sexta-feira, 12 de setembro de 2008

De S.José do Rio Preto a S.José do Rio Preto

Bolívia, desde S. José do Rio Preto

Por entre uma visita extraordinária à Faculdade de Medicina de S.José do Rio Preto, Laboratório de Psicologia e Hospital Escolar, de que falarei em breve, a nossa perturbação actual é o prosseguimento da viagem pela Bolívia.

Tínhamos planeado seguir pelo Pantanal até Corumbá e passar para a Bolívia por Puerto Suárez. Seguia-se uma viagem de comboio-cama até Santa Cruz de la Sierra, uma viagem por estrada para Cochabamba, e chegada a La Paz de avião, daqui seguiríamos para Lima por avião, em dois troços. Tudo já planeado, hotéis, viagens de avião, e uma estada de 5 dias em La Paz a visitar projectos na área da saúde e participação num congresso com 3 conferências e um workshop…

Bem… A fronteira de Puerto Suárez/Corumbá está fechada, não há comboio, a estrada de Santa Cruz para La Paz com passagem por Cochabamba está bloqueada, ocupada pelos opositores a Evo Morales.

Em Cochabamba e em La Paz, seguindo um comentário que me enviaram (ver comentário), não há problemas.

A questão que vamos seguindo pelos jornais e noticiários é que 5 das 9 províncias da Bolívia (as mais ricos) querem que os impostos sobre a produção e comercialização do gás natural revertam apenas para os estados produtores. O Governo Central em La Paz, chefiado por Evo Morales, quer redistribuir estes impostos por toda a Bolívia. Mais, quer utilizá-los para fins de benefícios sociais, nomeadamente um subsídio aos maiores de 60 anos.
Os Bolivianos mais pobres, que são também a maioria, moram na parte ocidental e montanhosa da Bolívia. São estes os apoiantes de Evo Morales e a maioria, daí a sua eleição. As restantes 5 províncias querem então autonomia e revoltam-se nas ruas com apoio dos governantes provinciais.

Tem havido tumultos nas ruas, destruições nas ruas e algumas mortes. Ontem explodiu um gasoduto o que está a perturbar o fornecimento de gás natural ao Brasil. Os noticiários apresentam repetidamente imagens de violência de populares nas ruas das cidades orientais, nomeadamente em Pando (onde se registaram as mortes) Tarija e Santa Cruz de la Sierra.

Ontem Hugo Chavez, que responsabiliza o Governo dos Estados Unidos por tudo isto, expulsou o Embaixador dos Estados Unidos em Caracas, como forma de solidariedade para com Evo Morales e veio à televisão com um discurso inflamado entremeado com um par de palavrões ilustrativos da sua revolta.

Vimos hoje no Público que o Governo Português aconselha os cidadãos Portugueses a que evitem a Bolívia.

Agora o nosso problemazinho particular… evitar a Bolívia em bloco? ou tentar chegar à parte ocidental (Cochabamba ou La Paz)? Como?

Podemos contornar a Bolívia pelo Amazonas a norte, ou entrar no Paraguai até Asuncion e depois apanhar um avião, para Cochabamba, para La Paz, ou para Lima… Para ir para Cochabamba ou la Paz o problema é que os aviões fazem escala em Santa Cruz de la Sierra, e o aeroporto está em risco de encerramento….

Ir directo a Lima… é uma pena. Temos grandes expectativas em relação ao trabalho em La Paz, além disso no caminho de La Paz para Lima tínhamos previsto uma visita a Cusco e Machu Pichu… e assim não há como lá chegar… E depois há um conjunto de despesas irrecuperáveis e 3 semanas de viagem a refazer e a repagar…
Aiaiai…
Vamos seguindo as notícias, cheios de prudência e cheios de vontade de tornar possível, no mínimo, ir pelo Paraguai directamente para La Paz.
Alguma dica?

De S. Carlos a S.José do Rio Preto


A Margarida faz hoje anos , com a jovialidade e encanto que se retratam.
Temos saudades suas e das suas travessuras!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

De S.Carlos a S.Carlos III















S. Carlos é uma verdadeira cidade Universitária com campus. Talvez mais bem descrita como um campus com uma cidade. Este formato com esta intensidade, não temos nós em Portugal, ou pelo menos não me estou a lembrar de nenhum caso…

Aqui o campus ocupa grande parte da cidade e lá dentro há todo um conjunto de Instituições de apoio ao aluno, ao docente, à docência, à investigação e aos serviços de extensão à comunidade. Há instituições bancárias, restaurantes, livrarias e papelarias, uma estação de rádio, uma estação de televisão, uma orquestra e um coro, um teatro, um hospital-escola, um centro de saúde-escola e até uma agência de financiamento à investigação…, tudo dentro da UFSCAR.
Muitos alunos de outras partes do Brasil vivem em residências universitárias, até à graduação. Para os outros há Repúblicas, tal como as conhecemos da cultura Coimbrã. Tal como lá, há um culto corporativo dos alunos que passaram pelas Repúblicas, alunos de Minas Gerais, do Mato Grosso…

Tal como a nossa equipa Aventura Social em Lisboa, a equipa da Zilda e do Almir tem cerca de uma dúzia de alunas de mestrado, doutoramento e pós-doutoramento, todos com bolsas de investigação. TodOs não, todAs: são na verdade alunas no feminino, apenas um jovem. A nossa equipa em Lisboa tem a mesma proporção. Por onde andam os alunos-investigadores, aqui como aí?

Ontem jantámos juntos!
Mais uma experiência cultural “Rodízio de Pizza”: várias pizzas vão passando, uma das quais aliás chamada “Pizza à Portuguesa” (?). Assim podem comer-se uma dúzia de espécies de pizza diferentes, se o apetite o permitir. O curioso é que segue-se para a sobremesa também com pizza, mas então o queijo-base, é subtituido por chocolate-base e… largas à imaginação.

Radio USFCAR Escute Diferente

Hoje fui requisitada para fazer uma entrevista para a rádio local ( Radio USFCAR- Escute Diferente).
Vamos ter o link directo para a entrevista que vai passar em vários programas, na proxima semana.
Aceitei, um pouco para ser coerente com a minha politica de divulgação do conhecimento, mas francamente tinha-me parecido uma coisa longa (uma hora). Mas os meus entrevistadores, dois jornalistas, eram muito animados e descontraídos e tinham feito um trabalho de pesquisa notável sobre a minha vida e o meu trabalho. Diverti-me imenso “à conversa” ao longo daquela curta hora…

Em passeio com a Zilda descobrimos que a cidade se estende bem para além da rua que já conhecemos e inclui mesmo uma vasta zona verde com laguinhos a pedir longos e saudáveis passeios. A Zilda conta-nos que é uma cidade que permite uma excelente qualidade de vida, sem poluição, sem criminalidade, sem trânsito… Tem também uns excelente “picolés” (gelados de pauzinho, excelentes, directamente da fábrica).

Visitamos o Centro de Saúde–Escola, que fornece serviço à comunidade bem como apoio à docência e à investigação na área da medicina, fisioterapia, psicologia, enfermagem e terapia ocupacional, tal como o Hospital–Escola. Tem vários gabinetes de consulta, vários ginásios com saída directa para a rua (campo exterior para treino), piscina com vidro para fisioterapia, uma unidade de treino de actividades de vida diária (uma meia casa completamente equipada com vidro unidireccional, para treino de pessoas com deficiência mental, ou pessoas em recuperação de lesão motora), tem ainda uma ala para crianças com ludoteca que acabou de abrir, e projecta-se um espaço para design e construção de próteses.
Portugal- Dinamarca
Todos os dias nos assombramos com as diferenças linguísticas que unem o Português de Portugal e do Brasil.
Um “lanche de presunto”, é mesmo uma sandes de fiambre… o pedido “ Um chopp fresquinho”, leva o garçon ao máximo da estupefação “ Um chopp quê? não entendo o que a senhora quer!” e depois aliviado “ ah.. quer um chopp bem geladinho?”.
Não admira que às vezes alguns insistam em falar connosco inglês…

Justamente no fim da tarde num café passava um jogo de futebol no plasma. O garçon meteu conversa gesticulando : “ É Portugal- Dinamarca, está 1-0”. Metemos conversa de volta "Portugal tem também uma famosa selecção de futebol”.

No fim da noite vínhamos de jantar para o hotel e passamos à porta do mesmo café.
O garçon veio a correr para a rua ter connosco a gritar “ 3-2, 3-2, puxa vocês saindo e a Dinamarca pôs-se a marcar, foram 4 golos em 7 minutos, vocês haviam de ver…incrível, o Luizão já está fazendo aquela falta, é mesmo isso”.

O café estava agora cheio e perguntamos que jogo era agora “O Brasil-Bolivia”.
O garçon olhou para nós sorridenteOs senhores estão mesmo há quanto tempo no Brasil? , "Há 3 semanas”.
Ó! Puxa gente… imagina …para quem está no Brasil há 3 semanas, vocês falam Português bem para caramba!”.
Enfim é "gostozinho", no Brasil estamos sempre a receber elogios.
Bolívia
As notícias da instabilidade na Bolívia não param na comunicação social.

