segunda-feira, 6 de outubro de 2008

De La Paz a Lima























O percurso de La Paz a Lima, via Puno e Cusco, incluiu um fim de semana para visitar Machu Picchu (Machupiqcho).

Para Machu Picchu fazem-se 100 kms em 4 horas , num comboio que anda aos zigzagues para subir e descer a montanha.

Machu Picchu é um deslumbramento: a parte feita pelo homem e o contributo da natureza.

Deslumbramento também como ali chegou gente e ali se fixou.

Deslumbramento ainda, como o Império Inca foi destruido por um punhado de espanhóis.


Fizemos o percurso de Puno a Cusco, a capital do Império, num tour turístico, com alguns espanhois e um casal de americano.

Foi curioso ver a americana (EUA) perguntar ao guia peruano, (com pesar e cumplicidade) se os peruanos ainda estavam muito zangados com os espanhóis por causa da ocupação no século 16.

Foi curioso ver um catalão indignado responder que a única razão porque os indios norte-americanos não estão zangados com os invasores, é porque ou morreram todos, ou os descendentes andam meio alcoolizados meio anestesiados pelas reservas de indios, rematando que por isso achava a pergunta provocadora e idiota. De repente o tour, até ali muito calmo, polarizou-se à volta desta discussão.

Em Cusco fomos ver um espectáculo musical de guitarra, no Teatro Municipal .

Os espectáculos por aqui são às 7 horas, o que para nós já baralha a hora de jantar.

Chegámos às dez para as sete já com bilhetes. Às sete e meia ainda entrava gente, do palco nem um som, as pessoas pareciam achar normal, falavam baixo, comiam. Às oito menos dez, esfomeados saimos para jantar... não sabemos dizer se o espectaculo mereceu aquela espera, ou se não chegou a haver espectáculo...

No dia seguinte noutro espectáculo musical, este de canto lírico, fomos informados que em geral os espectáculos começam com 45 minutos de atraso, mas que depende sempre do artista, pode até ser muito mais... é devastador! desta vez aguentámos até ao intervalo antes de ir jantar.

Arriscamos uma vez mais no dia seguinte, para ver um espectáculo misto dança-acrobacia-drama-canto: o grupo KUSIKAY, a peça "Uma história andina", no Teatro Gracilaso. Desta vez só se atrasou 15 minutos, e valeu mesmo a pena.

Cusco é uma cidade bonita e viva, com um ar cosmopolita misturado com aspectos típicos Inca, a cidade está muito cuidada e em cada rua se descobre um recanto com muros incas e com casas espanholas construidas por cima, tal como as igrejas, construidas por cima de lugares de culto inca.

Vimos espectáculos de rua : desfiles de escolas com espectáculo de música, drama e dança.

Assistimos aqui a um "paro" (greve) nacional, que teve um dos seus pontos fortes em Cusco, e que incluiu uma manifestação de rua e uma parada policial algo amedrontadora, à mistura com turistas e mulheres a vender lãs e mantas. Os trabalhadores (entre os quais os docentes universitários que aliás vão iniciar dia 15 uma greve por tempo ilimitado), só foram desmobilizados por uma chuva torrencial.

Apesar dos 3600 metros de altitude, e do nosso grande amor a Lisboa, esta é uma cidade onde gostariamos de viver.

sábado, 4 de outubro de 2008

Notícias de São Carlos - Brasil


















Oi Margarida

Veja as fotos suas em nosso grupo no nosso site:

http://www.rihs.ufscar.br/index.php?option=com_content&task=view&id=95&Itemid=131

http://www.rihs.ufscar.br/index.php?option=com_content&task=view&id=101&Itemid=137

Um grande abraço

Zilda A. P. Del Prette


(Por falar de fotos, começamos também a incluir na faixa lateral fotos mais turísticas do nosso percurso em "Cobertura Fotográfica").

De La Paz a La Paz V




















O curso internacional em La Paz



Voltando ao “Enfoque psicosocial en niños, niñas y adolescentes”, mais uma breve descrição acompanhada de contactos uma vez que as páginas web são raras.

As apresentações estavam ao cuidado da Drª Cristina Soto, Presidente da Sociedade de Pediatria de El Alto.

