscrição e mais informações consulte:
ATC-RIO

Realização:
Instituto de Psicologia da Universidade do Rio de Janeiro IP/UERJ
Apoio:
Sociedade Brasileira de Terapias Cognitivas e Casa do Psicólogo
--------------------------------------------------------------
A Eliane Falcone, psicóloga e professora na UERJ, é a promotora deste evento.
Parabéns por mais uma edição desta Mostra de Terapia Cognitivo Comportamental, esta é já a sexta !
Este ano não vamos poder estar presentes, mas já estivemos em anos anteriores e esperamos voltar.
Parabéns também por mais um número da Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, revista indexada e com peer review, onde enviamos regularmente os nossos trabalhos.
Este é já o vol. 3 (2). A Revista disponibiliza os artigos em:

Sociedade Brasileira de Terapias Cognitivas
Revista Brasileira de Terapias Cognitivas


Neste número temos publicado um artigo:

Práticas parentais educativas, fobia social e rendimento académico em adolescentes.
Inês Camacho
Margarida Gaspar de Matos

Abstract:
Parental educational practices and their implications on variables such as social phobia and academic performance are becoming increasingly interesting to researchers working in the Psychology field, due to the fact that these variables may influence the academic and social lives of children and adolescents. The aim of this research is to study the relationship between parental educational practices, social phobia and academic performance in adolescents. The study was conducted with 285 individuals (146 female and 139 male) of the 7th and 8th grades between the ages of twelve and fourteen. We used: demographic data questionnaire, QLP-A to evaluate parental educational practices, SPAI-C to evaluate social phobia. A questionnaire was also used to check for academic performance. It has been noted that there is a higher incidence of social phobia in individuals of the female gender. It has also been noted that teenagers whose parents give autonomy and care, show a tendency to have a better academic performance and also less probability of presenting social phobia. Teenagers whose parents give protection have a tendency to have social phobia and worse academic performance

Inês: Parabéns!

Comentários

Outra realidade-para mim estranha -a injustiça de se nascer num país onde a precariedade torna os cidadãos excluídos dum mundo de oportunidade,sujeitos a riscos nunca imaginados nos países mais "evoluídos".
Era bom a Margarida partilhar connosco essas formações sobre educação para a saúde- aqui ainda é preciso mesmo ao nível mais elementar.
Prazer enorme em saber que podem levar coisas boas onde é preciso e "inveja" de não poder viver essa experiência riquíssima,por certo.
Muita coragem por aí e sucessos cheios de emoções fortes.

Abraço
Carlos

Comentários


 

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Do Rio ao Rio III














Restaurante-bar Jobi no Leblon, um botequin de Portugueses, típicamente Carioca.
Aqui discute-se a participação do Brasil nos Jogos Olímpicos, horas depois do ouro do volley feminino.
















O Centro Cultural Luis Gonzaga, em S.Cristovão, a celebração da cultura Nordestina.
Aqui, um conjunto "aplicado" de forró, a seguir-se a uma prova de carne de sol, carne seca do Nordeste.




Conhecer o cordel - José Mapurunga. SESC – Ceará, 2005

“Este trabalho tem como objectivo fornecer algumas informações sobre literatura de cordel, para que professores do ensino secundário possam melhor nortear os seus alunos nesta classe literária tão afinada com a mentalidade nordestina”

Na festa Nordestina vendiam-se " livros de cordel", atados por um cordel fora, como manda o preceito.
Livros tipo A5, papel tipo "pardo", com umas 30 folhas cada, e várias encantadoras xilogravuras acompanhadas de histórias ou crónicas. Dois reais (menos do que um euro cada).
Trouxemos "Conhecer o cordel", de aqui deixamos a capa da " Lira Nordestina" e a " venda na rua".