quarta-feira, 22 de outubro de 2008

De Santiago a Santiago V






















Visitámos a Universidade ARCIS (link também na faixa lateral), uma Universidade com um modelo e uma história interessantes.
Vários académicos refugiados políticos em outros países foram regressando ao Chile mas sem posto de trabalho. Fundaram então a ARCIS (Universidade de Artes e Ciências Sociais, claramente uma Universidade de vanguarda, uma elite intelectual associada à Esquerda Chilena).

Deste historial podemos imaginar a conversa interessante que se tivemos sobre "ideologias", sobre o que é ser de “direita” e de “esquerda” no Chile (e em Portugal) na modernidade e, já que quase todos éramos psicólogos, sobre o que é ser Psicodinâmico/Psicanalista, ou Sócio-Cognitivo ou Cognitivo-Comportamental, na Psicologia Moderna, e claro, qual o papel do psicólogo na compreensão e na acção para a mudança social.
Aqui a Faculdade de Psicologia tem uma forte componente na intervenção comunitária e em politicas sociais, com uma licenciatura em Psicologia, um Mestrado em Psicologia com menção em Análise Institucional e de Grupos e ainda um Doutoramento em Processos Sociais e Políticos na América Latina.

O edifício da Universidade, que também acolhe cursos de literatura e artes, tem uma arquitectura muito bonita e vanguardista em consonância com este ambiente de grande inquietude e reflexão sobre o papel social da Universidade, e sobre o papel da Psicologia e das Artes na cidadania e na mudança social.

Na Europa temos Bolonha e um montão de alegadas vantagens desse modelo.
A ARCIS deu-me uma verdadeira nostalgia dos meus tempos de universidade, em que a inquietação e o gosto pela discussão centrada na vida, na ciência e na sociedade, fazia tanto sentido.
Agora é fácil sentirmo-nos perdidos no meio da contagem e dos somatório dos “impact factors” necessários para as sinuosas subidas nas carreiras académicas (e eu posso falar à vontade, no que diz respeito a publicações, ao contrário de alguns "opositores" cujo verdadeiro argumento se deve "apenas" à sua falta de publicações...)
Hoje, durante a minha visita falei com dois jovens docentes que pelos vistos ainda estão a concluir o seu doutoramento.
Eu, se tivera que avaliar a complexidade do seu discurso, a qualidade da sua argumentação e dos seus conhecimentos sobre as dinâmicas sociais do seu país, os seus conhecimento técnico-científicos sobre o racional das intervenções psicossociais que propõem, a sua contribuição internacional em redes de estudo na área da Psicologia, eu teria acreditado que ambos seriam no mínimo doutores, com uma carreira dedicada à reflexão.

Eu conheço bem os argumentos "de Bolonha", mas fiquei a pensar! Em que altura teremos que parar para pensar aí pela Europa?
A formação de estudantes que estamos a fazer, ensina a pensar?, a reflectir sobre dinâmicas complexas e a resolver problemas originais ? ou queremos ensinar aos estudantes soluções "básicas" e "pronto-a-vestir", para um número finito de problemas já pré-estabelecido? e então a inovação e a renovação?
E um Professor Universitário, é suposto ser “o melhor aluno” da sua disciplina? Ou é alguém que construiu um saber original sobre ela? E para construir esse saber leu, reflectiu, e evoluiu a partir de análises e sínteses pessoais sucessivas? (já agora, se realmente leu e escreveu assim tanto, será admissível que se vejam tantos erros de ortografia e erros semânticos grosseiros?).

Estas questões têm uma resposta rápida e superficial e outra mais demorada e complexa. Deixem-me ficar a pensar!
Foi um dia verdadeiramente inspirador!

Santiago a Santiago IV

Educação para a cidadania e igualdade de género!

















Gostamos de Guaysamin quando vimos as primeiras reproduções
dos seus quadros... e ainda não sabiamos que era famoso e controverso. Em exposição aqui!




















Com a Drª Virgínia Perez, Endocrinologista Pediátrica, depois da Conferência na Sogia.
Como alguns Latino Americanos que temos vindo a conhecer, ela fala perfeitamente Português.
É interessante, e nada habitual para nós, encontrar pessoas que por algum motivo aprendem Português, e têm gosto em usá-lo.