Ouvi a Drª. Rosário Indeburri (Drª Rosário Indeburri) falar dos circuitos de detecção e denúncia de maus tratos e abuso sexual de menores e mulheres. A Rosário trabalha no Hospital Boliviano Holandês, é pediatra e tem uma especialização em Medicina Forense. Fala dos seus casos com vivacidade e uma visão abrangente de “maus tratos”.

Vi fotos de meninos de uns 7 anos a ajudar os pais nas minas, com capacete com luz e tudo.

Da audiência alguém falou de uma manifestação de crianças pelo “direito ao trabalho”, que houve em La Paz, alegando que assim ajudam as suas famílias que de outro modo não têm como viver.



Cada mãe “paceña” tem em média 8 filhos, a média Boliviana é de 4 filhos por mulher, e começam cedo, no início da adolescência. As questões discutidas foram as infâncias perdidas, para a aprendizagem e para a brincadeira, nas crianças que cedo ficam adultas e responsáveis por trabalho.
Como formas de abuso e maus tratos referiu-se a Drª Rosário à atitude da Aerosur (a mesma companhia que nos deixou plantados em Cochabamba 7 horas e já mereceu lugar nos nossos “tesourinhos deprimentes”).

Um menino recém-nascido precisava de uma intervenção cirúrgica em Cochabamba e a Drª Rosário tratou das passagens e da marcação da operação. Na véspera recebeu um telefonema da Companhia Aerosur dizendo que não transportava o bebé porque tinha 6 dias e não transportavam crianças com menos de 10 dias e, à resposta que a criança morreria sem a operação, alegaram que “ainda por cima um bebé doente”. A criança acabou por ser transportada de táxi aéreo e ficou bem, mas os direitos da criança à vida foram impunemente desrespeitados.
Referiu também questões culturais, uma das arrepiantes é a estigmatização dos gémeos (um dos quais é literalmente abandonado até morrer).

A Drª Inge Von Alvensleben ( Drª Inge Von Alvensleben ) é alemã, também pediatra e também se referiu aos maus tratos e abuso sexual, de menores e mulheres. Trabalha numa cadeia de homens e noutra cadeia de mulheres. As cadeias na Bolívia são “como cidades”, os familiares próximos (companheiros, esposos ou filhos) do(a) detido(a) vivem dentro da cadeia, cozinham, há escola, creche e mesmo pediatra.

Ouvi a Drª Gina Bejarano,( Drª Gina Bejarano) também pediatra que falou sobre a família e o seu efeito protector. A Drª Gina trabalha com adolescentes e tem uma página web “Jeans y Pantalones” feito para adolescentes com apoio de adolescentes.

Ouvi Drª Marlene Bérrios ( Drª Marlene Bérrios ), gestora de projectos, que falou de dois projectos com adolescentes, um o Lanzarte, onde os jovens desenvolvem actividades como teatro, música, vídeo ( videostorytelling como fazemos na nossa equipa , “livros animados”, fotografia, dança, na localidade de Huanuni, em plena zona mineira. Ofereceram-me diversos materiais multimedia possivel graças à AOS.

O outro um projecto consiste em concursos para jovens com ideias para ajudar o seu município a construir e reforçar a democracia. Os melhores projectos são apoiados e desenvolvidos. Ambos os projectos têm o apoio da AOS (Aliança Suiça Obreira).

Por fim ouvi a Drª Ingrid Rocabado Michel ( Drª Ingrid Rocabado), especialista em Saúde Pública que faz estudos epidemiológicos com adolescentes.

A Presidente do Comité da Adolescência da Sociedade Paceña de Pediatria é a Drª Cecília Uribe ( Drª Cecília Uribe), pediatra, uma das organizadoras do Curso Internacional e a minha principal interlocutora. Tive ainda o privilégio de conhecer a Drª Ruth Guillén de Maldonado, que há anos foi a primeira a falar de cuidados integrados no atendimento a adolescentes e a fundadora do Comité da Adolescência, que presidiu até recentemente.

Com a Drª Cecília Uribe visitei o serviço de Pediatria e de Obstetrícia do Hospital Boliviano Holandês, construído com o apoio da Cooperação Holandesa e o Serviço de Pediatria do Hospital Andino, ambos em El Alto, cidade (ainda) mais alta que La Paz, nos arredores, a 30 km de distância e mais 500 m de altitude.
No Hospital Andino há um serviço para adolescentes, da responsabilidade da Drª Cecília, que um dia por semana, ainda dinamiza uma reunião de mães, dos 10 aos 16 anos.

