terça-feira, 4 de novembro de 2008
De Bariloche a Bariloche
Notícias dos Estados Unidos
Tinha este ramo de girassóis pronto para festejar o último dia da presidência Bush nos EUA.
O que quer que venha com Obama, só poderá ser melhor!
Mas leiam isto agora:
E se Obama fosse africano?
Por Mia Couto
Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles.
Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: " E se Obama fosse camaronês?".
1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.
2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.
3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.
4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).
5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.
6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.
Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.
Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.
A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.
Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes.
Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.
No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África.
Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente.
De Chipolletti a Bariloche
E dinossauros, com direito a aviso na estrada:)
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
De Chipolletti a Chipolletti IV

Alunos de Medicina da Universidade Nacional de Comahue-
Entre pares - Sessão e foto de conjunto :)


A Mónica Borile não é uma cidadã comum. Pediatra de profissão decidiu há anos deixar Buenos Aires por El Bolson Patagónia, junto com o seu marido também médico, e ainda sem filhos. Iam em busca de um lugar onde tudo estivesse por fazer e onde a sua profissão pudesse fazer uma real diferença.
Notícias de Portugal
A Bárbara Wong é jornalista do Público, desde há muito conhecida pelo seu interesse e comeptência na área da Educação.Pessoalmente gosto do seu discurso, do seu rigor e da sua pesquisa nesta área.
Publicou um livro que está agora mesmo a ser lançado em Portugal (ver também na faixa lateral).
Conhecida a equação dos problemas da Educação em Portugal, será que os pais podem ter um papel activo através da escolha da escola para os seus filhos?
sábado, 1 de novembro de 2008
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
De Cipolletti a Cipolletti
Archives Dis Childhood
http://adc.bmj.com/cgi/content/abstract/adc.2008.139915v1?eaf
Parabéns Helena!
Emotional, behavioural, and social correlates of missing values for BMI
Objective: To examine the emotional, behavioural, and social correlates of missing values for Body Mass Index (BMI) in a nationally representative sample of Portuguese youth.
Design and Methods: Sample included 6131 6th, 8th, and 10th grade public school Portuguese students, age 11-16 years, who participated in the 2002 HBSC / WHO survey of adolescent health. Those who did not report their weight and/or height, were compared with their peers. Bivariate analyses of psychosocial and behavioural variables were conducted, comparing the two groups. Multivariate logistic regression was used to determine if the variables that were significantly associated with missing BMI values at a bivariate level would predict missing BMI, when controlling for all the others in the model.
Results: From the 6131 adolescents who answered to the questionnaire, 661 (10.8%) did not report either their weight or height or both. Gender was not associated with missing BMI. Missing values were significantly predicted by a younger age (aOR=2.56, 95% CI 1.99-3.29, P< 0.001), sedentary lifestyle (aOR=1.53, 95% CI 1.16-2.01, P< 0.01), poor body satisfaction (aOR=1.34, 95% CI 1.19-1.51, P<0.001), father absence (aOR=1.62, 95% CI 1.14-2.30, P<0.01), lack of friends of the opposite sex (aOR=1.65, 95% CI 1.03-2.66, P< 0.05), and by a poor perception of academic achievement (aOR=1.23, 95% CI 1.06-1.42, P< 0.01).
Discussion: Our findings suggest that those with missing values for BMI tend to have poorer body image, health behaviours, and social networks. These results have implications for potential bias in results in studies that do not account for missing BMI.
WHO Autumn School
Entre os dias 22 e 25 de Outubro decorreu em Siena (Itália) a primeira ‘Autumn School’ da Organização Mundial para a Saúde (OMS), subordinada ao tema ‘Developing Evidence-Based Practice for Health Promotion’.
Esta actividade formativa da OMS vinha sendo desenvolvida desde há alguns anos como ‘WHO Summer School’ no âmbito da Conferência Internacional dos Hospitais Promotores de Saúde (HPS) e este ano, a Rede da Toscânia dos HPS, juntamente com o secretariado internacional e a Universidade de Siena, organizaram a Autumn School, que visto o seu sucesso, será certamente repetida nos próximos anos.
Por agora, informo que as apresentações da Autumn School encontram-se no site do secretariado internacional da rede em:
http://www.who-cc.dk/news-1/who-autumn-school-08
http://www.who-cc.dk/ .