Custa relativizar e entender o parâmetro do risco.
Temos uma semana para decidir se cancelamos mesmo a passagem pela Bolívia e se vamos directos ao Peru, se voamos para La Paz directo de Brasilia e evitamos o caminho por terra.
Seria uma pena não poder ir, porque vai ser um grande congresso, onde gostar imenso de falar com os investigadores locais, onde vou ter uma grande participação e estamos com uma grande expectativa em relação aos locais, às pessoas, e ao percurso que planeámos, mas…
Alguém tem alguma notícia útil que nos possa ajudar a decidir?




quarta-feira, 10 de setembro de 2008

De S.Carlos a S.Carlos II

O prazer e a competência na Matemática

Para além das leituras em formato electrónico, trouxe de Lisboa uns livros de papel.
Um dos livros foi "A Matemática das Coisas" do Nuno Crato. Não conheço pessoalmente o Nuno Crato e fiquei a saber, apenas na capa deste livro, que ele trabalha na mesma Universidade do que eu…
Há tempos tinha lido uma crónica do autor, em que ele dissertava sobre os (re)conhecidos males da Educação em Portugal…
Para falar com franqueza, pareceu-me na altura um texto inteligente e denotando um elevado sentido de humor, mas achei-o também uma critica contundente, mas demasiado fácil e demasiado pouco acompanhada de propostas concretas de mudança (tenho para mim, que críticas, na idade adulta, só mesmo acompanhadas de propostas; senão é mesmo só agitar brasas…).

Muita tinta tem corrido sobre a razão do insucesso e (des)gosto dos alunos Portugueses pela Matemática. Ainda hoje li no Público on-line mais achegas a este assunto.
Mas as coisas na Educação não estão todas mal, e uma generalização abusiva só leva a um estado de pânico e insegurança dos pais, desalento dos professores, desinteresse dos alunos e descrédito da população em geral. Há sem dúvida “nichos” péssimos que até poderão azedar tudo à volta, e que têm de ser identificados e debelados, mas o resto (as boas partes), também têm que ser identificadas, reconhecidas e divulgadas.

O Nuno Crato explica com um entusiasmo transbordante, fenómenos matemáticos complexos. O seu livro tem uma leitura muito agradável e simples, com utilidade imediata na análise e compreensão de problemas do quotidiano.
Quando era adolescente, eu tinha um grande fascínio pela matemática e, se o Nuno Crato tem sido meu professor, ele teria sem dúvida mudado o meu futuro.

Passando agora a propostas concretas, o Nuno Crato podia ser encarregado de analisar e fazer propostas para o ensino da Matemática nas escolas Portuguesas. Identificar o que está mal, propor mudanças, e tornar a breve trecho os nossos alunos adeptos fervorosos e entusiastas desta maravilhosa ciência dos padrões, “os padrões matemáticos são afinal padrões necessários da natureza” (NC, pag 192).

Já agora, corroboro um apelo seu, embora não seja um tema central neste livro: a palavra "grama" tem género MASCULINO. Quando se lê “a grama” parece uma desafinação linguística, ou então que estamos a falar de botânica.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

De S. Carlos a S. Carlos



São Carlos foi criada em 1857 por um jovem político e seus irmãos, realizando um desejo antigo de seu pai de estabelecer uma cidade na sua sesmaria. S. Carlos foi o padroeiro.






E uma cidade que, salvo erro, tem uma rua grande, sem encantos de maior e algumas ramificações do mesmo género.







No passeio em frente à Experimentoteca há no chão pegadas, à boa maneira das mãos no "passeio da honra" nos Estados Unidos.











Mas aqui as "pegadas" são de várias espécies. Os exemplos são variados e há uma legenda com a foto correspondente ao exemplar que deixou a "pegada". Deixo aqui dois exemplos, o segundo dos quais achei curioso.


E assim chegámos à Universidade. sim porque depois desta descrição, "sobram" duas grandes Universidades:


Gresham e Matos
É com prazer que o Grupo RIHS/UFSCar está promovendo um conjunto de atividades sobre Habilidades Sociais para a comunidade acadêmica em agosto e setembro de 2008. Essas atividades incluem a vinda do Prof. Dr. Frank M. Gresham da Universidade de Louisiana ao Brasil e a vinda da Prof. Dra. Margarida Gaspar de Matos da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa, Portugal.
O Grupo RIHS/UFSCar agradece os apoios recebidos da FAPESP , PPGEEs/UFSCar, PPGPsi/UFSCar e da ABPMC.
Prof. Dr. Frank Gresham
E-mail:
gresham@lsu.edu
Profa. Dra. Margarida Gaspar de Matos

Duas grandes Universidades dominam a cidade, uma das quais, a Universidade Federal de S. Carlos ( Universidade Federal de S. Carlos) é a segunda melhor Universidade do Estado de S.Paulo, segundo o ranking hoje publicados no jornal O Estado de S.Paulo.

Meus colegas de já longa data no Departamento de Psicologia e Departamento de Educação Especial desta universidade, a Prof ª Zilda de Prette e o Prof Almir De Prette
Zilda e Almir ambos psicólogos, têm provavelmente a melhor equipa Brasileira no trabalho com promoção de competências pessoais e sociais, também a minha área de doutoramento, com vários projectos de renome internacional RIHS além de uma vastíssima obra em língua portuguesa, que é pena não se encontrarem nas nossas livrarias em Portugal Publicações.

A minha rotina aqui foi ministrar um curso de pós graduação, para alunos de mestrado e de doutoramento em Psicologia e em Educação Especial, na aplicação das metodologias de promoção de competências pessoais e sociais, na promoção da saúde dos alunos, em meio escolar, e organização dos serviços na escola.
Pós Graduação em Psicologia
Pós Graduação em Educação Especial

Para além disto conversei com alunos de doutoramento e discutimos o convénio de colaboração entre a UFSCAR, e a FMH/UTL e o CMDTla. Os alunos de Pós Graduação são muito diferenciados e experientes, e vêm um pouco de todo o Pais para este curso, que teve aqui, antes de mim, o Prof . Graham, uma referência mundial na área.

De S.Paulo a S.Paulo III















A perfeita entrada de fim de semana!!
Um concerto no magnífico Auditório Ibirapuera, da autoria do Niemeyer, para ver a Orquestra da Universidade de S. Paulo (OSUSP), junto com o Nelson Ayres, a tocar/ cantar Villa-Lobos, Edu Lobo e Chico Buarte.
Admirável este auditório, admirável também a música, e ainda admirável a companhia.
A OSUSP foi criada em 1975 pelo Prof. Orlando Paiva, então Reitor da USP.
Investimentos arrojados e futuristas, no que diz respeito à Cultura e às Artes! …
Fica aqui um repto, às nossas Universidades e ao arrojo dos nossos Reitores.
Depois do concerto o típico programa Paulista “pós-concerto” : Pizza, em Pizzaria repleta, pela noite dentro, em alegre cavaqueira à volta das tão já badaladas diferenças e convergências nas culturas luso-brasileiras.

Sábado de manhã assistimos à cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, na sua versão Para–Olímpica, e à chegada da chama Olímpica.
Por aqui vimos o desfile da equipa Brasileira.
Penso que o meu colega e amigo Jorge Vilela estará em Pequim, acompanhando a equipa Portuguesa.
Aqui um voto de excelentes provas a todos os nossos atletas.
A cobertura dos Jogos pela comunicação social foi por aqui parca, ao longo do fim de semana. Será que houve melhor cobertura aí em Portugal?

Embu é uma “aldeia-mercado” de artesanato, na periferia de S Paulo, que visitámos no caminho para “ o sítio” da Vivi.
Por aqui “ um sítio” é uma chácara (quinta) grande (ou talvez uma fazenda pequena).
No sítio da Vivi tivemos aulas de Culinária (peixe na grelha com ervas, farofa, picanha, caipira, sopa de caldo, chimarrão- chá de mate verde, aspirado por uma palhinha, doce de leite condensado, cocada, quebra-queixos- doce de coco com ananás).














Seguiram-se aulas de Botânica e Zoologia, em passeio, no contexto natural da Mata Atlântica, um privilégio!

Aprendemos a observar muita vida animal e vegetal própria da Mata Atlântica: tatus, beija-flor, bem-te-vi, gambá, saúva, isto com respeito à fauna; ipê, palmito, araucária (diferente da de Portugal), morango silvestre, orquídeas várias empoleiradas pelas árvores, fetos luxuriantes a embrulhar troncos, para a flora. E tantos outros que a Vivi e o Otávio nos mostraram, à vista ou ao ouvido, e que não conseguimos memorizar.

Tivemos ainda "aulas" de cultura musical brasileira, sempre ao som de música brasileira, de MPB (Música Popular Brasileira) e Bossa Nova.
O Bossa Nova tem um ritmo impressionante, que se gosta de imediato e que se aprende a gostar cada vez mais.
Este ano os brasileiros celebram os 50 anos do aparecimento do Bossa Nova e o assunto tem vindo a ser debatido. Mas a nossa perplexidade não acaba aqui.
Esta música mágica, de ritmo complexo é considerada uma música genial mas …elitista, conservadora, afastada das preocupações da população.