Em breve esta dinâmica será ampliada com a ajuda da cooperação Belga e a expectativa é que haja um serviço apenas para adolescentes.
A saúde na Bolívia é gratuita para crianças até aos 5 anos, mulheres em idade fértil com especial atendimento a grávidas.

Muito levo daqui do que pode ser feito com dedicação e empenho mas com tanta falta de condições. É incrivel pensar que as colegas do Comité da Adolescência se cotizam mensalmente, do seu dinheiro pessoal, para ter dinheiro para os seus projectos e acções. É ainda incrível como se organizam para, com um salário de 400 dolares, conseguir apresentar-se em congressos internacionais.
Não é mesmo falta de trabalhos de qualidade a merecer ser divulgados, é mesmo a falta de apoios para conseguir divulgá-los.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

De La Paz a la Paz IV






A Questão Boliviana

A política Boliviana está confusa, como provavelmente em todos os países. Aqui a questão é mesmo dicotómica: há os apoiantes de Evo Morales e os seus opositores.

Do lado dos apoiantes ouve-se que Evo é um defensor das classes pobres, um homem que prometeu acabar com a corrupção e com o favoritismo, um homem eleito pelos pobres das zonas altas e muito povoadas das montanhas a ocidente, que quer providenciar aos mais desprotegidos: crianças, pessoas portadoras de deficiência e idosos, os recursos económicos, a educação e a saúde a que têm direito. Para isso os impostos nacionais seriam re-distribuidos.
Para os apoiantes de Evo os governadores da “meia lua” são corruptos que se servem de dinheiros públicos para aumentar o seu património pessoal, com apoio dos Estados Unidos. Grandes painéis de apoio abundam por toda Cochabamba e La Paz, na televisão passam vários documentários elogiosos de Evo e denunciando as vidas presentes e passadas alegadamente corruptas dos seus opositores. Os seus opositores são ainda acusados de assassinar pessoas inocentes e causar instabilidade.

Do lado dos seus opositores ouve-se que Evo “veio para ficar” e que quer afastar todos os que se lhe opõem, com o apoio do seu amigo Hugo Chavez.
Fala-se em referendos que só são promulgados quando os resultados validam a posição de Evo.
Fala-se de prisões sem julgamento de vários elementos da oposição. Fala-se dos “ponchos rojos”, alegadamente o braço armado oficioso do Governo, que vimos às dezenas, 24 horas por dia a fazer uma vigília à porta do local onde está detido o Governador de Pando, para impedir a sua libertação.
Esta oposição fala que os documentários que passam na televisão são “publicidade paga”, e que as manifestações de apoio a Evo são organizadas pelos sindicatos numa base de obrigatoriedade: cada família tem de enviar pelo menos um elemento às manifestações de apoio a Evo, consideradas um dever cívico. Tanto na presença às manifestações como na presença às votações há uma multa pesada para quem não compareça.

Visto de fora fica confuso. Do grupo de parlamentares que esteve em La Paz para averiguações, não se ouviu falar em lado nenhum.

La Paz

La Paz é uma cidade nas bordas da montanha, a dar para uma rua principal, esta parte é o Centro, depois há a zona sul, mais moderna, mais rica e mais incaracterística e, nas redondezas, a cidade de El Alto. Adorámos La Paz e os paceños que conhecemos.

Pormenores turísticos-culturais:
As zebritas, paceños vestidos de zebra que ajudam as pessoas a atravessar as ruas, ajudam a controlar o trânsito, sensibilizam para a limpeza das ruas.
As cholas, com o fato típico das paceñas, com o seu borsalino (chapéu tipo de coco) e as suas saias com várias camadas fazendo umas formas consideráveis. Para o paceño típico gordura ainda é formosura, e os paceños gostam de comer, mas por qualquer efeito desconhecido são na sua maioria magros.

Muitas igrejas, de várias origens, mas mesmo a católica, quiçá tentando aligeirar, leva palmas no final da missa.

A nós turistas, que subimos de 2500 metros para 3600 metros encontrando uma cidade que não têm uma rua sem declive, os conselhos bem humurados são “andar devagarito, comer poquito, dormir solito”.