Visitei a CEMERA (ver link na faixa lateral) , junto ao Hospital Roberto del Rio, onde conversei longa e agradavelmente com a Prof.Electra Gonzalez.
Esta académica trabalha na área da saúde sexual e reprodutiva e uma das suas investigações sobre diferenças de género, foi recentemente publicada pela Revista Médica do Chile e pode ser consultada a partir do seu nome no http://www.scielo.cl/ (coloquei na faixa lateral, junto do link da CEMERA, e o da Universidade do Chile, que publica a Revista Médica do Chile).
Foi muito interessante a semelhança de experiências, problemas, reflexões e soluções, incluindo a Educação para a Saúde e Sexualidade, nomeadamente em meio escolar...

Queria ter dito (ainda) com mais convicção, que em Portugal, na sequência do nosso trabalho do GTES a realidade Portuguesa tinha tido alguns melhoramentos nos últimos anos.
Falta-me no entanto alguma informação recente. Recentemente tive notícias de um estudo da APF (alguém mo manda?) e de uma resposta securizante do porta-voz do Ministério da Educação à comunicação social, confirmando que as coisas nas escolas estavam a andar como previsto, na sequência das propostas do GTES.

Mas falta-me informação recente e estou expectante! Um erro de timing neste momento pode deitar muito a perder. Sobretudo para os adolescentes portugueses seria uma pena perder-se um trabalho cuja dinâmica envolveu todo o Pais nos últimos 3 anos.

Pelo Chile os mesmo problemas: o conservadorismo de alguns pais e encarregados de educação (muito assustados e com os tais receios infundados de que a educação sexual antecipe a idade do começo das relações sexuais dos seus filhos, p.e.); a dificuldade em estruturar políticas de continuidade com os professores; a necessidade da formação de professores (essa sei que está a continuar em Portugal); a dificuldade de políticas coerentes e sustentadas; a dificuldade de articular os timings políticos com os timings educativos, os da saúde, os científicos…

Está mais que visto, o que é necessário não são mais recursos, são usos mais racionais e atempados dos recursos e das motivações… Uma velha história que tarda a concretizar-se de modo consistente e sustentado, para desgaste da opinião pública, dos técnicos, dos pais, e sobretudo em prejuízo dos jovens e da sua saúde.
Aqui, como aí …um grande ponto de interrogação no que diz respeito a causas e dinâmicas subjacentes a estas procrastinações e lentidões processual, associada a uma clara evidência quanto às consequências negativas para a saúde…

Fiz uma conferência a convite da Sociedade Chilena de Ginecologia Infanto-Juvenil (Sogia, link na faixa lateral) . A conferência foi sobre “Os adolescentes e a sexualidade: estudos quantitativos de carácter epidemiológico e estudos quantitativos de análise de discursos, com jovens e suas famílias”.

Na audiência várias pediatras, endocrinologistas-pediátricas, ginecologistas, psicólogas.
(Aqui todas mulheres mas, explicaram-me, não é característica da medicina de aqui, mas destas especialidades…)
Foi uma conversa bem agradável, que durou quase duas horas em vez da “encomenda” de 30 minutos. Várias coordenadoras de Centros de Saúde Integrada do(a) adolescente: Clínica Alemã, Hospital Roberto del Rio, Hospital Luís Calvo Mackenna, uma endocrinologista cuja actividade clínica e de investigação a levou às adolescentes.
Falei também um pouco do trabalho do GTES e da política de Educação para a Saúde em Portugal, do projecto dos Espaços de Apoio e Orientação aos Alunos na Escola; do Despacho da SEE sobre a Educação para a Saúde em Julho 2008, apresentado durante o Encontro Nacional de Professores, da segunda avaliação nacional, prevista para Janeiro 2009 com base em inquéritos aos Conselhos Executivos; da avaliação nacional, com base nas opiniões dos alunos prevista para Outubro 2009. Mas estes timings!… é que tarde, pode ser mesmo tarde demais….

De Santiago a Santiago III


















Igreja , num domingo, com "lotação esgotada" em El Totoral,

















Casa de Pablo Neruda a navegar na falésia para evitar o "mareo"- (Isla Negra)



























Ser Jovem- Saúde Integrada na Adolescência - Santiago






















Ser pai, e adolescente!


