domingo, 12 de outubro de 2008

De Lima a Chiclayo


















Aqui como em Portugal, a importância do debate sobre os comprotamentos sexuais de risco em adolescentes e estratégias de protecção e promoção da saúde sexual.
















Brigadas de Emergência Psicológica , envolvimento dos alunos nas catástrofes nacionais.

















Aqui a Universidade Federico Villareal, Faculdades de Psicologia e de Engenharia de Sistemas. Cada ano de licenciatura corresponde a uma "Promoção", em que os alunos escolhem um nome de um autor relevante na Psicologia. Um painel de mármore fica afixado no átrio, com o nome dos licenciados.
Em 2008 foi a "Promoção" Albert Ellis. Aqui fica também o meu tributo ao trabalho deste investigador.
Apresentei uma conferência sobre " Percepção de qualidade de vida relacionada com a saúde em crianças e suas famílias", com os resultados do estudo Kidcreen.



































Na Universidade Mayor de San Marcos reuni com alunos de Mestrado de Psicologia Clínica e da Saúde.
Em ambas as Universidades a Faculdade de Psicologia tem uma forte preocupação com a Psicometria. O Prof José Livia tem um projecto editorial, a Revista Peruana de Psicometria, onde deixamos submetidos dois trabalhos.
















Em ambas as Universidades há uma Clínica de apoio Psicológico da responsabilidade dos docentes da Faculdade de Psicologia, aberta aos estudantes tal em Portugal, mas aqui também aberta à população.
Os preços são módicos mas permitem um serviço à comunidade, uma oportunidade de aprendizagem para os alunos, uma oportunidade para a investigação e alguns fundos para os projectos em curso.

sábado, 11 de outubro de 2008

De Lima a Lima III

A Cidade de Lima
Lima está a -7 graus de latitude (quase no Equador) e esperar-se-ia um clima com uma única estação quente, húmida e chuvosa.

Nada disso. Temos frio desde que chegámos a Lima, um frio que entra pelos ossos e dá um grande desconforto todo o dia. O céu está sempre cinzento. Aqui culpam o “El niño” mas este é o clima típico de aqui devido à subida da corrente de Humbold que deixa o mar com uma temperatura de 15ºC. Há também muita poluição.
Lima espraia-se por vários quilómetros em extensão, com poucos edifícios altos a não ser nas partes mais modernas. Qualquer viagem de taxi demora hoooras…

Os colegas das várias Universidades que visitei andam todos sempre de táxi, negoceia-se o preço primeiro e paga-se no meio da viagem. Não há taxímetros. Dizem que não têm carros porque é inseguro conduzir e porque os carros nas ruas são muitas vezes roubados ou vandalizados.

O centro de Lima é uma zona considerada perigosa pelo menos à noite, nas ruas fora da praça de armas (esta muito bonita e sempre iluminada, com arcadas à volta como em Cusco).

Nós estamos em Miraflores, longe de tudo, mas uma zona moderna, pouco interessante mas segura. Estamos perto da praia, mas o frio não a torna apelativa. A nós não, aos surfistas sim… sempre por lá.


A Política no Peru

A política da América do Sul é uma instabilidade constante. À medida que entramos num país estão a acontecer coisas que só não soubemos antes porque não saem das fronteiras. Antes de ontem aqui demitiu-se todo o executivo pela voz do Primeiro Ministro, acusado de envolvimento com ex-dirigentes que lhe seriam próximos e agora são acusados de tráfico de influências, corrupção etc. em negociatas nacionais e internacionais. Ontem o Presidente da República aceitou esta demissão.


Universidades aqui e aí

Um colega confessava-me recentemente que tinha abandonado a Universidade Pública porque estava farto de lobbies políticos à volta da Ciência. Comentou que na sua antiga Universidade havia um conjunto de Professores que se se juntavam em esquemas de poder e não deixavam as coisas evoluir, e por isso tinha optado por ingressar numa Universidade Privada (no Peru consideradas em geral de maior qualidade do que as Públicas), apesar dos anos de serviço público já efectivos.