De La Paz a la Paz III



Jovens voluntários do Centro de Saúde Alto de Miraflores



Falarei durante os próximos dias do Curso Internacional "Enfoque Psicosocial de niños, niñas y adolescentes", organizado pelo Colégio Médico Regional de El Alto, Sociedade de Pediatria em El Alto, Comité de Adolescência de la Sociedad Pacena de Pediatria.

Foi uma troca de experiências de grande qualidade, a provar uma vez mais que muito se faz em lingua "não inglesa", mas que fica desconhecido do mundo em virtude deste acordo tácito na comunidade científica que usa preferencialmente aquele idioma.

Fiz três conferências, uma sobre adolescentes e consumos, outra sobre adolescentes e violência e outra sobre qualidade de vida em crianças. Fiz ainda um workshop sobre estratégias para trabalho com adolescentes com comportamentos de risco, nomeadamente violência, sexualidade de risco e consumo de substâncias.

Mas o que eu começaria por falar hoje era a apresentação da Dr. Roxana Moliendo (roximolli@hotmail.com) e ponho aqui os contactos porque infelizmente na Bolívia, os projectos ainda não têm paginas web para consulta.
Ela é odontologista e fundou há uns anos, com ajuda da Save the Children, um Centro de Jovens onde forma voluntários para trabalho entre pares. Há neste Centro (Centro de Saúde Alto Miraflores) também uma psicóloga, uma nutricionista e uma assistente social. Os jovens aderem a projectos de participação comunitária "jovem a jovem", na área que mais lhe interessa: saúde oral, medicina, ecologia... Há ainda um serviço específico para jovens mães e jovens casais que aprendem, por exemplo, a tratar da saúde oral do seu bebé.

Os jovens voluntários (são já 130), na sua área de formação, fazem materiais de apoio, apoiam os profissionais nos serviços de saúde integrados fornecidos pelo Centro, incentivam as mães ao cumprimento do plano de vacinação com os seus filhos e fazem aconselhamento, por exemplo, na área dos piercings e tatuagens, para evitar más escolhas.

A Dr Roxana Moliendo deixou-me estas fotos, tenho pena de que, por um engano nosso, na gravação das fotos, se tenha perdido uma foto deliciosa do seu consultório com o equipamento cheio de auto-colantes que os adolescentes vão deixando, após o tratamento.




Locais e locais onde se fazem piercings e tatuagens baratas...
podem ir até 3 pesos bolivianos (30 centimos!), mas o resultado está à vista.






Mamã na saúde oral do seu bebé



Piercings: alerta para os problemas de saúde associados a uma má escolha do "piercer" e do local do piercing

Materiais para ajuda às formações
Dando formação aos colegas
Preparando materiais
Jovens mães que vêm ao Centro

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

De La Paz a La Paz II













De La Paz a La Paz



















Em dias de conflito a dividir o país, aqui um apelo a Francisco Tito Youpanqui, que alegadamente na história da Bolívia já logrou uma unificação, para que o faça de novo, entre o oriente e o ocidente.
Em La Paz há uma rua inteira com lamas bebés secos, ou mesmo fetos de lama ressequidos pendurados nas lojas para venda, para oferenda para "protecção".
Um arrepio pensar como estes exemplares são obtidos.
Mulheres com trajes tradicionais e tradicional transporte de bebés que, ao que ouvi dizer, dá uma tremenda dor de costas às mães que não têm este "gene" cultural.
La Paz pela colina acima. De dia deslumbrante, à noite...também! Uma cidade única!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

De Cochabamba a La Paz

Sete horas de espera no aeroporto de Cochabamba. A companhia Aerosur, resolveu fazer manutenção dos seus 2 aviões no mesmo dia e, para ficar mais em conta, levar os passageiros todos juntos pela noitinha, e sem bagagem para o avião conseguir aterrar lá no alto.


Estamos em La Paz.
Visão fantástica: estamos no fundo de uma concha e a toda a volta se erguem montanhas.
Aqui no fundo da concha tem prédios altos, bonitos alguns, ruas cheias de movimento. Ao longe todas as montanhas estão cheias de construções de que não enchergamos os pormenores.
Desde o aeroporto até aqui, foi sempre a descer. Alguns 30 a 40 quilómetros. Lá, à volta do aeroporto, há a outra cidade: o El Alto. Que de resto também é o nome do aeroporto.