A chegada ao Chile foi tumultuosa, mais o incidente reserva de Hotel e o roubo da máquina fotográfica. Estamos agora com outra máquina que enfim, vamos ver como se comporta...

Santiago é uma cidade muito agradável. A parte nova é moderna, embora a uniformidade anónima do modernismo.


A parte antiga, mais alguns bairros típicos, é bonita e agradável para passear "sem destino", sempre a descobrir novos e inesperados recantos. Acho eu, porque nestas cidades grandes gasta-se tanto tempo a ir de um sítio a outro que sobra pouco tempo para passear “sem destino”, para nos podermos perder no meio das gentes.

No fim-de-semana fomos de passeio a Viña del Mar e Valparaiso; Isla Negra e Pomaire.
Decididamente não gostamos de viagens organizadas mas, com o pouco tempo que tínhamos, era mesmo a única hipótese.


Para Valparaiso levamos fato e banho para um mergulho no Pacífico (estava calor em Santiago) mas, por outra vez esquecermo-nos de Humboldt… estava um frio de rachar na praia e a água, 13 graus!
Valparaiso já não é o porto romântico no fim de uma estrada de campo, como vimos nos “Diários do Che”; Valparaíso já não é o Porto marítimo de antes do Canal do Panamá.


Segundo nos disseram, para gostar de Valparaiso, agora, é preciso perdermo-nos naquele estranho urbanismo: morro (aqui “ serro”) acima, morro abaixo, com estradas de largura impossivel e de declive ainda mais improvável.
Pablo Neruda encontrou essa magia e tinha lá uma casa.
Nós não tivemos tempo suficiente para a re-descobrir. Ficou-nos a recordação de uma excelente e barata refeição de marisco.

O mesmo poderíamos dizer da Isla Negra, embora nesta (outra) casa de se sinta mais o que resta da magia do espaço de vida e de trabalho que Pablo Neruda foi construindo.
Construiu a sua casa pendurada na falésia, à beira-mar, à semelhança de um barco, para resolver o seu problema da conciliação do seu gosto (teórico) pelo mar com a sua náusea ao enfrentar o oceano… Tinha inclusivé um barco na falésia (a seco)com magnifica vista de mar agitado, para assim usufruir a maresia, sem o “mareo”.

Comprei “Los versos del capitán”, que Neruda publicou anonimamente, enquanto exilado em Capri , em 1952. Consegui aí re-encontrar o meu poema favorito, em espanhol.
Disso falarei outro dia, em breve, a propósito de outra ocorrência.

Visitámos ainda um "pueblecito" com uma igreja, um cemitério, e nada mais...
A igreja, ao domingo tinha "lotação esgotada" ...o cemitério também... como diria Garcia Marques a vida não passava por alí.

De volta a Santiago, para começar a semana visitámos um Centro de Saúde Integral para Adolescentes o “Ser Jovem” (link na faixa lateral, mais o jornal “on-line” que publicam para jovens e suas famílias).
Falamos com a Pediatra Directora do Centro. O Centro fica num local afastado de Santiago já quase a entrar pelos Andes, um bonito passeio com montanhas e neve ao fundo, o que faz uma paisagem estranha porque em Santiago há calor. O Centro tem muito boas condições logísticas e está à procura da sua identidade, entre uma equipa pluridisciplinar que inclui médicos, psicólogos e enfermeiros, uma população jovem das redondezas (assistida na sua maior parte em clínica individual), a vocação de treino de médicos e psicólogos (da Universidade do Chile), e a implementação de algumas rotinas de divulgação e investigação.
Sublinhamos um tema algo novo, mas relevante, a “ paternidade na adolescência”.



Cadavre-exquis ou... a convergência de diferentes olhares

Este fim de semana foi dedicado a passeios à volta de Santiago do Chile.
Para além disso foram as festividades de aniversário.
Ontem tivemos um grande jantar no melhor restaurante aqui ao pé do hotal. Hoje foi um almoço de experiências gastronomicas típicas do Chile.
Ontem Lagosta, patas em soufflé, rabo grelhado. Hoje cazuela de ave e pastel de choclo.
Bem bons todos eles!.