Fiquei perturbada com esta situação, mas… passada a perplexidade... bem, em Portugal não há memória pelo menos recente de actos de corrupção associados aos dirigentes de Universidades Públicas. Eu não conheço! Mas todos sabemos que nas Universidades (Portuguesas) a vida profissional de alguns docentes é mais simples do que a vida profissional de outros, e esta simplicidade tem quase sempre a ver com a proximidade do lobby no poder…

Como me dizia há meses um alto dirigente governativo nacional, há dois tipo de pessoas que se candidatam ao Poder nas Universidades: umas são as que já têm um grande historial de investigação, experiência e conhecimento e que têm um “sonho” de desenvolvimento Institucional que querem concretizar: esses são os excelentes candidatos que fazem as coisas "acontecer"; mas há infelizmente outro grupo de candidatos ao Poder: os que não têm gosto, nem na realidade grande competência para investigar e leccionar - o poder para estes docentes serve-lhes para dificultar o percurso dos outros, serve-lhes para criar esquemas de controlo, esquemas de atemorização, esquemas de favoritismo e esquemas de compadrio. Corrupção não haverá, em Portugal, mas o conceito está lá todo!

Posto isto faço meu o pesar deste colega, que com tantos anos de investigação e de estudo, tem de sair do seu posto de trabalho habitual para poder trabalhar sem “vender a alma”.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

De Lima a Lima II



















Distinção como Professora Honorária da Universidade Autónoma do Peru, em Lima.
Este evento surge na sequência da previsão do estabelecimento de um protocolo de colaboração no âmbito da investigação, publicações e mobilidade de estudantes.
Apresentei aqui uma conferência " Saúde e comportamentos de risco nos adolescentes portugueses, evolução nos últimos 8 anos"

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

De Lima a Lima



















Vizinhança da Escola e do Centro de Saúde


















Escola Básica ( 4-11 anos) na zona do Centro de Saúde Gustavo Lanatta























Centro de Saúde Gustavo Lanatta, em dia de "huelga", para uma reunião de trabalho.
O Professor José Lívia , docente Universitário, tem aqui um trabalho de orientação e supervisão do serviço de Psicologia.


Reunião com os profissionais do Centro de Saúde. O odontólogo (odontologista), não esteve presente porque estava numa campanha nacional de recuperação da saúde oral dos idosos, providenciando próteses a todos os idosos que necessitem.



















Campanha de vacinação Hepatite B com uma cobertura acima dos 95%.


Visitámos ainda o Centro de Saúde do México, para uma sessão de capacitação com "Obstetrices", profissionais com formação superior, especialistas em partos, também com intervenção na prevenção da gravidez não planeada, nomeadamente na adolescência. Trabalham nas escolas, nos Centros de Saúde e na comunidade.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

De La Paz a Lima VI


















Proibição de fumar em lugares públicos.
Por baixo um alerta sistemático para os locais seguros em caso de sismo.



























Manifestações de música, drama e dança com crianças do primeiro ciclo.


















Em alusão a um qualquer personagem, as crianças desfilam com máscaras e com uma garrafa de cerveja (fechada) na mão .














Imagem do "paro" nas ruas de Cusco.
Manifestação cuidadosamente seguida pela polícia de choque.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

De La Paz a Lima V

















Mostra de dança e música de escolas, no centro de Cusco

















Cusco à noite na Praça de Armas.




















Atenção às pessoas portadoras de deficiência.

















Machu Picchu !

De La Paz a Lima IV























As nossas malas neste pequeno onibus a atravessar de barco o largo Titicaca (Titiq'ala), a 3850 metros.


















Entrada no Peru


















Vigilância para violência sexual, maus tratos e outros atropelos aos direitos humanos.

De La Paz a Lima III






















A Sofia faz hoje (dia 7) anos e lá encontrámos uma foto. Parabéns!

Da La Paz a Lima II




























A imensidão da paisagem e dificil de captar em foto.

Montanhas no horizonte, mais ou menos escuras, com ou sem neve, com ou sem vegetação; céu, mais ou menos luminoso, mais ou menos nublado.

No plano mais próximo, tudo plano (o altiplano, porque estamos verdadeiramente a mais de 3000 metros), mas esse plano às vezes é árido, outras vezes água (Lago Titicaca), outras vezes verde, outras vezes bem amarelo. Estas cores intermédias são interrompidas pelo vermelho das roupas, pelo escuro dos animais, pelos telhados azuis, de chapa das casas.

Não se imagina a dificuldade de encontrar lápis de cor, mas aqui a cor fazia falta.