Lembrei-me do José Duarte nos seus “5 minutos de Jazz”, quando há décadas dizia no seu programa qualquer coisa como “ sempre houve, em todos os tempos, uma elite musical… e em todos os tempos a população em geral necessitou de uma música”…
Enfim, não é simples !
Pois bem, Bossa Nova será conservadora, apelará ao romantismo e à inércia social, terá mesmo justificado da Nara Leão a expressão “ Agora já chega de Bossa Nova!”.
Mas é tão, tão, mas tão envolvente!
Um fim de semana inesquecivel, na melhor companhia!

Saímos no fim do dia de São Paulo e continuamos a nossa viagem para o interior, mais duzentos e tal quilómetros, até S. Carlos.
Para já ainda não vimos nada para além de um jantarinho simples de carne seca à mineira no bar restaurante Trem Bão, que estava cheio de juventude. Delicioso e muito bom preço.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

De S.Paulo a S.Paulo II

Hoje foi dia de museus. Todos dentro do campus da Universidade de São Paulo.

Comecei pelos magníficos museus do Instituto Butantan: um serpentário, um museu de biologia, outro de microbiologia e ainda um museu histórico. Depois o MAC, de arte contemporânea, o MAE de arqueologia e etnografia e o Museu de Geologia da Faculdade de Ciência Geofísicas.

O Instituto Butantan, fundado em 23 de Fevereiro de 1901, é um centro de pesquisa biomédica, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, responsável pela produção de mais de 80% do total de soros e vacinas consumidas no Brasil.
Para prossecução das suas actividades possui grande número de ofídeos dos quais expõe, ao ar livre, algumas espécies mais adaptáveis ao cativeiro. Em jaulas de vidro dentro do Museu de Biologia podem ver-se dezenas de espécies.

O Museu de Microbiologia dá uma visão desde os fungos até aos priões. Fungos, protozoários e bactérias podem aí ser vistos ao microscópio. Ficam, naturalmente, fora da visão os vírus e priões, dos quais são apresentados modelos.
O Museu Histórico descreve a evolução do Instituto desde o sítio de Ibu-tá-tá (terra-dura-dura), passando pela fazenda de Ibutatan e até hoje.
Sobre o MAC (lamento a minha falta de competência) entrei e saí sem um mínimo de afeição por qualquer uma das obras expostas.

O MAE tem, para além de um sector mediterrânico e outro africano menos interessantes para o visitante europeu, um importante acervo de materiais sul-americanos. Os Índios brasileiros são aqui descritos nas suas culturas ancestrais e na sua evolução ao contacto com a cultura industrial.
O MGFCG tem uma imensa colecção de minerais, rochas, pedras. Todos com indicação de nome e respectiva composição química.
É, com certeza, de inestimável valor para o estudante mas também de imenso gozo para a vista do turista.

Incluíndo os passeios a pé e de autocarro (onibus) foi um dia bem agradável este passado nos 50 hectares do campus da USP.
Note-se o gosto que aqui temos ao ouvir onibus (em Portugal escreveríamos omnibus) em vez de "ónibâss" como pronunciado pela maioria dos Portugueses desconhecedores, que tratam esta conjunção latina como se de inglês se tratasse (?). Também dizem "áitéme" (item) e ainda os hei-de ouvir dizer "sainé daié" (Sine die). É triste mas é verdade.






Alunos visitando o Museu de Microbiologia












Serpentário no Instituto Butantan














Procurámos de tarde uma esplanada para trabalhar, ao sol, longe do hotel.
O Hotel Howard Johnson é um exemplo acabado de má hotelaria.
O pessoal acumula-se e perfila-se no balcão da recepção, mas nada, nada e nunca, corre bem…

O hotel é central e perto da Universidade o que daria para evitar o caótico e imenso trânsito de S.Paulo. Daí a escolha.
É um hotel "standard" daqueles que há, iguaizinhos, por todo o mundo.
Pessoalmente preferimos hotéis mais característicos, mais do tipo familiar e local, mas, na verdade, estes hotéis internacionais costumam brindar o cliente com um serviço de qualidade, no sentido estrito de “sempre igual”.

Aqui corre tudo mal… a ligação à net, acessível por períodos de 24 horas a preço módico, não trabalha dias a fio e desde há 5 dias que nos garantem que o técnico está a providenciar.
O “café da manhã” mantêm há 5 dias um (o mesmo) bolo de chocolate, que hoje apresentava já sinais do devido envelhecimento e desidratação.
O jantar de ontem era praticamente intragável… uma porção de legumes a acompanhar um objecto não identificado coberto de molho (na lista o objecto dava pelo nome de peixe!).

Hoje a fugir do hotel fomos até uma esplanada nas redondezas. Um restaurante na rua paralela, com uma esplanada agradável, coberta de vegetação.
O empregado não tardou: “Você fumam?”, “Não?”…. “Então não pode sentar, só lá dentro… a esplanada está reservada a fumadores !!!!!!!!”
Nunca tinha acontecido, mas para nós que adoramos esplanadas em dia de sol…
Custa pensar que a nossa única hipótese é começar a fumar!!!!!


Mas falando de coisas interessantes. A visita ao Instituto de Psicologia foi rica em informações e experiência.
A Prof Edwiges Mattos Silvares (Professora Edwiges ) é minha conhecida de longa data. Nas últimas décadas fomo-nos vendo um pouco por todo o Mundo, ela já me tinha visitado em Lisboa, só faltava mesmo esta minha visita à sua Universidade. Toda a gente a reconhece pelo carinhoso nome de “Vivi”. Apesar da sua juventude foi professora de meio mundo no meio profissional de psicologia por todo o Brasil. É, enfim, daquelas pessoas que “abriram portas e horizontes” aos seus estudantes.

A Universidade de S.Paulo é enorme! Mais de 50000 alunos, mais de 40 Escolas, um campus com uma linha permanente e gratuita de transporte entre escolas.
Há vários museus (entre os quais um de Microbiologia, onde veja-se na foto, também abundavam crianças-visitantes, interessados no assunto), variada oferta de logística hoteleira, um Hospital Universitário e, pelo menos no Instituto de Psicologia, uma Biblioteca invejável… (Universidade de S.Paulo )

No Instituto de Psicologia (Instituto de Psicologia) para além das minha palestra e workshop, contactei os alunos de doutoramento (aqui diz-se “de doutorado”) e seus projectos, alguns dos quais incluídos no “Projecto Enurese”, ( Projecto Enurese ) uma linha de pesquisa em que a Edwiges é uma referência a nível mundial. Desenvoveram e têm a patente de uma intervenção terapêutica e um instrumento terapêutico para este problema.

Ficámos em promessas e projectos de que uma representação deste projecto deveria ir a Braga, em Abril de 2009, participar num evento que estamos a organizar colaborando com a Universidade do Minho, o Congresso Ibérico “Saúde e Comportamento”.
Fui, com os estudantes de pós graduação e estagiários, ver o seu trabalho no serviço de Pediatria do Hospital Universitário. Alguns psicólogos fazem jogos didácticos com as crianças à espera de consulta de pediatria num cantinho recreativo; outros conversam com os pais também na sala de espera ouvindo-os e identificando problemas e recursos familiares. Mais um exemplo a seguir, com muito impacto e baixo custo, uma vez que este serviço conta com a colaboração de estagiários de graduação, supervisionados por dois seniores, a própria Edwiges e mais um psicólogo graduado.

Adiantamos um pouco no projecto Luso-Brasileiro “ Projecto Serviços-Escola de Psicologia” , que vamos desenvolver em conjunto, on-line (Serviços-Escola de Psicologia ).

Uma das doutorandas da Vivi, a Carol Guisantes está a fazer o estudo piloto do HBSC (HBSC) no Brasil, mais exactamente em S.Paulo e Curitiba. Juntámos as bases de dados dos nossos dois países e temos já um artigo cozinhado, em que ela vai trabalhar até à minha passagem por Curitiba, mesmo antes do meu regresso. Estamos a comparar os alunos Portugueses e Brasileiros no que diz respeito aos problemas de comportamento e competências sociais e sua influência nos estilos de vida.

Estivemos hoje a ver revistas especializadas em língua Portuguesa, e factores de impacto ( CAPES e ANPEPP )

Tive ainda ocasião de reunir com a Directora do IP , acertando projectos de assinatura de um protocolo entre as nossas Instituições, para colaboração em investigação e intercâmbio de alunos e professores.

Entretanto recebi hoje um e-mail com a referência da legislação Portuguesa referente à recente criação da Ordem dos Psicólogos em Portugal.
Aqui no Brasil, 2008 é o ano da Psicologia: Profissão na Construção da Educação para Todos (ver Psicologia)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

De S. Paulo a S. Paulo
















Hoje foi verdadeiramente interessante a conversa com os alunos de pós graduação do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Desenvolvo em breve;

Aprendi muito da realidade Brasileira (de modo mais lato Latino-Americana), em questões como as trajectórias e as vicissitudes das democracias, a questão religiosa e a filosofia de vida da nova geração de adolescentes.