Está um tempo óptimo. Aqui na montanha, a 530 metros de altitude, o fim de tarde é ameno, sem vento e a fazer esquecer que mais para a noite o frio vai apertar um pouquinho.
Isto é o que nos provoca a dúvida: porque acham os Chilenos tanta graça a Viña del Mar e a Valparaiso?
Ali está frio. Está enevoado. Há vento. O mar é cinzento e segundo nos dizem está a 13º C...
Já do marisco não podemos dizer mal. Foi bom e a bom preço.

A viagem de cento e tal quilometros até ao mar é feita por boa estrada, na maioria do tipo via rápida ou mesmo auto-estrada.
Primeiro por meio do vale central onde se concentra a produção de vinho, depois as montanhas da costa, mais um vale menos rico e, finalmente, a vista de Valparaiso.

É bonito, em concha por cima do mar. A cidade é bem antiga. Mesmo velha. Foi recentemente declarada "patrimonio da humanidade". Não pela sua beleza, certamente. Talvez pelas suas caracteristicas arquitectónicas únicas. As casas são de má construção, penduradas pelos cerros acima. Em madeira, telhados de zinco.
Na parte baixa, naturalmente chamada "o plano", os prédios são da época anterior, a primeira guerra mundial. Mais própriamente são anteriores à abertura do Canal do Panamá. Que também foi em 1914. Mas estão degradadas na sua maioria. O conjunto não é bonito nem atraente.

Mesmo ao lado, fica Viña del Mar. Esta foi fundada para suporte da linha férrea de meio do século XIX que, claro, não podia ir dar ao acidentado Valparaiso. Esta cidade é bem mais moderna, mais bonita e mais bem tratada. Aqui é a sede do "celebrado" Festival de Música de Viña del Mar. Está virada para o turismo de verão.

É para aqui que os Santiaguenses com mais posses vêm de férias. Mais para o Norte, continuando a dar para a mesma baía, encontram-se mais estâncias de verão. Reñaca p.e.. Como já mais do que dissémos, é pena a temperatura da água.

Mais a Sul há mais estâncias de férias que hoje são invadidas pelos menos abastados, com muito menores condições de habitação e de conforto. Mas décadas atrás não havia a actual invasão das praias e os mais afortunados podiam aqui ter sas suas casas exclusivas, no seio da nutureza.
Aqui ficava uma das três casas de Pablo Neruda (Isla Negra)- a melhor, ou, pelo menos, a mais bem situada. Sobranceira ao mar, era o barco estável do poeta.

Aqui tinha as suas mais preciosas colecções: conchas, máscaras tradicionais, barcos em miniatura, barcos em garrafa e, principalmnente, as magníficas figuras de proa.
Comprámos um dos livros e esperamos um serão especial com a leitura de alguns dos seus melhores poemas.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Notícias de Bolívia - La Paz

Querida Margarida:
nosotras también los llevamos en el corazón y todavía hablamos de todo
lo que aprendimos de tí.
te mando las fotos de mi hospital (por fín).
un gran abrazo para Joao y para tí. Haré lo posible por ir a Lisboa en abril.
Cecilia.

Novas tecnologias para todas as idades - Parabéns a um filho aniversariante, a milhas de casa.

Parabéns, parabéns, parabéns meu querido filho.
Em 60 anos (o primeiro não conta), julgo ser a primeira vez que não passamos juntos este dia.
Mas sinto-me feliz, por te saber também feliz, realizado, na melhor companhia, o que penso ser um grande sonho. Que passem um dia maravilhoso com tudo a correr pelo melhor.
Parabéns também à Guida pelo seu sucesso e por todas as distinções de que tem sido alvo. Era de esperar...
Gostei muito das vossas prendas que penso já ter agradecido.
Muitas, muitas saudades e beijos.
Assinado: Maria Margarida Costa

domingo, 19 de outubro de 2008

Então essa aventura?

De Lisboa!
Primeiro que tudo mil milhões, biliões portanto, de saudades...
Calculo que esteja tudo sobre rodas.
Honoris causa aqui, honoris causa ali, um belo merecimento por uma inteira vida de trabalho e acreditança em algo melhor e progressivo. Parabéns Margarida (xuac)...

E tu primo, o que tens feito? Visto o mundo, a parte do sul e a oeste daqui, o que te falta? Aguardamos, saudosamente, todas essas memórias (xuac para ti também)...