De La Paz a Lima























O percurso de La Paz a Lima, via Puno e Cusco, incluiu um fim de semana para visitar Machu Picchu (Machupiqcho).

Para Machu Picchu fazem-se 100 kms em 4 horas , num comboio que anda aos zigzagues para subir e descer a montanha.

Machu Picchu é um deslumbramento: a parte feita pelo homem e o contributo da natureza.

Deslumbramento também como ali chegou gente e ali se fixou.

Deslumbramento ainda, como o Império Inca foi destruido por um punhado de espanhóis.


Fizemos o percurso de Puno a Cusco, a capital do Império, num tour turístico, com alguns espanhois e um casal de americano.

Foi curioso ver a americana (EUA) perguntar ao guia peruano, (com pesar e cumplicidade) se os peruanos ainda estavam muito zangados com os espanhóis por causa da ocupação no século 16.

Foi curioso ver um catalão indignado responder que a única razão porque os indios norte-americanos não estão zangados com os invasores, é porque ou morreram todos, ou os descendentes andam meio alcoolizados meio anestesiados pelas reservas de indios, rematando que por isso achava a pergunta provocadora e idiota. De repente o tour, até ali muito calmo, polarizou-se à volta desta discussão.

Em Cusco fomos ver um espectáculo musical de guitarra, no Teatro Municipal .

Os espectáculos por aqui são às 7 horas, o que para nós já baralha a hora de jantar.

Chegámos às dez para as sete já com bilhetes. Às sete e meia ainda entrava gente, do palco nem um som, as pessoas pareciam achar normal, falavam baixo, comiam. Às oito menos dez, esfomeados saimos para jantar... não sabemos dizer se o espectaculo mereceu aquela espera, ou se não chegou a haver espectáculo...

No dia seguinte noutro espectáculo musical, este de canto lírico, fomos informados que em geral os espectáculos começam com 45 minutos de atraso, mas que depende sempre do artista, pode até ser muito mais... é devastador! desta vez aguentámos até ao intervalo antes de ir jantar.

Arriscamos uma vez mais no dia seguinte, para ver um espectáculo misto dança-acrobacia-drama-canto: o grupo KUSIKAY, a peça "Uma história andina", no Teatro Gracilaso. Desta vez só se atrasou 15 minutos, e valeu mesmo a pena.

Cusco é uma cidade bonita e viva, com um ar cosmopolita misturado com aspectos típicos Inca, a cidade está muito cuidada e em cada rua se descobre um recanto com muros incas e com casas espanholas construidas por cima, tal como as igrejas, construidas por cima de lugares de culto inca.

Vimos espectáculos de rua : desfiles de escolas com espectáculo de música, drama e dança.

Assistimos aqui a um "paro" (greve) nacional, que teve um dos seus pontos fortes em Cusco, e que incluiu uma manifestação de rua e uma parada policial algo amedrontadora, à mistura com turistas e mulheres a vender lãs e mantas. Os trabalhadores (entre os quais os docentes universitários que aliás vão iniciar dia 15 uma greve por tempo ilimitado), só foram desmobilizados por uma chuva torrencial.

Apesar dos 3600 metros de altitude, e do nosso grande amor a Lisboa, esta é uma cidade onde gostariamos de viver.

sábado, 4 de outubro de 2008

Notícias de São Carlos - Brasil


















Oi Margarida

Veja as fotos suas em nosso grupo no nosso site:

http://www.rihs.ufscar.br/index.php?option=com_content&task=view&id=95&Itemid=131

http://www.rihs.ufscar.br/index.php?option=com_content&task=view&id=101&Itemid=137

Um grande abraço

Zilda A. P. Del Prette


(Por falar de fotos, começamos também a incluir na faixa lateral fotos mais turísticas do nosso percurso em "Cobertura Fotográfica").

De La Paz a La Paz V




















O curso internacional em La Paz



Voltando ao “Enfoque psicosocial en niños, niñas y adolescentes”, mais uma breve descrição acompanhada de contactos uma vez que as páginas web são raras.

As apresentações estavam ao cuidado da Drª Cristina Soto, Presidente da Sociedade de Pediatria de El Alto.