Para o " mal das alturas" dão chá de coca. Um logo à chegada, outro aos pequenos almoços. Diz a embalagem (saquinho de chá para pôr em água quente) que é bom para a digestão e que dá melhor oxigenação ao sangue, combatendo o mal das alturas. O alcaloíde está ausente contrariamente ao que se pensa e aqui é bebida dada, inclusivé a crianças, grávidas e idosos.

A vinda de Cochabamba foi a segunda aventura com os transportes. O avião, marcado para as duas da tarde, atrasou e atrasou...e atrasou....7 horas.
Partiu às 11 da noite para uma viagem que durava meia hora.
Nessa altura não trouxe as bagagens. Ainda estamos à sua espera. O avião trouxe os passageiros de dois voos e por isso não podia trazer as bagagens.
A aterragem em La Paz tem que ser feita com carga reduzida devido à altitude.

Deste modo, nós, que estavamos preparados para uma entrada em La Paz com os 15 graus do meio da tarde, aterramos no vigor de uns magnificos 3 grauzitos, com uma camisolita fina para cada um. Mas dada a secura do ar, até nem se sentia muito frio.

De manhã, fui trabalhar com a roupita que ontem trazia. E era a conferencista de abertura do congresso que aqui começa hoje.
Como a viagem de avião era de meia hora despachamos a bagagem toda. Por sorte tinha a "pen" no bolso.


sábado, 27 de setembro de 2008

De Cochabamba a Cochabamba







Voo calmo para S Cruz de la Sierra. A única nota estranha foi a quantidade de elementos de militares e forças policiais no aeroporto, natural se recordarmos que o aeroporto de S.Cruz esteve ocupado pelos opositores de Evo Morales até há dias.

Cochabamba fica a 2600 metros, num planalto no meio das cordilheiras. É uma cidade cheia de gente na rua, com uma praça tipo das Espanholas, Praça 14 de Setembro, com arcadas à volta, vendedores e passeantes.
Aqui há pequenos comícios pela parte central, com pessoas (lideres comunitários) que animam o debate sobre a situação política no País.
No centro da praça um painel para “Notícias” com textos policopiados em bom estilo do nosso 25 Abril “operários e camponeses unidos …”. Para além das queixas em relação aos governadores da "meia lua" (a parte Oriental da Bolivia), juntam-se as queixas sobre a actuação da administração Bush face à Bolívia.
Anuncia-se uma evento de música de intervenção com letras e música de Victor Jara, Pablo Milanez...
Pedem-se voluntários nacionais e internacionais para trabalhos de alfabetização, cuidados de saúde, animação cultural, desenvolvimento agricola e ecoturismo...
Numa esquina da Praça 14 de Setembro, no Salón Gildaro Antezana uma exposição com quadros do pintor Fredy Escobar Vega. Gostámos do estilo, muito especial, retratos a óleo e acrílico sobre tela, mas à maneira de desenho, com riscos coloridos, sobrepostos, a finalizar. Reproduzimos aqui um deles, o retrato de Evo Morales com Fidel de Castro. Fica também o endereço email do autor (ferediescobar@gmail.com).
Falámos com o artista, um cidadão Boliviano, culto e implicado politicamente. Tem uma colecção de retratos de Evo, que ele admira e adora retratar.

A vida tem aqui um custo quase impensável, o que remete para muitas reflexões.
Digamos que os preços têm o mesmo valor que em Portugal mas o Bolivano vale 1/10 do euro.
Esta diferença é de compreensão óbvia para produtos locais, mas já custa entender como é que esta diferença também acontece para alguns produtos de marcas internacionais. Temos viajado para todo o mundo mas nunca tinhamos visto uma diferença tão grande no custo de vida.
No entanto, se muitas pessoas aqui são pobres, não parece que haja tanta miséria nas ruas como vimos por exemplo em Asunción (e noutras metrópoles pelo mundo).
Há ainda uma grande preocupação pela Saúde e pela Educação.
Veja-se a propósito da prevenção da maternidade não desejada: educação sexual nas escolas, planeamento familiar nos centros de saúde, nos centros da juventude e nos centros comunitários.
(Quem me dá notícias actuais de Portugal? as coisas estão a correr conforme previsto?)
Falámos com um vendedor de DVDs bolivianos que, para nos ajudar a decidir quais comprar, nos contou a história dos filmes, comentou a relevância do enredo, com uma profundidade verdadeiramente insuspeitada para um jovem vendedor na rua. Foi um espanto parecido com o que tivemos há anos em Cuba, esta a sabedoria do cidadão comum em assuntos relacionados com a cultura.