Já agora! Esse estranho mundo onde vocês deambulam parece-se muito com o nosso/meu. Por exemplo:

A política da América do Sul é uma instabilidade constante. À medida que entramos num país estão a acontecer coisas que só não soubemos antes porque não saem das fronteiras. Antes de ontem aqui demitiu-se todo o executivo pela voz do Primeiro Ministro, acusado de envolvimento com ex-dirigentes que lhe seriam próximos e agora são acusados de tráfico de influências, corrupção etc. em negociatas nacionais e internacionais. Ontem o Presidente da República aceitou esta demissão.

Eu também concordo. Acho que os gajos se deviam demitir, durante a noite de preferência, e nada me dizer.
Porque na realidade, mesmo que eles fiquem lá, nós/eu nada damos por isso.
Bom, continuação de uma boa viagem.
Beijos do nosso pequeno Portugal.
Alex


De Santiago a Santiago II



















O João Frederico faz hoje anos.
Aqui fica numa visita recente ao Zoo de Lisboa com os sobrinhos Miguel, Madalena e Margarida.


Hoje ele está aqui comigo e, (desculpem os amigos e família), em vez da grande festa habitual, vamos jantar sòzinhos a um sítio fantástico.

sábado, 18 de outubro de 2008

De Santiago a Santiago

Os azares na primavera de Santiago


Depois de um dia de aeroporto, chegamos a Santiago pela meia noite.
Durante o vôo o comandante falou duas vezes, ambas para dar o resultado do jogo de futebol Chile-Argentina, festejando a vitória do Chile.
Os passageiros aplaudiram aos gritos das duas vezes. Na chegada a Santiago, grande animação nas ruas, apesar de passar da uma da manhã. Parece que foi um feito histórico para o futebol Chileno.

Nós não estavamos assim tão contentes. O hotel La Sebastiana em Las Condes, marcado desde há meses, em resposta ao nosso email a comunicar a hora da chegada, comunicou-nos que não sabiam da nossa reserva e que não tinham vagas !!!!.
Enfim, esta ainda não nos tinha acontecido, chegar a um local à uma da manhã e o hotel ter resolvido anular a nossa reserva e feito ouvidos de mercador ao nosso "voucher": não tinham quartos. O "overbooking" já chegou aos hoteis. Que pesadelo!

O Hotel La Sebastiana, apesar da sua reputação e situação privilegiada, teve acesso imediato à nossa secção de "Os tesourinhos deprimentes".

Os jornais só falam da vitória do Chile em futebol, da demissão da Ministra da Saúde por um problema de deficiente despistagem de doentes seropositivos, e da popularidade de Lula considerado o estadista mais reputado da América so Sul. Até o novo primeiro ministro do Peru promete "uma política à Lula".

Tinhamos várias fotos do dia, mas fomos assaltados no metro. Ainda não arranjamos coragem para decidir se compramos outra máquina, nem certeza que não será de novo roubada... a máquina foi roubada de um estojo que estava metida no cinto e até tinha um fecho. Roubaram a máquina e até se deram ao luxo de voltar a correr o fecho. Só demos por falta dela já no hotel.

O tempo está fantástico, uma primavera deliciosa, saborozissima depois do frio húmido do Peru. Vamos ver se alguma coisa começa a correr bem para além do tempo!

De Chiclayo a Santiago do Chile

A Celeste faz hoje anos!
Votos de parabéns e de um excelente dia de anos, apesar da sobrecarga de trabalho que tens tido. Sei qie o trabalho nunca foi um problema para ti, sempre excelente em tudo o que fazes!
Os meus votos são para que não te deixes esmorecer com as pequenas tricas próprias de "palaciano ocioso e entediado". Sei que essas habituais tontarias, na minha ausência, vão "sobrar para ti"! Enfim, uma aprendizagem escusada, do pior que a "ciência" tem! (Viste o meu parágrafo sobre poder aqui há dias?, enfim...aula prática!) . Um grande beijo!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

De Chiclayo a Chiclayo II


















Universidade de Chiclayo - Peru ( Faculdades de Psicologia e Medicina)



















Huaca Rajada - O Túmulo do Siñor de Sipán e Tucuma, a planície com pirâmides




Chiclayo- História, gastronomia, trabalho e lazer

Por toda a zona de Chiclayo abundam vestígios da Cultura Moche, pré-inca de entre 200 e 600 anos DC.