Ouvi a Drª. Rosário Indeburri (Drª Rosário Indeburri) falar dos circuitos de detecção e denúncia de maus tratos e abuso sexual de menores e mulheres. A Rosário trabalha no Hospital Boliviano Holandês, é pediatra e tem uma especialização em Medicina Forense. Fala dos seus casos com vivacidade e uma visão abrangente de “maus tratos”.

Vi fotos de meninos de uns 7 anos a ajudar os pais nas minas, com capacete com luz e tudo.

Da audiência alguém falou de uma manifestação de crianças pelo “direito ao trabalho”, que houve em La Paz, alegando que assim ajudam as suas famílias que de outro modo não têm como viver.



Cada mãe “paceña” tem em média 8 filhos, a média Boliviana é de 4 filhos por mulher, e começam cedo, no início da adolescência. As questões discutidas foram as infâncias perdidas, para a aprendizagem e para a brincadeira, nas crianças que cedo ficam adultas e responsáveis por trabalho.
Como formas de abuso e maus tratos referiu-se a Drª Rosário à atitude da Aerosur (a mesma companhia que nos deixou plantados em Cochabamba 7 horas e já mereceu lugar nos nossos “tesourinhos deprimentes”).

Um menino recém-nascido precisava de uma intervenção cirúrgica em Cochabamba e a Drª Rosário tratou das passagens e da marcação da operação. Na véspera recebeu um telefonema da Companhia Aerosur dizendo que não transportava o bebé porque tinha 6 dias e não transportavam crianças com menos de 10 dias e, à resposta que a criança morreria sem a operação, alegaram que “ainda por cima um bebé doente”. A criança acabou por ser transportada de táxi aéreo e ficou bem, mas os direitos da criança à vida foram impunemente desrespeitados.
Referiu também questões culturais, uma das arrepiantes é a estigmatização dos gémeos (um dos quais é literalmente abandonado até morrer).

A Drª Inge Von Alvensleben ( Drª Inge Von Alvensleben ) é alemã, também pediatra e também se referiu aos maus tratos e abuso sexual, de menores e mulheres. Trabalha numa cadeia de homens e noutra cadeia de mulheres. As cadeias na Bolívia são “como cidades”, os familiares próximos (companheiros, esposos ou filhos) do(a) detido(a) vivem dentro da cadeia, cozinham, há escola, creche e mesmo pediatra.

Ouvi a Drª Gina Bejarano,( Drª Gina Bejarano) também pediatra que falou sobre a família e o seu efeito protector. A Drª Gina trabalha com adolescentes e tem uma página web “Jeans y Pantalones” feito para adolescentes com apoio de adolescentes.

Ouvi Drª Marlene Bérrios ( Drª Marlene Bérrios ), gestora de projectos, que falou de dois projectos com adolescentes, um o Lanzarte, onde os jovens desenvolvem actividades como teatro, música, vídeo ( videostorytelling como fazemos na nossa equipa , “livros animados”, fotografia, dança, na localidade de Huanuni, em plena zona mineira. Ofereceram-me diversos materiais multimedia possivel graças à AOS.

O outro um projecto consiste em concursos para jovens com ideias para ajudar o seu município a construir e reforçar a democracia. Os melhores projectos são apoiados e desenvolvidos. Ambos os projectos têm o apoio da AOS (Aliança Suiça Obreira).

Por fim ouvi a Drª Ingrid Rocabado Michel ( Drª Ingrid Rocabado), especialista em Saúde Pública que faz estudos epidemiológicos com adolescentes.

A Presidente do Comité da Adolescência da Sociedade Paceña de Pediatria é a Drª Cecília Uribe ( Drª Cecília Uribe), pediatra, uma das organizadoras do Curso Internacional e a minha principal interlocutora. Tive ainda o privilégio de conhecer a Drª Ruth Guillén de Maldonado, que há anos foi a primeira a falar de cuidados integrados no atendimento a adolescentes e a fundadora do Comité da Adolescência, que presidiu até recentemente.

Com a Drª Cecília Uribe visitei o serviço de Pediatria e de Obstetrícia do Hospital Boliviano Holandês, construído com o apoio da Cooperação Holandesa e o Serviço de Pediatria do Hospital Andino, ambos em El Alto, cidade (ainda) mais alta que La Paz, nos arredores, a 30 km de distância e mais 500 m de altitude.
No Hospital Andino há um serviço para adolescentes, da responsabilidade da Drª Cecília, que um dia por semana, ainda dinamiza uma reunião de mães, dos 10 aos 16 anos.