Quanto à situação política, soubemos por um jornal local que uma delegação de 20 Parlamentares da EU chega a La Paz, tal como nós, amanhã, para investigar o massacre de Pando e o conflito dos governadores da "meia lua" face ao Governo.

Sempre chegaremos a La Paz a tempo do congresso! Pela ligeira dor de cabeça de hoje (2600 metros), é dificil imaginar o estado em que vamos chegar a La Paz, a 4000 metros...

De Asunción a Cochabamba


Chegada a
Cochabamba
de avião



A equipa feminina Paraguaia de futebol de salão viajou connosco até S. Cruz, em transito para Madrid... com uma grande claque à despedida no aeroporto. No chão o tal recipiente para teréré que muitos Paraguayos carregam para ir bebendo.








Bus em Asunción (os de Cochabamba são parecidos), cor e criatividade, e apenas anunciam o seu destino.

De Asunción a Asunción V

Objectivos do Milénio para o Desenvolvimento

Dia 25 de Setembro os lideres da política mundial reuniram-se na sede da ONU em Nova Iorque, para avaliar a evolução dos Objectivos do Milénio para o Desenvolvimento (OMD).
A próxima meta, 2015, deverá trazer consigo a redução para metade da pobreza a nível mundial, acabar com a fome em Africa, o controlo da malária e VIH/SIDA, a educação universal, a melhoria da saúde materno-infantil (…). Fica aqui um incentivo forte e um dos desafios de Fernando Lugo.


De Asunción a Asunción IV





















sexta-feira, 26 de setembro de 2008

De Asunción a Asunción III

A Catarina faz hoje anos.
Vamos fazer uma festa!
Parabéns!

De Asunción a Asunción II





Com a Bettina Cuevas na Universidade Americana












Com o Osvaldo Olivera e Eduardo Cáceres na Universidade Católica












Uma das 35 Tapas ( ABC Color) que marcarón época - a morte de "el Che".


















Outra das 35 Tapas ( do ABC Color) que marcarón época- a morte de Erico














Surpresas em Asunción

A viagem Campo Grande-Asunción foi um pavor!!
Uma agência terrível (a Nacional Expresso) a querer deixar-nos na fronteira e a deixar-nos 3 horas à espera de uma partida confusa (isto tudo às 5h da manhã), depois... 15 horas sem comer…um desconforto a evitar!

O Paraguai ficou no nosso caminho incidentalmente, 3 dias não previstos, sem expectativas.
Uma boa altura para adiantar a escrita do livro e preparar as apresentações para a Bolívia.
Para ler uns artigos e dar uma olhada nos “resumões” que comprei no Brasil.
Os “resumões” são uma espécie de “sebentas”, versão moderna plastificada. Comprei os de verbos e gramática espanhola (veremos se são úteis, mais o CD Spanish in 30 days que me deu a Catarina nos meus anos). Por graça comprei também o “resumão” de Psicopatologia e fiquei a pensar no jeitão que aquilo daria aos alunos “do 10”… (nem pensar!)

O Paraguai foi um país próspero no inicio do sec XIX que tem tido várias vicissitudes históricas pouco conhecidas pelo geral dos Portugueses, duas ditaduras e entre estas, duas guerras devastadoras. A populaçao tem origem guarani e falam em geral as duas linguas: espanhol e guarani, uma língua muito tónica, que os imigrantes chineses aprendem com facilidade.
Este ano o País põe expectativas no recém eleito Fernando Lugo, Bispo, socialista. Apenas tomou posse este 20 Agosto e ainda não há frutos!
Das duas ditaduras fica o fecho histórico da população ao exterior (também aconteceu em Portugal).
Das duas guerras fica algum ressentimento em relação aos vizinhos Argentina, Uruguai, Brasil e mais recentemente Bolívia, e uma razia na populaçao sobretudo jovens e homens. A longínqua independência face à Espanha foi pacífica e laços de amizade perduram.