Na Huaca Rajada, que visitámos como parte das actividades postas à disposição pela organização do Encontro, visitámos o célebre Túmulo do Señor de Sipán, numa pirâmide em degraus. É uma pirâmide de três degraus que foi crescendo com as sepulturas construídas ao longo de largos anos. São três as mais importantes câmaras funerárias sobrepostas: o Señor de Sipán, o “velho Señor. de Sipán” e o sacerdote.
Na jazidas do Señor de Sipán há 8 pessoas que o acompanharam para a “outra vida” sendo enterrados com ele: um sacerdote, 2 guerreiros, a esposa, mais 2 mulheres, uma criança (símbolo da vida e do futuro) vários animais (cão e lamas) e várias riquezas (necessárias para pagar a entrada “na outra vida”), e alimentos.
Este conjunto túmlar foi descoberto em 1987 e apenas porque começaram a aparecer nos mercados da zona, relíquias em ouro que os camponeses vendiam para o estrangeiro e para museus. A zona encontra-se ainda com vestígios de ter sido abundantemente saqueada (pelos huequeiros/esburacadores), à procura de riquezas ou de dinheiro extra para “ tomarse” (beber um copo).

Túcume , nas redondezas, é uma planície cheia de pirâmides ainda por explorar, que parece um vale enorme com umas elevações artificiais que a erosão deixa com aspecto de montículos, que se pensa serem túmulos cheios de riqueza. Ver tudo até perder de vista implica subir uns 300 metros de escada de pedra, na torreira do sol… mas, agora que passou, valeu a pena!

Por fim fizemos uma “revisão da matéria dada“ no Museu de Lambayeque, um museu em forma de pirâmide em tamanho natural com uma recriação do local em tamanho natural, com réplicas dos esqueletos e mostra das jóias e adornos de conchas, armamentos etc., com a excelente Mabel, estudante de Psicologia e erudita em História (e lendas) Moche.

Aqui em Chiclayo tal como em Lima, ninguém se veste com os fatos de serrano de Cusco e Puno, embora a população seja maioritariamente “índia”. Chiclayo é uma cidadezinha bonita com grandes complexos Universitários (pe a Universidade de Chiclayo para além da Psicologia tem ainda os cursos de Medicina, Arquitectura, Direito, Economia, Engenharia), e com uma bonita praça de Armas, na tradição espanhola, tal como em Cusco e em Lima.


O trabalho na Universidade de Chiclayo

Aqui durante o workshop que fiz no Congresso voltei a constatar com os inscritos, a dificuldade cultural em se dizer “não”, considerado uma falta de educação e de consideração pelo interlocutor. Este “nim” dá origem a várias complicações, uma vez que, de cada vez que pedimos algo no restaurante, no hotel, na rua, a resposta é sempre rápida e positiva, mas depois nunca se sabe o que vai acontecer, e quando…
O tempo é outra das peculiaridades culturais. As horas são sempre “ aproximativas” e um atraso de 45 minutos é bem tolerado, direi mesmo incentivado. Mas no fim acaba por acontecer tudo!

Os Peruanos (pelo menos os que conhecemos) são amabilíssimos, muitíssimo empáticos, a ilustrar o dito “Chiclayo é a terra da amizade”. E este afecto passa mesmo nas cerimónias oficiais.
Durante a cerimónia do Doutoramento Honoris Causa, houve uma grande formalidade, com discursos e actos administrativos-académicos, sempre misturada com um grande orgulho e sentimento de “pertença” por parte de Professores e Alunos, e também com uma grande ternura.
Canta-se o hino da Universidade, o hino da Cidade. No fim dos discursos e da oferta da toga, chapéu e diploma, toda a imensa audiência recebe um copo de vinho doce para o brinde e uns bolinhos para acompanhar.
Esta inusitada partilha de pão e vinho no próprio plenário de eventos científicos e académicos, fica magnífica e apela ao verdadeiro sentido da comunhão.
Depois a “ponência” da praxe, já mais curtinha porque, com os atrasos protocolares, quase se avizinha a hora de lanche. Fiz depois uma conferência sobre a "Saúde dos adolescentes em Portugal e na Europa, nos últimos 8 anos.
Tenho uma nova toga belíssima, debruada a veludo em tons de azul, uma nova medalha com as cores do Peru e muito orgulho nesta distinção!