A propósito de convergências (nem de propósito) lia-se hoje no jornal "O Estado de S.Paulo" que num estudo semelhante ao HBSC ( http://www.hbsc.org/), incluindo 6308 alunos de todo o Brasil, que nas idades de 13 a 16 anos, 22.1% já tinham iniciado a sua vida sexual. Percentagem semelhante à portuguesa no estudo de HBSC 2006, para as mesmas idades ( http://www.aventurasocial.com/) . um quarto dos que responderam afirmativamente a esta questão, referiram uma idade de inicio de 14 anos. Enfim, nada de muito diferente!
Aqui como aí, os especialistas continuam a alertar os governantes para a necessidade de não negligenciar a educação sexual nas escolas.
Aqui como ai, esperamos que a mensagem não tarde a gerar mudança!

Na mesma página do jornal, numa outra noticia na área da saúde, lê-se que num outro estudo feito em 132 países, os brasileiros são os mais optimistas face ao futuro dos próximos 5 anos, embora menos bem classificados no optimismo face ao presente ( de Portugal não se fala).















Aqui S. Paulo visto do edificio Italia, imponente e idêntico a toda a volta, a partir deste 44 andar.















Na zona da Sé muitos sem abrigo, nesta zona central mas despovoada da cidade.














Pinacoteca de São Paulo : alunos das escolas a desenhar pelo chão!

Os museus não são só para ver, são também para viver e para voltar.

Além disso pagamos dois reais, menos de um euro!

Mais publicações da equipa:

Revista de Saúde Pública

Saiu mais uma publicação nossa na Revista de Saúde Publica 42 (4), aqui do Brasil:

Percepções de professores portugueses sobre educação sexual/ Perceptions of Portuguese teachers about sex education

Lúcia Ramiro;
Margarida Gaspar de Matos

Que está acessível nas bases SciELO Brasil e SciELO Saúde Pública.
http://www.sielo.br/
http://www.scielosp.br/

OBJECTIVE: To assess perceptions and attitudes regarding sex education among middle and high school teachers in Portugal.
METHODS: A study comprising 371 middle and high school teachers, both female and male, was conducted in Portugal in February and March 2006. Data was collected through snowball technique. The questionnaire was made up of two parts: the first collected data on demographics, career, religious background and training and experience in sex education; the second part presented three measures related to sex education, one assessed attitudes, another importance given to sex education, and the third the grade at which respondents believed sex education topics should be taught. The analysis of differences between gender, trained and untrained teachers in sex education, and experienced and non-experienced teachers in teaching sex education was carried out using ANOVA.
RESULTS: Overall, teachers showed a fairly straightforward attitude towards sex education and assessed it as moderately/highly important. Body image was found to be the only topic that should be introduced in the 5th and 6th grades. Female teachers [F(1;366)=7.772;p=.006], trained teachers [F(1;351)=8.030; p=.005] and experienced teachers in teaching sex education [F(1;356)=30.836;p=.000] showed a more positive attitude towards sex education (M=39.5; 40.4; 41.3; respectively). Only trained teachers assessed its teaching as highly important [F(1;351)=5.436;p=.020]; and female teachers believed it should be introduced earlier [F(1;370)=5.412;p=0.021].
CONCLUSIONS: In general, teachers favor sex education in school. The fact that most topics of sex education are only taught in the 5th-6th or 7th-9th grades may have serious consequences since sex education has to be introduced before students engage in sexual behaviors.
Keywords : Sex Education [manpower]; Teaching; Curriculum; Health Knowledge [Attitudes]; Health Knowledge [Practice].

Lúcia: Parabéns!

La Presse Medicale, Elsevier
Outro nosso artigo submetido a La Presse Medicale, Elsevier, foi também aceite.

Effet de l'activité physique sur l'anxiété et la dépression Effect of Physical Activity on anxiety and depression

Margarida Gaspar De Matos,
Luis Calmeiro,
David Da Fonseca, France

Les avantages de la pratique de l’activité physique sont maintenant reconnus tant du point de vue physiologique que du point de vue psychologique.
Il y a des études qui démontrent que l’activité physique est associée à une importante réduction des états dépressifs et anxieux, dans la populations générale comme dans des sous-groupes ayant un diagnostique psychiatrique d’anxiété ou de dépression.
Ces bénéfices de l’exercice physique peuvent s’expliquer par des processus physiologiques, biochimiques et psychologiques.
L’activité physique peut être considérée comme une aide thérapeutique aux approches psychothérapeutiques et pharmacologiques de la dépression et de l’anxiété.
Elle semble donc constituer un type de traitement non spécifique avec un réel potentiel psychothérapeutique qui a été jusqu’ici négligé.
Mots–clé: Activité Physique, Dépression, Anxiété, Santé Mentale

Luis e David : Parabéns !

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Do Rio a S. Paulo II












Viagem tranquila para S Paulo de autocarro (onibus).
Das localidades pelo caminho, registam-se os pormenores mais salientes: uma estrada lindíssima à beira-mar, uma estrada de montanha às curvas e contra-curvas (mas desta vez o condutor era sereno!), a multiplicidade de cartazes publicitando candidatos para as próximas eleições, e a tipologia dos serviços mais populares em cada localidade (cafés, drogarias e "Assembleias de Deus").
Da religiosidade da população falarei um dia, se me der a coragem, porque é sem dúvida um assunto fracturante, mas de importância nacional.

Das próximas eleições aqui vai mais um descritivo:
Afinal no acto eleitoral, quando se marcam aqueles números atribuídos a cada um dos candidatos, aparece a foto do candidato(a) e requer uma confirmação.

Na campanha eleitoral na televisão, faz-se um apelo sensato mas insólito “Não venda o seu voto, só assim pode impedir a eleição de maus políticos”.

As eleições por aqui, como por todo o lado, dão muitas notícias: O Globo anda a desenvolver a notícia da prisão de uma candidata por suspeição de vários ilícitos relacionados com o processo eleitoral.
Na leitura do jornal damos conta que alguns candidatos líderes de milícias, estão a ser investigados por suspeitas criminais, arrastando com eles forças policiais também envolvidas.
Muitas das suspeitas têm justamente a ver com processos vários de “compra” de votos. A televisão passa uns spots apelando para a resistência à extorsão.
As milícias apareceram como organizações locais de auto-defesa, num movimento de organização das favelas contra a liderança dos “narcos”.
Pelos vistos acabaram em muitos casos por se tornar organizações paralelas, que protegem a população mas a troco de pagamento, que robustecem, e cujos líderes pelos vistos também se candidatam às eleições.

Durante a campanha eleitoral, aparentemente há patrões que garantem despedimentos, outros garantem que molestam, outros optam por outra estratégia e prometem benefícios na terra ou nos céus….

Alguns obrigam a uma foto de telemóvel do acto eleitoral para confirmar o sentido do voto (o que é proibido), outros ameaçam que verão em quem cada um votou através de uma gravação local.
Os meios de comunicação social desdobram-se em afirmações que tudo isto é impossível. Mas a população tem medo!

Para dar uma nota construtiva um vereador de um município na zona do Rio de Janeiro, implementou, para promover a cidadania, a Câmara Mirim. Os alunos das escolas do município candidatam-se com autorização dos pais e são eleitos Vereadores Mirins do município, nos variados pelouros, pelos seus pares. A experiência iniciou-se com um mandato de um mês, mas espera-se que em breve venha a estender-se a um ano .

Que tal levar os nossos alunos a inteirar-se, interessar-se, estudar e ter uma voz, em relação aos vários problemas, de áreas diversas, dos vários Municípios, em Portgal?


Pormenor curioso para a chegada a S.Paulo ( já tinha acontecido no Rio) : há por todo o Brasil um sistema bem cómodo e seguro para os turistas e também para os locais: o táxi pré-pago.

Chegados a um aeroporto ou uma estação rodoviária, o viajante que não conhece a cidade não tem que se preocupar em fugir de um taxista desonesto ou incompetente. Há cabines ou quiosques de venda do serviço de táxi a preço fixo de acordo com o destino. Este serviço é cómodo e descansativo: o táxi não nos leva a fazer passeios imensos com o simples fito de uma corrida mais longa.
Porque será que não existe em Portugal?
Não estarão os Governos ou as Câmaras Municipais interessados em facilitar este serviço? Porquê?

domingo, 31 de agosto de 2008

Do Rio a S.Paulo

Angra dos Reis com sol















Angra dos Reis com forte chuva













A Casa do Bicho Preguiça






Um posto de trabalho que convida a ficar !












Para fim-de-semana escolhemos Angra dos Reis, desde logo avisados que “ era bonito, até quando chove”, e que chove muito…

Falemos primeiro do “transfer” que adjudicámos a uma agência turística, um condutor particular, de profissão condutor de ambulância, que na sua folga fez este serviço, para almofadar o parco orçamento mensal (aqui o ordenado mínimo é cerca de $400 reais (menos de 200 euros).

Não vou fazer a descrição desta viagem, deixando ao sabor da imaginação as emoções fortes possíveis num automóvel velhote, conduzido por um condutor de ambulância, exímio na técnica que os franceses celebrizaram com a expressão “queue de poisson”!...