Ontem visitamos a parte antiga, que surpreende pela favela ( vila miséria ), mesmo no centro da cidade, entre o centro e o rio, ao lado de um museu (Cabildo), do Palácio do Congresso (“é o estilo latino-americano, os ricos e os pobres partilham o mesmo espaço, embora sejam dois mundos”). Os indios locais vendem por ali artesanao a preços dificeis de calcular. O Guarani, a moeda local conta-se aos milhares.

Tivemos uma sucessão de felizes ocorrências.
Está a decorrer a semana internacional de teatro, em homenagem a Tito Jara Roman, organizada pelo CEPATE (Centro Paraguayo de Teatro). Vimos o KYRE’Y, um misto de artes circenses, música popular, mímica, comédia… foi uma delícia a interacção com o público.
Está também a decorrer o 17º Festival internacional CINE, embora não tivéssemos conseguido assistir, vimos a quantidade de cinema e teatro experimental que por cá se faz (Brasil, Bolívia, Argentina, Colômbia, México, Paraguay).

Outra sorte foi ter comprado ontem numa livraria uma brochura de uma colega local sobre projectos educativos. Vinha com um email para onde eu escrevi e então, hoje, tivemos o Dr Osvaldo Olivera (Osvaldo Olivera), designer da Universidade Americana, e editor do tal livro sobre projectos educativos, que nos levou em visita à Universidade Americana ( Universidade Americana) e à Universidade Católica ( Universidade Católica).

Na Universidade Americana falámos com o Sr. Reitor Prof Andrès Benko e com a Directora do Departamento de Psicologia Prof Bettina Cuevas. Para além da graduação em Psicologia têm cá dois cursos de Pòs-Graduação, um em Princípios e Técnicas Cognitivo-Condutales e outro em Logoterapia y Analisis Existencial. O Departamento de Psicologia pertence à Faculdade de Ciências de la Salud, junto com a Enfermagem, a Psicopedagogia, a Intervenção Materno-Infantil, a fisioterapia (com especialidade em Fisioterapia Desportiva) e a Nutrição.
Conheci uma nova publicação espanhola Psicopatologia Y Salud Mental (Psicopatologia y Salud Mental) e a revista mensal da própria Universidade “American News”

O Dr Osvaldo Olivera trabalha na Faculdade de Comunicacion, Artes y Ciências de la Tecnologia e trouxe-nos um projecto de design, por ocasião dos 40 anos de um jornal nacional (ABC color, o primeiro jornal a cores, há 40 anos), umas pranchas com as 35 primeiras páginas desse jornal que referem acontecimentos que mudaram a história (35 tapas que marcaron epoca). Belíssimas as pranchas e aqui fica, com autorização respectiva uma cópia da manchete onde anunciara, em 1967 a morte de Che Guevara, e outra em memória a um idolo esportivo local- Erico.

Na Universidade Católica falámos com o Prof Eduardo Cáceres. De salientar que esta Universidade fornece um diploma doutoral em "Intervenção Psicossocial com populações em risco" … Riscos por aqui: pobreza, iliteracia, consumo de substâncias.

Entramos mais dentro da história e Cultura do Paraguai com o Osvaldo e a mulher Marian.
Foi muito interessante ouvir falar de outras formas de intervenção comunitária a partir de outras áreas do conhecimento, o Osvaldo (que aliás fala um português óptimo), tem projectos de design comunitário com os alunos da Universidade – ajudar a população a “ler” as tabuletas nas ruas, e ainda outro mais antigo de estudar os pictogramas das populações indígenas do Rio Paraguay, a Marian, bailarina e professora de dança clássica tem também um grupo de danças tradicionais Paraguaias.


Gastronomia –
Parrillada, Surubi ( peixe), Chipa ( pão com queijo), Choclo fresco (milho), Sopa Paraguaia (bolo de farinha de milho com queijo), Pie de lemon, Teréré ( Chá frio de mate equivalente ao Chimarrão brasileiro, mas frio).

E estamos a sair para a Bolivia... todos os jornais anunciaram que há tréguas até 16 de Outubro.