A agenda social, académica e científica foi carregada, mas vamos daqui com saudades da hospitalidade e afecto de colegas e alunos.

A Política no Peru

Mais uma peculiaridade, esta uma vez mais relacionada com a política local. Há dias o Presidente Garcia tinha aceite a demissão do Executivo, alegadamente envolvido com personagens corruptos.
O novo Primeiro-Ministro já tomou posse e é palestiniano, casado com uma originária de Chicalyo. Este Primeiro-Ministro tem uma curiosa história de 9 anos de prisão no passado por alegado envolvimento com agentes terroristas, mas nunca foi condenado.
O antigo Presidente Fujimori era de ascendência japonesa, afastado do poder também por alegado envolvimento com actos de corrupção, deixou no entanto um partido os “Fujimoristas” que segundo se ouve, esperam que ele apareça para o reeleger nas próximas eleições presidenciais. É interessante esta tendência para o voto para posições de alto nível de poder em indivíduos de ascendência estrangeira, sendo que a população peruana é bastante homogénea, com uma maioria entre quechua, aymaras e criolos, e uma minoria de ascendência espanhola. De onde vem esta confiança (na História Peruana pouco validada) pelos “estranhos”?

Gastronomia
Chicha morada (cor de vinho mas sem álcool)
Pisco sour
Tamalitos verdes
Causas limenas
Rocotto releno
Cebiche
Yuca frita

terça-feira, 14 de outubro de 2008

De Chiclayo a Chiclayo

Doutoramento Honoris Causa na Faculdade de Psicologia da Universidade de Chiclayo - Peru










domingo, 12 de outubro de 2008

De Lima a Chiclayo


















Aqui como em Portugal, a importância do debate sobre os comprotamentos sexuais de risco em adolescentes e estratégias de protecção e promoção da saúde sexual.
















Brigadas de Emergência Psicológica , envolvimento dos alunos nas catástrofes nacionais.

















Aqui a Universidade Federico Villareal, Faculdades de Psicologia e de Engenharia de Sistemas. Cada ano de licenciatura corresponde a uma "Promoção", em que os alunos escolhem um nome de um autor relevante na Psicologia. Um painel de mármore fica afixado no átrio, com o nome dos licenciados.
Em 2008 foi a "Promoção" Albert Ellis. Aqui fica também o meu tributo ao trabalho deste investigador.
Apresentei uma conferência sobre " Percepção de qualidade de vida relacionada com a saúde em crianças e suas famílias", com os resultados do estudo Kidcreen.



































Na Universidade Mayor de San Marcos reuni com alunos de Mestrado de Psicologia Clínica e da Saúde.
Em ambas as Universidades a Faculdade de Psicologia tem uma forte preocupação com a Psicometria. O Prof José Livia tem um projecto editorial, a Revista Peruana de Psicometria, onde deixamos submetidos dois trabalhos.
















Em ambas as Universidades há uma Clínica de apoio Psicológico da responsabilidade dos docentes da Faculdade de Psicologia, aberta aos estudantes tal em Portugal, mas aqui também aberta à população.
Os preços são módicos mas permitem um serviço à comunidade, uma oportunidade de aprendizagem para os alunos, uma oportunidade para a investigação e alguns fundos para os projectos em curso.

sábado, 11 de outubro de 2008

De Lima a Lima III

A Cidade de Lima
Lima está a -7 graus de latitude (quase no Equador) e esperar-se-ia um clima com uma única estação quente, húmida e chuvosa.

Nada disso. Temos frio desde que chegámos a Lima, um frio que entra pelos ossos e dá um grande desconforto todo o dia. O céu está sempre cinzento. Aqui culpam o “El niño” mas este é o clima típico de aqui devido à subida da corrente de Humbold que deixa o mar com uma temperatura de 15ºC. Há também muita poluição.
Lima espraia-se por vários quilómetros em extensão, com poucos edifícios altos a não ser nas partes mais modernas. Qualquer viagem de taxi demora hoooras…

Os colegas das várias Universidades que visitei andam todos sempre de táxi, negoceia-se o preço primeiro e paga-se no meio da viagem. Não há taxímetros. Dizem que não têm carros porque é inseguro conduzir e porque os carros nas ruas são muitas vezes roubados ou vandalizados.