Estes dois dias em Angra foram providenciais.
A Casa do Bicho Preguiça (Casa do Bicho Preguiça) pertence a um casal com 3 filhos.
Quando os filhos cresceram e saíram de casa, eles resolveram transformar o local numa pousada. Têm agora, nas suas próprias palavras, um desafio novo.
O local é um repouso para os olhos e um remédio para o stress residual.
Um serviço atento e familiar, onde nada falta mas, no entanto, nos deixam a ilusão de que estamos sós.
Bom para descansar...bom para trabalhar!

Do Rio ao Rio VIII













Numa folha qualquer,
eu desenho um navio de partida (…);
de uma América a outra,
eu consigo passar num segundo;
giro um simples compasso,
e num circulo faço o mundo.

Toquinho e Vinicius
(na parede do restaurante)


Contrariamente ao que aconteceria ainda não há 20 anos, todos os dias temos notícias de casa, via correio electrónico, SMS, telefone, SKYPE.
Todos os dias encontramos um ambiente de rede sem fios para enviar mais um texto a dar notícias.
Mesmo hoje ouvi em directo o Miguel a palrar, quando se dirigia para a sua festinha de aniversário, com quatro horas e todos estes milhares de quilómetros de mar de distância.

O tempo e a distância já não são o que eram, para o melhor e para o pior.
O exótico e a diferença ou a rotina; o convívio ou o isolamento, terão que ser reinventados. Esperemos apenas que o sejam numa boa direcção.

Hoje estive um bom tempo a falar com o Iago, um adolescente de 14 anos, filho de mãe brasileira e pai alemão, a viver em Munique e de visita ao Brasil.
O Iago nasceu na Alemanha e é nas suas próprias palavras, “um alemão, de coração brasileiro”.

Fiquei a ouvi-lo falar, em (bom) português, dos seus amigos em Munique: uns turcos, uns brasileiros, uns italianos, uns ingleses, uns franceses, outros alemães.

Comentava o Iago que alguns colegas às vezes eram arrogantes para os que consideravam estrangeiros.

Rematou em tom filosófico, do cimo dos seus 14 anos:

Ser arrogante, faz ficar com o coração frio, ou você muda, ou você vai congelar mesmo!

Do Rio ao Rio VII
















O Miguel faz hoje anos !

Temos pena de não estar convosco, nos festejos deste primeiro ano.

Fica esta foto, tirada no mês passado, na festinha antecipada dos seus 11 meses.

Vamos festejar por aqui!

sábado, 30 de agosto de 2008

Do Rio ao Rio VI





















A encher de brios os nossos olhos lusos, deparámos com um jornal carinhosamente aberto, na mesa do “café da manhã”, acompanhado do olhar sorridente do nosso hospedeiro:
“Guardei pra vocês”.

O jornal O Globo está a fazer um concurso “ Cidades reinventadas” e hoje era justamente Lisboa “a fénix” renascida.

O argumento era triplo: a reinvenção do Chiado após o incêndio de 1988, em obra do Siza Vieira, a reinvenção da zona degradada de Cabo Ruivo após a Expo 98, e a reinvenção da zona ribeirinha Stª Apolónia -Algés, antes atulhada de contentores do Porto de Lisboa.

Já tínhamos reparado algumas coisas em Lisboa estão cada vez mais bonitas.
(Outras nem tanto, mas não somos nós que vamos contar…)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Do Rio ao Rio V














O Alex (o designer responsável pelo logo do Aventura Social), faz hoje anos e encontrámos esta foto muito original e inesperada para registar o evento.

Já que estamos no Brasil, gostaríamos de “o parabenizar” ou, para sermos ainda mais exactos, de “parabenizar ele”!

Esta vivacidade linguística tem outras variações. A mais curiosa para os nossos ouvidos lusos, foi mesmo “dedetizar” (de DDT).
Numa carrinha comercial, em letras pintadas na chapa da viatura, prometia-se “ Dedetização total”.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Do Rio ao Rio IV



RIO DE JANEIRO, 19/9/2008
LOCAL: Instituto de Psicologia da Universidade do Rio de Janeiro IP/UERJ

Temas:
Integração das psicoterapias cognitivas
Neurociência
Transtornos de personalidade
Terapia sexual
Transtornos alimentares
Transtornos do humor
Terapia na infância e adolescência
Dependência química
Habilidades sociais
Psicologia da saúde

Atividade prática: Supervisão ao vivo de casos clínicos

Para inscrição e mais informações consulte:
ATC-RIO

Realização:
Instituto de Psicologia da Universidade do Rio de Janeiro IP/UERJ
Apoio:
Sociedade Brasileira de Terapias Cognitivas e Casa do Psicólogo
--------------------------------------------------------------
A Eliane Falcone, psicóloga e professora na UERJ, é a promotora deste evento.
Parabéns por mais uma edição desta Mostra de Terapia Cognitivo Comportamental, esta é já a sexta !
Este ano não vamos poder estar presentes, mas já estivemos em anos anteriores e esperamos voltar.
Parabéns também por mais um número da Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, revista indexada e com peer review, onde enviamos regularmente os nossos trabalhos.
Este é já o vol. 3 (2). A Revista disponibiliza os artigos em:

Sociedade Brasileira de Terapias Cognitivas
Revista Brasileira de Terapias Cognitivas


Neste número temos publicado um artigo:

Práticas parentais educativas, fobia social e rendimento académico em adolescentes.
Inês Camacho
Margarida Gaspar de Matos

Abstract:
Parental educational practices and their implications on variables such as social phobia and academic performance are becoming increasingly interesting to researchers working in the Psychology field, due to the fact that these variables may influence the academic and social lives of children and adolescents. The aim of this research is to study the relationship between parental educational practices, social phobia and academic performance in adolescents. The study was conducted with 285 individuals (146 female and 139 male) of the 7th and 8th grades between the ages of twelve and fourteen. We used: demographic data questionnaire, QLP-A to evaluate parental educational practices, SPAI-C to evaluate social phobia. A questionnaire was also used to check for academic performance. It has been noted that there is a higher incidence of social phobia in individuals of the female gender. It has also been noted that teenagers whose parents give autonomy and care, show a tendency to have a better academic performance and also less probability of presenting social phobia. Teenagers whose parents give protection have a tendency to have social phobia and worse academic performance

Inês: Parabéns!

Comentários

Outra realidade-para mim estranha -a injustiça de se nascer num país onde a precariedade torna os cidadãos excluídos dum mundo de oportunidade,sujeitos a riscos nunca imaginados nos países mais "evoluídos".
Era bom a Margarida partilhar connosco essas formações sobre educação para a saúde- aqui ainda é preciso mesmo ao nível mais elementar.
Prazer enorme em saber que podem levar coisas boas onde é preciso e "inveja" de não poder viver essa experiência riquíssima,por certo.
Muita coragem por aí e sucessos cheios de emoções fortes.

Abraço
Carlos

Comentários


 

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Do Rio ao Rio III














Restaurante-bar Jobi no Leblon, um botequin de Portugueses, típicamente Carioca.
Aqui discute-se a participação do Brasil nos Jogos Olímpicos, horas depois do ouro do volley feminino.
















O Centro Cultural Luis Gonzaga, em S.Cristovão, a celebração da cultura Nordestina.
Aqui, um conjunto "aplicado" de forró, a seguir-se a uma prova de carne de sol, carne seca do Nordeste.




Conhecer o cordel - José Mapurunga. SESC – Ceará, 2005

“Este trabalho tem como objectivo fornecer algumas informações sobre literatura de cordel, para que professores do ensino secundário possam melhor nortear os seus alunos nesta classe literária tão afinada com a mentalidade nordestina”

Na festa Nordestina vendiam-se " livros de cordel", atados por um cordel fora, como manda o preceito.
Livros tipo A5, papel tipo "pardo", com umas 30 folhas cada, e várias encantadoras xilogravuras acompanhadas de histórias ou crónicas. Dois reais (menos do que um euro cada).
Trouxemos "Conhecer o cordel", de aqui deixamos a capa da " Lira Nordestina" e a " venda na rua".

domingo, 24 de agosto de 2008

Do Rio ao Rio II

Ipanema ao sol

















Ipanema à chuva



sábado, 23 de agosto de 2008

Do Rio ao Rio I


(NOTA: Lisboa – Rio de Janeiro por avião: lembrar sempre, mas sempre, de comer antes de viajar ! ou levar bolachinhas, ou então mentalizar-se que é uma boa oportunidade para perder peso!).

O Rio de Janeiro faz parte de um imaginário colectivo que evoca de imediato o “calçadão”, o Corcovado, o Pão de Açúcar, a Igreja da Candelária, a Rocinha, a obra de Niemeyer, o Maracanã, as escolas de samba e…

Ver o Rio pela primeira vez é “maravilhoso”, mas regressar também é… Regressar e rever o mar, o posto 11, o “calçadão”, os amigos, a rua Visconde de Pirajá, o Teatro-Café Pequeno (está em cena um musical que celebra o Rio de Janeiro, através de conhecidas músicas populares brasileiras, algumas dos anos 30, tipo a “Cidade Maravilhosa” de André Filho), os bares e restaurantes de antepassados Portugueses, embora agora considerados tipicamente cariocas, oferecem refeições híbridas de muqueca de peixe, vinho argentino e pastéis de “Belém”, ou chopp, salgadinho de aipim, salada e azeite português.
Tudo isto ali pelo eixo Copacabana- Ipanema- Leblon !