Em breve esta dinâmica será ampliada com a ajuda da cooperação Belga e a expectativa é que haja um serviço apenas para adolescentes.
A saúde na Bolívia é gratuita para crianças até aos 5 anos, mulheres em idade fértil com especial atendimento a grávidas.

Muito levo daqui do que pode ser feito com dedicação e empenho mas com tanta falta de condições. É incrivel pensar que as colegas do Comité da Adolescência se cotizam mensalmente, do seu dinheiro pessoal, para ter dinheiro para os seus projectos e acções. É ainda incrível como se organizam para, com um salário de 400 dolares, conseguir apresentar-se em congressos internacionais.
Não é mesmo falta de trabalhos de qualidade a merecer ser divulgados, é mesmo a falta de apoios para conseguir divulgá-los.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

De La Paz a la Paz IV






A Questão Boliviana

A política Boliviana está confusa, como provavelmente em todos os países. Aqui a questão é mesmo dicotómica: há os apoiantes de Evo Morales e os seus opositores.

Do lado dos apoiantes ouve-se que Evo é um defensor das classes pobres, um homem que prometeu acabar com a corrupção e com o favoritismo, um homem eleito pelos pobres das zonas altas e muito povoadas das montanhas a ocidente, que quer providenciar aos mais desprotegidos: crianças, pessoas portadoras de deficiência e idosos, os recursos económicos, a educação e a saúde a que têm direito. Para isso os impostos nacionais seriam re-distribuidos.
Para os apoiantes de Evo os governadores da “meia lua” são corruptos que se servem de dinheiros públicos para aumentar o seu património pessoal, com apoio dos Estados Unidos. Grandes painéis de apoio abundam por toda Cochabamba e La Paz, na televisão passam vários documentários elogiosos de Evo e denunciando as vidas presentes e passadas alegadamente corruptas dos seus opositores. Os seus opositores são ainda acusados de assassinar pessoas inocentes e causar instabilidade.

Do lado dos seus opositores ouve-se que Evo “veio para ficar” e que quer afastar todos os que se lhe opõem, com o apoio do seu amigo Hugo Chavez.
Fala-se em referendos que só são promulgados quando os resultados validam a posição de Evo.
Fala-se de prisões sem julgamento de vários elementos da oposição. Fala-se dos “ponchos rojos”, alegadamente o braço armado oficioso do Governo, que vimos às dezenas, 24 horas por dia a fazer uma vigília à porta do local onde está detido o Governador de Pando, para impedir a sua libertação.
Esta oposição fala que os documentários que passam na televisão são “publicidade paga”, e que as manifestações de apoio a Evo são organizadas pelos sindicatos numa base de obrigatoriedade: cada família tem de enviar pelo menos um elemento às manifestações de apoio a Evo, consideradas um dever cívico. Tanto na presença às manifestações como na presença às votações há uma multa pesada para quem não compareça.

Visto de fora fica confuso. Do grupo de parlamentares que esteve em La Paz para averiguações, não se ouviu falar em lado nenhum.

La Paz

La Paz é uma cidade nas bordas da montanha, a dar para uma rua principal, esta parte é o Centro, depois há a zona sul, mais moderna, mais rica e mais incaracterística e, nas redondezas, a cidade de El Alto. Adorámos La Paz e os paceños que conhecemos.

Pormenores turísticos-culturais:
As zebritas, paceños vestidos de zebra que ajudam as pessoas a atravessar as ruas, ajudam a controlar o trânsito, sensibilizam para a limpeza das ruas.
As cholas, com o fato típico das paceñas, com o seu borsalino (chapéu tipo de coco) e as suas saias com várias camadas fazendo umas formas consideráveis. Para o paceño típico gordura ainda é formosura, e os paceños gostam de comer, mas por qualquer efeito desconhecido são na sua maioria magros.

Muitas igrejas, de várias origens, mas mesmo a católica, quiçá tentando aligeirar, leva palmas no final da missa.

A nós turistas, que subimos de 2500 metros para 3600 metros encontrando uma cidade que não têm uma rua sem declive, os conselhos bem humurados são “andar devagarito, comer poquito, dormir solito”.