O centro de Lima é uma zona considerada perigosa pelo menos à noite, nas ruas fora da praça de armas (esta muito bonita e sempre iluminada, com arcadas à volta como em Cusco).

Nós estamos em Miraflores, longe de tudo, mas uma zona moderna, pouco interessante mas segura. Estamos perto da praia, mas o frio não a torna apelativa. A nós não, aos surfistas sim… sempre por lá.


A Política no Peru

A política da América do Sul é uma instabilidade constante. À medida que entramos num país estão a acontecer coisas que só não soubemos antes porque não saem das fronteiras. Antes de ontem aqui demitiu-se todo o executivo pela voz do Primeiro Ministro, acusado de envolvimento com ex-dirigentes que lhe seriam próximos e agora são acusados de tráfico de influências, corrupção etc. em negociatas nacionais e internacionais. Ontem o Presidente da República aceitou esta demissão.


Universidades aqui e aí

Um colega confessava-me recentemente que tinha abandonado a Universidade Pública porque estava farto de lobbies políticos à volta da Ciência. Comentou que na sua antiga Universidade havia um conjunto de Professores que se se juntavam em esquemas de poder e não deixavam as coisas evoluir, e por isso tinha optado por ingressar numa Universidade Privada (no Peru consideradas em geral de maior qualidade do que as Públicas), apesar dos anos de serviço público já efectivos.

Fiquei perturbada com esta situação, mas… passada a perplexidade... bem, em Portugal não há memória pelo menos recente de actos de corrupção associados aos dirigentes de Universidades Públicas. Eu não conheço! Mas todos sabemos que nas Universidades (Portuguesas) a vida profissional de alguns docentes é mais simples do que a vida profissional de outros, e esta simplicidade tem quase sempre a ver com a proximidade do lobby no poder…

Como me dizia há meses um alto dirigente governativo nacional, há dois tipo de pessoas que se candidatam ao Poder nas Universidades: umas são as que já têm um grande historial de investigação, experiência e conhecimento e que têm um “sonho” de desenvolvimento Institucional que querem concretizar: esses são os excelentes candidatos que fazem as coisas "acontecer"; mas há infelizmente outro grupo de candidatos ao Poder: os que não têm gosto, nem na realidade grande competência para investigar e leccionar - o poder para estes docentes serve-lhes para dificultar o percurso dos outros, serve-lhes para criar esquemas de controlo, esquemas de atemorização, esquemas de favoritismo e esquemas de compadrio. Corrupção não haverá, em Portugal, mas o conceito está lá todo!

Posto isto faço meu o pesar deste colega, que com tantos anos de investigação e de estudo, tem de sair do seu posto de trabalho habitual para poder trabalhar sem “vender a alma”.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

De Lima a Lima II



















Distinção como Professora Honorária da Universidade Autónoma do Peru, em Lima.
Este evento surge na sequência da previsão do estabelecimento de um protocolo de colaboração no âmbito da investigação, publicações e mobilidade de estudantes.
Apresentei aqui uma conferência " Saúde e comportamentos de risco nos adolescentes portugueses, evolução nos últimos 8 anos"

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

De Lima a Lima



















Vizinhança da Escola e do Centro de Saúde


















Escola Básica ( 4-11 anos) na zona do Centro de Saúde Gustavo Lanatta























Centro de Saúde Gustavo Lanatta, em dia de "huelga", para uma reunião de trabalho.
O Professor José Lívia , docente Universitário, tem aqui um trabalho de orientação e supervisão do serviço de Psicologia.


Reunião com os profissionais do Centro de Saúde. O odontólogo (odontologista), não esteve presente porque estava numa campanha nacional de recuperação da saúde oral dos idosos, providenciando próteses a todos os idosos que necessitem.



















Campanha de vacinação Hepatite B com uma cobertura acima dos 95%.


Visitámos ainda o Centro de Saúde do México, para uma sessão de capacitação com "Obstetrices", profissionais com formação superior, especialistas em partos, também com intervenção na prevenção da gravidez não planeada, nomeadamente na adolescência. Trabalham nas escolas, nos Centros de Saúde e na comunidade.