Da zona norte do Rio, a norte da Floresta da Tijuca, não reza história nenhuma. Até parece que não se passa nada, e não há nada na história dos Cariocas que tenha inscrições a norte. A “ Cidade Maravilhosa” é mesmo esta, aqui na zona sul, porque da outra, ninguém sabe.
A Cidade de Deus (na zona oeste) realojou compulsivamente habitantes de uma favela, aqui há uns anos. Os (maus) resultados remetem para uma reflexão sobre realojamentos físicos compulsivos e realojamentos sócio-culturais…
Agora, em tempos de eleições, alguns candidatos prometem a “desfavelização”, mas não falam claramente no que vão propor.

Voltando a Ipanema, é admirável a metamorfose do “calçadão” em dias de sol e em dias de chuva. Impressionante como os Cariocas preservam a praia e como todos a usam, estimam e usufruem. Diz-se que em tarde de domingo 1 milhão de cariocas se passeia pelo “ calçadão”, apanha sol nas praias, joga volley no areal.

A propósito de volley, ainda com o Nelson Évora a encher os nossos brios, partilhámos com os cariocas o ouro olímpico da equipa feminina de volley, jogo que seguimos com o merecido suspense.
À noite estava tudo pronto para a noitada, e para repetir a festa com a equipa masculina de volley a defrontar também os Estados Unidos. (O jet lag não nos permitiu acompanhar e soubemos já de manhã que não havia mais ouro).

Não havia ouro, mas houve notícias… Imagine-se que um deputado fez contas dividindo o investimento do governo em “desporto” desde os últimos jogos olímpicos pelo número de medalhas ganhas pelo Brasil, e concluiu que as medalhas ganhas pelos atletas Brasileiros tinham ficado demasiado caras (???).
Esta mimosa notícia mereceu toda a minha perplexidade!
Outro jornal anunciava que o COB (Comité Olímpico Brasileiro) ia contratar uma equipa de psicólogos do desporto, almejando um aumento de medalhas de ouro em 2012, esta sim uma ideia mais interessante e cujos ecos mereciam chegar a Portugal.

No Centro Cultural Luís Gonzaga, um grande pavilhão, com ingresso de um real (menos que 50 cêntimos de Euro) há agora a festa Nordestina. Uma festa verdadeiramente popular, que acolhe os Cariocas e os Nordestinos na capital, de sexta à noite a domingo, sem parar. Ali, come-se, ouve-se música, dança-se, transacciona-se produtos regionais do Nordeste e convive-se.
Numa das bancas, pequenos livros de cordel (genuinamente pendurados em cordel) e um livro a contar a história e a técnica dos livros de cordel com as ilustrações em xilogravura.
Com alguma coragem testámos a carne ao sol (isso mesmo, seca ao sol), com aipim cozido, num restaurante do recinto. Bom aspecto, bom sabor e até agora sem sinal de perturbação digestiva…
Os olhos escuros e tristes dos “garçons” Nordestinos, excessivamente gratos pela nossa presença e apreço, pungentemente atentos, veneradores e obrigados, bastaram-me para passar o dia seguinte em deambulações sobre o que é ser educado sem o direito à indignação.

A música, essa era um pouco indescritível, a precisar urgentemente da gestão de um técnico de som. Gravámos uns 5 segundos promocionais, mas não temos coragem de os expor; apesar da música, dançar “forró” /(for all) por ali, foi um gostinho partilhado por centenas de pessoas.
Os nossos amigos Cariocas ofereceram-nos um DVD do conjunto musical forró mais famoso da actualidade, os “Calcinha Preta” ao vivo no Recife. Ofereceram-nos também uma noite divertida, à conversa sobre os estereótipos dos Portugueses e dos Brasileiros, vistos pelos olhos uns dos outros.

Em breve serão eleições para a Prefeitura e Senado e a cidade está cheia de misteriosos cartazes com fotos de homens e mulheres, e por baixo números que à primeira vista parecem telefones num jeito de anúncio “Telefona-me, e não te arrependerás!”.
Mas não! É o número a marcar na votação …
Processo complexo, pergunto-me o efeito que terá numa população com (ainda) tanto analfabetismo.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

De Lisboa ao Rio

O grande dia é amanhã! às 7h no aeroporto.

Acabei ontem, no meio das malas, o Rio das Flores do Miguel Sousa Tavares, bem a propósito deste início de viagem pelo Rio de Janeiro e arredores.

Malas feitas, 20+20 kg (sabe-se lá como!... )

Cenas dos próximos episódios, só dentro de dias...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Notícias de Tombowa


Notícias frescas da Catarina, cuja mala preta desaparecida pode ser vista num post de há semanas, na foto que tirei quando me fui despedir dela ao aeroporto.

São noticias do que é viver sem as condições mínimas que damos como certas, com doenças que pensavamos já não existirem sobre os nossos corpos, com carências que já não julgavamos possíveis; sensações do que é estar rodeado de miséria num país riquissimo, mas por outro lado rodeados de pessoas com afectos tão quentes, com tanta força para viver, com tanto entusiasmo no futuro, que até doi o choque com a "indiferença" que vem grudada ao nosso "excesso".

Fica aqui a tua mensagem Catarina, a lembrar-me o nosso artigo sobre a Saúde dos Adolescentes de Benguela (Benguela aí mesmo ao lado do Lubango, para quem está aqui tão longe), e a lembrar-me também uma reportagem recente que vi na televisão sobre o Fernando Nobre da AMI, e sobre a sua luta " contra a indiferença".
Espero que tenhas energia para não desistir... eu sei que às vezes é muito dificil!
Bom regresso a Barcelona!


" Olá Olá!!!
Aqui estou em Namibe, já na última semana por Angola!

A viagem tem sido uma aventura constante com desafios permanentes. O primeiro foi mm à chegada a Luanda, toda a gente recebeu a bagagem menos eu...
Fiquei com a roupa que tinha no corpo, outra que me emprestaram e algo que tive que comprar com o seguro de 50 euros que a TAP dá.
Dizem que já encontraram a mala, deve estar em Luanda, mas ainda não a tenho.

Estivemos em Luanda .... 2 dias por causa da mala e depois voamos para o sul: Namibe, cidade bem mais calma! Estivemos 2 semanas no municipio de Tombwa, que é a 1 hora de Namibe, passando pelo deserto.
A paisagem é incrivel, as pessoas mt mt simpáticas!!

As duas semanas em Tombwa foram mt intensas, as pessoas vivem em condiçoes pessimas ..... e mesmo assim parecem felizes, muitas dizem que estao habituadas a viver com o que têm.
A minha primeira sensacao de Tombwa foi de ser uma favela brasileira mas em ponto grande, por isso imaginem a desgraça... os primeiros dias foram mesmo muito chocantes !:(
Toda a gente nos recebe super bem e somos sempre a atençao principal em todos os sitios.

Neste momento, estamos em Namibe e vamos para Lubango daqui a umas horas, porque mesmo comprando o bilhete às 8h da manha, so havia para as 15.30!

Esta manha tirei pela primeira vez sangue na vida... heheheh!!
Aos 24 anos e em Angola!! Nao custou nada...:) estou com um bocado de gripe e como há 2 colegas do grupo com malaria, é melhor saber se é apenas uma gripe ou se tenho que tomar algo para a malária em concreto!
Espero que esteja tudo bem com todos!! :)) Contarei muitas mais coisas em breve!!

Muitos beijinhos,
Catarina:))) "


De Lisboa a Lisboa XI

Também há assuntos de trabalho!
Pelos vistos esta "silly season" científica em Portugal corresponde a grande actividade de finalizações editoriais pelo resto do mundo.
Enfim mais dois artigos aceites para publicação.

Um na revista Brasileira de Terapias Cognitivas:

Sociedade Brasileira de Terapias Cognitivas
Revista Brasileira de Terapias Cognitivas

Children, Health assets and Poverty in a recent post-war scenario: the Angola case

Margarida Gaspar de Matos
Celso David
Celeste Simões
Luís Tavira

Abstract
Angola is a Portuguese- speaking country that faced a recent civil war, after decades of colonial occupation and conflict, and still exhibits a scenario of poverty.
Well-fare, health concerns and schooling are still a privilege.
A school-based survey was carried out in all four schools in Benguela (South of Angola), 22 randomly classes were selected, including 701 pupils, attending 8th and 10th grade, being 55.2% boys. Mean age in the present study was 17.5 years old, SD 3.25.
Descriptive and multivariated analysis revealed that the perception of family well fare is mainly associated with positive aspects of health: fruit intake, perception of school competence, mother instruction and number of friends.
Life satisfaction was associated with family well fare, as well as with mother instruction, fruit intake and perception of safety in school.
The health assets’ perspective seems thus to propose a new way of identifying and fulfilling pupils’ needs in a developing country.
Present results suggest a focus on positive issues such as schooling, social capital/friends, and healthy food, as relevant factors to promoting teens’ health and well-being, in a country in a recent post-war scenario.

