Visitámos a Universidade ARCIS (link também na faixa lateral), uma Universidade com um modelo e uma história interessantes.
Vários académicos refugiados políticos em outros países foram regressando ao Chile mas sem posto de trabalho. Fundaram então a ARCIS (Universidade de Artes e Ciências Sociais, claramente uma Universidade de vanguarda, uma elite intelectual associada à Esquerda Chilena).
Deste historial podemos imaginar a conversa interessante que se tivemos sobre "ideologias", sobre o que é ser de “direita” e de “esquerda” no Chile (e em Portugal) na modernidade e, já que quase todos éramos psicólogos, sobre o que é ser Psicodinâmico/Psicanalista, ou Sócio-Cognitivo ou Cognitivo-Comportamental, na Psicologia Moderna, e claro, qual o papel do psicólogo na compreensão e na acção para a mudança social.
Aqui a Faculdade de Psicologia tem uma forte componente na intervenção comunitária e em politicas sociais, com uma licenciatura em Psicologia, um Mestrado em Psicologia com menção em Análise Institucional e de Grupos e ainda um Doutoramento em Processos Sociais e Políticos na América Latina.
O edifício da Universidade, que também acolhe cursos de literatura e artes, tem uma arquitectura muito bonita e vanguardista em consonância com este ambiente de grande inquietude e reflexão sobre o papel social da Universidade, e sobre o papel da Psicologia e das Artes na cidadania e na mudança social.
Na Europa temos Bolonha e um montão de alegadas vantagens desse modelo.
A ARCIS deu-me uma verdadeira nostalgia dos meus tempos de universidade, em que a inquietação e o gosto pela discussão centrada na vida, na ciência e na sociedade, fazia tanto sentido.
Agora é fácil sentirmo-nos perdidos no meio da contagem e dos somatório dos “impact factors” necessários para as sinuosas subidas nas carreiras académicas (e eu posso falar à vontade, no que diz respeito a publicações, ao contrário de alguns "opositores" cujo verdadeiro argumento se deve "apenas" à sua falta de publicações...)
Hoje, durante a minha visita falei com dois jovens docentes que pelos vistos ainda estão a concluir o seu doutoramento.
Eu, se tivera que avaliar a complexidade do seu discurso, a qualidade da sua argumentação e dos seus conhecimentos sobre as dinâmicas sociais do seu país, os seus conhecimento técnico-científicos sobre o racional das intervenções psicossociais que propõem, a sua contribuição internacional em redes de estudo na área da Psicologia, eu teria acreditado que ambos seriam no mínimo doutores, com uma carreira dedicada à reflexão.
Eu conheço bem os argumentos "de Bolonha", mas fiquei a pensar! Em que altura teremos que parar para pensar aí pela Europa?
A formação de estudantes que estamos a fazer, ensina a pensar?, a reflectir sobre dinâmicas complexas e a resolver problemas originais ? ou queremos ensinar aos estudantes soluções "básicas" e "pronto-a-vestir", para um número finito de problemas já pré-estabelecido? e então a inovação e a renovação?
E um Professor Universitário, é suposto ser “o melhor aluno” da sua disciplina? Ou é alguém que construiu um saber original sobre ela? E para construir esse saber leu, reflectiu, e evoluiu a partir de análises e sínteses pessoais sucessivas? (já agora, se realmente leu e escreveu assim tanto, será admissível que se vejam tantos erros de ortografia e erros semânticos grosseiros?).
Estas questões têm uma resposta rápida e superficial e outra mais demorada e complexa. Deixem-me ficar a pensar!
Foi um dia verdadeiramente inspirador!