Key words:
Children, Adolescents, Poverty, Health concerns, Schooling, Well-being.






Celso, Celeste, Luis: Parabéns!

E outro do Journal of Cognitive and Behavioral Psychotherapies

Advanced Studies of Psychotherapies
Journal of Cognitive and Behavioral Psychotherapies

Margarida Gaspar de Matos
Gina Tomé
Ana Inês Borges
Dina Manso
Paula Ferreira
Aristides Ferreira


Abstract
The aim of this study is to investigate and refine three different scales which measure depression, anxiety and coping strategies. The relation between these scales is also verified in a non-clinical school population of pre-adolescents and adolescents. Lastly, the moderating effects of age, gender, grade failure and family type are tested. This study used depression, anxiety and coping strategy scales to check moderating effects. The sample consisted of 916 Portuguese pupils, 54.3% females, aged 10 to 22 (M = 14, 44). The participants were randomly selected from the fifth to the 12th grades of public schools. The CDI (Kovacs, 1981), the MASC (March, 1997) and the CRY-Y (Moos, 1993) were used. Scales revealed a good internal consistency and suggested that girls are more anxious than boys are and that older students are more depressed, but use more coping strategies than younger learners. A set of exploratory factorial analyses (EFA) was then carried out with the objective of getting the most representative factor from the anxiety (MASC), the depression /CDI) and the coping (CRY-Y) scales. Reduced scales were identified and were strongly correlated with the previous measures, but better differentiate between a set of moderators. A confirmatory model (CPA) was carried out. Also, adjustment indexes suggested a good fit for the model, but consider both genders separately and the two age groups independently. An analysis of the items retained provided strong suggestions for school based interventions.

Key-words; anxiety, depression, coping, adolescents, schools

Gina, Inês. Dina, Paula, Aristides: Parabéns!


Mais uma descoberta hoje, em conversa: os blogs dos amigos.
Aqui ficam:
Diário Gráfico
Arte Fotográfica
Cinco Sentidos ou Mais
Atenta Inquietude
Guia Sexualidade e Afectos
Edge of Reason

E há uns que casam e fazem um blog...
Ah.... admiravel mundo novo !.....
( Felicidades Sónia e Vitor! Não conhecemos o Vitor, mas a Sónia merece o melhor!)
Sónia e Vitor







De Lisboa a Lisboa X




Hoje é dia de anos da Ana.
Aqui vai a Ana, o pai e o João, bem escondido atrás.
Ao lado uma obra da artista, já com alguns anos.

O resto do dia vai ser o horror das malas. Ontem foram reduzidas para um terço.

Hoje este terço tem de ser reduzido a metade.

De Lisboa a Lisboa IX



Lá encontrei uma foto suficientemente desfocada para incluir aqui o Miguel que em breve fará um ano e de quem vamos ter muitas saudades

Dele e da mãe!


De Lagos a Coimbra

Nos fins de férias, cá vai o Miguel de regresso à mãe.

Um excelente matemático, um utilizador exímo de novas tecnologias, um excelente cozinheiro, e uma excelente companhia. Vamos ter saudades.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

De Lisboa a Lisboa VIII

Outra boa notícia: o artigo no L' Encéphale foi também aceite.
L'Encéphale
Enquanto não consigo fazer os uploads, fica o resumo:

Facteurs personnels et facteurs sociaux associés à la perception de santé et à la perception de bonheur, dans une population adolescente non clinique.

Margarida Gaspar de Matos
Celeste Simões
Joan Baptista-Foguet
Jean Cottraux

Résumé :
Une conceptualisation théorique de la relation entre la santé et le bonheur et les facteurs qui leurs sont associés a été étudié selon un modèle statistique fondé sur des équations structurales. Les données de cette étude font partie d’un ensemble statistique qui a été recueilli au Portugal [16]. Elles sont issues d’un échantillon national représentatif (n=6131), qui incluait des élèves de 11,13 et 15 ans, dans le cadre de l’étude HBSC (Health Behavior in School-Aged Children) de l’Organisation Mondiale de la Santé [10] .
Les résultats montrent une corrélation positive significative entre la perception de la santé et celle du bonheur. Un groupe de facteurs personnels et sociaux sont associés à cette relation. Il apparaît que les facteurs personnels ont plus d’impact sur la perception de santé, et les facteurs sociaux plus d’impact sur la perception de bonheur. Les index d’ajustement étaient bons. Le statut socio-économique[CFI: .941; NNFI: .931; RMSEA : .018 (90% CI ; .017-.018); SRMR: .03]. (SES) était associé à une perception. Le SES était aussi, significativement, mais modestement associé à la perception du bonheur. Les résultats mettent en lumière l’importance d’une approche holistique et positive de la santé de l’adolescent. Cette étude confirme aussi l’importance des relations avec les pairs, la famille et l’école pour la santé et le bien être de l’adolescent. Ces résultats peuvent suggérer que les interventions préventives en milieu scolaire, pourraient prendre pour cible à la fois des facteurs personnels (par exemple promouvoir la compétence sociale) et des facteurs sociaux (par exemple promouvoir le soutien et l’acceptation sociales). Les interventions devraient aussi prendre pour cible la santé mentale et physique pour aider les adolescents gérer les défis quotidiens qu’ils rencontrent.

Mots -clés:
Santé, Bonheur, Satisfaction avec sa vie, Adolescence, Psychologie Positive

Celeste, Joan et Jean Cottraux: PARABÉNS!


Por outro lado é hoje um dia de triste memória para nós aqui em casa... Sabemos todos o que é a saudade!
18/08/2004-18/08/2008.


sexta-feira, 15 de agosto de 2008

De Lagos a Lisboa


Regresso a casa para as malas!

Uma boa prenda mesmo antes da partida! Já saiu o nosso artigo no: Journal of Poverty
Deixo o resumo:

Tania, Bruce, Marta e Lúcia : PARABENS!



JPoverty, Vol. 12, No. 3, Jul 2008
Communication and Information About “Safer Sex”: Intervention Issues Within
Communities of African Migrants Living in Poorer Neighborhoods in Portugal

Margarida Gaspar de Matos
Tania Gaspar
Bruce Simons-Morton
Marta Reis
Lúcia Ramiro
ABSTRACT:
The aims of this study are to determine the influence of
migrant status on sexual behavior and communication about “safer sex”
and to identify ethnic-specific prevention issues. Data were obtained from
a special administration of the Health Behavior in School-Aged Children
(HBSC) survey in a special sample of Portuguese schools located in lowincome
Lisbon neighborhoods with large proportions of African migrants.
Survey participants included 919 sixth, eighth, and tenth graders (52.3%
female), of whom 19.2% were migrant foreigners from African, Portuguese speaking
countries, including Cape Verde (60.8%), Mozambique (1.6%),
Angola (16.8%), Sao Tomé (8%), and Guinea-Bissau (14.8%). Subsequently,
four focus groups were held with adolescents who had participated
in the survey (n = 45), three focus groups with health and education professionals
(n = 25), and one focus group with parents (n = 6).
Compared with Portuguese adolescents, African migrant teens reported
initial sexual intercourse at earlier ages, less frequent condom use, and less frequent
and less comfortable communications with parents about sexual issues.
Implications for selective prevention of sexually transmitted diseases
(STDs) are discussed and recommendations are made.
KEYWORDS. Communication, information, HIV prevention, poverty,
ethnicity, sexual risk.


Fica também a indicação de que finalmente os três livros da Equipa de 2008 estão disponíveis em formato papel e em pdf em: Aventura Social e CMDT-LA


Matos, M.G. (coord) (2008). Consumo de substâncias: estilo de vida ou à procura de um estilo; Monografias: Lisboa: IDT.
Consumo de Substâncias
Matos, M.G. (coord) (2008). Sexualidade, Segurança e SIDA: Estado da Arte e Propostas em Meio Escolar: Lisboa: CMDT-LA/ FCT/ FMH.
Sexualidade, Segurança e Sida
Gaspar, T. & Matos, M.G. (coord) (2008). Manual Kidscreen – Avaliação da qualidade de vida em crianças e adolescentes. Lisboa: FMH /FCT/ CMDT-LA. Manual Kidscreen

De Lagos a Lagos

Em Lagos, tal como diz a canção “Cabo Frio” nos anos 40, “ tem vento, tem praia, tem peixe”.
Agora…tem também turista, uns anos mais e uns anos menos.
Agora tem… e cada ano mais…betão…betão….
Betão! construções anónimas, assépticas, imparáveis…
E os Portugueses estão a diminuir…. e a agressividade do turismo português está em recessão no confronto do binómio “qualidade-preço” com outras paragens….
PARA QUEM SÂO ESTAS CASAS? Porque não pára a construção? Tornou-se má, cara, malparada, mal acabada, feia e a dar cabo da paisagem e da orla marítima e, até…do turista.

Nós temos um pequeno apartamento que dá para a Meia Praia e para a piscina, num condomínio reconhecido internacionalmente pela sua cor “amarelo-limão-bilís”.

Viemos para Lagos há 5 anos, tentando adoptar esta cidade como segundo céu, e na verdade nada correu perfeitamente… desde o primeiro dia…, Desde o primeiro dia em que viemos de Lisboa com várias confirmações de que “está tudo pronto à espera dos senhores” e ficámos nessa noite num obscuro hotel da zona, a fazer um “pic-nic”, com ementa de salmão fumado com tostinhas e ovas de lumpo, mais champagne, tudo “ by Pingo Doce”, que tínhamos escolhido para a nossa primeira noite, na casa de férias…
A partir daí e durante muitas visitas, desenvolvemos a noção de “ tempo de sul”, que mais não foi do que a nossa impotência face às ideosincrasias locais
(“Fazer a escritura pelo preço de venda! desculpe mas não é possível… "ninguém" quer isso! …para que querem pôr o preço certo? Então não sabem que assim pagam mais sisa? é que "ninguém" faz isso…!).

Com o tempo e a nossa instalação fomo-nos habituando a “ qualquer coisinha” estilosa, que nunca deixaria de acontecer…ano após ano….

Gostamos de Lagos no Inverno, de Lagos até Junho com Primavera e (ainda) sem turistas…a feira medieval com corso nas ruas.
Mas …mesmo o inevitavelmente cheio Lagos, em Agosto, bem…“ tem peixe… tem mar…tem vento”.

Ficam-nos as voltas de “windsurf”, os passeios de barco com o Gustavo e a Ana, os grelhados, os nossos miúdos que vamos recebendo, ao seu ritmo incerto e errático, mas que já por cá foram passando todos….
Mais… é o espaço para trazer anualmente, e durante uma semana, as mães (ambas viúvas) “a banhos”.

O centro de Lagos está cheio em Agosto, em alguns anos mais do que em outros… mas aconchegado quase todos os anos, pelo menos até dia 15.
Lá estão os que tocam, os “mimos”, os caricaturistas, os dois pintores residentes, ela (a Chinon) a pintar casa algarvias como uma deusa… outros motivos, menos bem, … ele ( o Martins) a pintar barcos. Ambos a acrílico sobre tela, com montes de reproduções sobre tela (ela), a preços bem mais acessíveis. Nós temos duas destas reproduções aqui na entrada de casa.
Não adorámos tanto que justificasse comprar um original, que ombreasse com os que nos acompanham no dia a dia, aqui como em Lisboa, vindos dos 4 cantos do mundo, sempre comprados em directo a artistas que vamos conhecendo.

Em Lagos há ainda aquele cinema indescritível, na Luz onde vimos tantos filmes, sozinhos ou com um ou outro errático, ao longo do ano e dos anos, os concertos no Centro Cultural de Lagos…a feira do Livro de do disco, a festa da sardinha em Portimão… e sempre, todos os anos a esta parte o Festival de Jazz de Lagos.

Começa hoje e vamos agora para lá, logo que cheguem uns amigos que vêm partilhar da animação.
É isto que gostamos em Lagos: tem uma vida cultural própria.

Este ano há uma banda: “New Orleans Jazz Band”! De Nova Orleães pois claro!

Nova Orleães impressionou-me pela primeira vez em 1996. Cheguei e, não havia hotel livre em toda a cidade das pensões aos 5 estrelas… qualquer coisa como uns campeonatos juvenis que acabavam no dia seguinte. Toda a noite no aeroporto, por falta de alternativa…
No aeroporto, à espera do dia seguinte para seguir para um hotel... um desassossego toda a noite, com gente e gente a chegar com uma espécie de copos gigantes cheios de uma bebida não identificada e muito colorida com palhinhas enormes… demorei 24 horas a descobrir de onde vinham…claro da Bourbon Street, da rua da noite onde não se dorme, onde se bebe e ouve e se venera o Jazz (agora entre outros estilos mais consentâneos com a bio-diversidade!).
No dia seguinte, já com hotel e debaixo de uma chuva tropical, daquelas tipo duche quente que nos seca e nos molha em intervalos breves, e nos deixa mal dispostos e com um grande mau aspecto, até nos habituarmos…. Ouvi Jazz na rua pela primeira vez…

Ele eram miúdos, jovens, veteranos.. tudo e todos tocam naquela terra, por todo o lado… por aquelas ruas de distinto estilo colonial, no French Quarter.
Todos cantam e tudo nos embala e nos faz (até) gostar da chuva, (até) gostar da comida Cajun (brrrr!!!!), (até) ficar curiosos no estilo turístico, e resolver ir à descoberta do túmulo, e da lenda, da Marie Laveau, ícone local do Voudou, com romarias à sua campa e comentários à sua vida e À sua história, desde a sua libertação de escrava vinda de Africa, até ao seu poder, e o de sua filha (diz-se que ela e a sua filha seriam uma só pessoa), na sociedade de então.
Então Nova Orleães é Jazz, é tempestade tropical, é Voudou, e é Cajun, e eu apreciei-os por esta mesma ordem.

A segunda vez que Nova Orleães entrou na minha vida foi com o tufão/ inundações.
Todos criamos pele de galinha e incómodo, entremeados com um sentido de pesar e solidariedade cósmicos, com as notícias de catástrofes naturais, ou fabricadas pelas pessoas…
Estas inundações para mim tocaram-me especialmente… como antes tinha acontecido com a guerra na Bósnia. Em ambos os casos senti a tragédia na pele, nos locais que conhecia, nos amigos que sabia agora em apuros.

A Universidade de Nova Orleães era alvo frequente dos meus “emails”, o Paul Frick, nosso colaborador na área da violência juvenil tinha partilhado connosco o “ PSD”, (não… não é esse…para que não haja confusões este PSD é o “Psychopatic Screen Device”).
Não descansei até ele me responder agradecendo o meu cuidado, dizendo estar já bem, mas, como todos por ali, ter-se passado muito mal… e contando histórias.

Enfim hoje há Jazz em Lagos, com a “New Orleans Jazz Band” à solta pela cidade!!!
Vou ver e incluir fotos. Assim me ajude a minha competência nestes procedimentos “ blogistas”, que ainda está a construir-se.


Pronto… e cá veio a parte de Lagos que não gostamos tanto…
Não se vai acreditar mas, então não é que não houve parada Jazz ?
Vai-se imaginar que “por motivos de comunicação (?)”, segundo nos informaram, a parada foi antecipada (?), das 19h para as 17h e tinha passado, anónima e inesperada “ too soon” /demasiado cedo… ?

Não há, portanto, fotos! Aí Lagos Lagos!

sábado, 9 de agosto de 2008

De Lisboa a Lagos

Meia Praia com o vento habitual.

Hoje começa a Feira do Livro, animada com o projecto de percussão- TocáRufar-

Veio-me à memória a alusão frequente à característica mais saliente da nossa juventude: a "não-implicação", o " não-comprometimento"....

Fez-me pensar na questão da promoção da saúde e das estratégias para facilitar a adopção de estilos de vida saudaveis/ felizes/activos.

Os adolescentes de hoje parecem estranhamente alheados... mas é obvio que isso é uma visão de " fora para dentro", como sempre foi...

" De dentro para dentro" ...haverá de tudo, como sempre, será (como sempre foi) uma questão de ponto de vista, uma percepção ( externa e pouco profunda) de um "out-group", face a uma realidade aparentemente incompreensivel .

Esta incompreensão de pontos de vista tem em todos os períodos históricos, um contexto "ecológico" onde se concretiza ... e estes contextos têm obviamente especificidades... as de 2008, são as que são.... nem melhores nem piores...diferentes!

Estes miúdos os "Tocárufar", animaram bem, estavam satisfeitos, implicados e orgulhosos do seu grupo e inter-geracionais.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

De Lisboa a Lisboa VII

Domingo fado na "Tasquinha", ali em Alfama, agora com fotos.

Um dos fadistas. Dois residentes, um em improviso (o da tee-shirt amarela)

A espectadora da tee-shirt de riscas é a minha mãe. Realmente ter alguns anos já não é o que era...

Ela nos tempos livres tem aulas de Informática e Tai-shi, escreve emails e sms, meteu-se no SKYPE para falar connosco em viagem .

Agora já encontrou este blog para saber notícias!

domingo, 3 de agosto de 2008

De Lisboa a Lisboa VI

Ontem à noite!

A Catarina na partida para Tombowa, via Luanda e Lubango.

Rumo ao seu projecto de micro-crédito, integrado na missão de uma ONG espanhola (COOPERA) , durantes as suas férias da Price/ Barcelona.

O seu sonho de jovem economista - apostar na construção de um mundo mais justo e solidário, com uma melhor distribuição de oportunidades e riquezas...


Nós por cá... visita ao Castelo de Lisboa.
Almoço em Alfama com sardinhas, sangria e fado...
Foi fado de dia, fado na rua... e fadistas ao desafio, no improviso.
Na " A Tasquinha", ali na subida para o Castelo.
Refeição "come-se", preço "aceitavel", ambiente "a não perder"