Desejos de um óptimo trabalho para todos.
Um abraço,
Ana
WHO Collaborating Centre for Health Promotion Capacity Building in Child
and Adolescent Health
c/o Health Promotion Programme
Meyer University Children's Hospital
terça-feira, 28 de outubro de 2008
De Mendoza a Cipolletti III
“Um amigo é como um psicólogo, apenas sem título” e dá um endereço electrónico tipo amigopsicologo.com.
De Mendoza a Chipolletti II
No ano passado houve uma campanha do Ministério da Saúde para a vacinação das meninas contra a Rubéola, este ano é a vez dos rapazes “Vamos acabar com a rubéola na Argentina” dizem os cartazes), provavelmente confundindo com campanhas nacionais deste tipo, as mães de meninas a partir de 9 anos e as jovens dos 18 aos 26 apareceram massivamente nos hospitais e centros de saúde, a pedir que as vacinassem… Não queriam que as suas filhas fossem “uma das seis”. Mas não sabiam, que a vacina custa 1000 pesos (cerca de 250 euros).
Apesar do ar oficial e “não lucrativo” das Associações anunciadas no cartaz, a verdade é que divulgam um serviço que, não sendo acessível, pode perversamente servir para alarmar… culpabilizar…!
De Mendoza a Chipolletti
(…)
Tal vez tu sueño
se separo del mío
y por el mar oscuro
me buscaba
como antes
cuando aún no existías
cuando sin divisarte
navegué por tu lado,
y tus ojos buscavan
lo que ahora
-pan, viño, amor y colera-
te doy a manos lhenas
(...)
He dormido contigo
toda la noche mientras
la oscura tierra gira
con vivos y con muertos,
y al despertar de pronto
en medio de la sombra
mi brazo rodeaba tu cintura.
ni la noche, ni el sueño
pudieron separarnos
(Pablo Neruda, Los versos del capitán, Julho 1952)
De Mendoza a Mendoza III
Quem diria que Mendoza, com cerca de 100 mil habitantes, podia receber 3 mil médicos ginecologistas para o “XIX Congreso Latinoamericano de Obstetrícia y Ginecologia ( F.L.A.S.O.G. 2008)”.
Por casualidade o Simpósio do primeiro dia era exactamente sobre “ La Salud Reprodutiva en la Adolescencia”, e fui, no âmbito de uma reunião preparatória para um Congresso da SAGIJ (Sociedade Argentina de Ginecologia Infanto Juvenil), que terá lugar em breve em Buenos Aires e onde participarei também.
O Simpósio foi interessante com 3 apresentações “direitas ao assunto” : contracepção na adolescência (José Alcione, Brasil), o aborto na adolescência (Jorge Pelaez, Cuba) e o HPV (Ruth Graciela, Panamá).
Este simpósio teve um formato curioso, o debate público foi substituído pelo comentário de especialistas convidados, de elevado mérito tiveram 5 minutos cada um para comentários às apresentações.
Foi com entusiasmo que vi como em 5 minutos se pode dizer o essencial (para recordar o “massacre” de algumas reuniões de trabalho intermináveis onde se passam horas a patinar no gelo e saímos como entrámos, apenas um pouco mais irritados!).
Dos comentários sublinho:
(1) a necessidade de estudos internacionais para conhecimento do perfil dos(as) adolescentes nos problemas, mas também no dia-a-dia, conhecimento da sua percepção de saúde, de bem-estar, de qualidade de vida.
(2) a necessidade de uma educação sexual atempada: em geral a adolescente apenas recorre aos serviços de saúde sexual e reprodutiva, após a primeira relação sexual, expondo-se assim a riscos escusados
(3) a necessidade de inclusão urgente dos jovens pais, nas intervenções na área da gravidez na adolescência (pais “grávidos”)
(4) a discrepância entre os países da América Latina em matéria de legislação na área do aborto
(6) a vacina HPV não deve ocasionar a eliminação dos habituais testes de rastreio
(7) a necessidade de se evitar que o HPV seja o novo vírus do “controlo” da sexualidade.
domingo, 26 de outubro de 2008
De Mendoza a Mendoza II
De Rapa Nui a Valparaíso
Os Moai, da Ilha da Páscoa ("Rapa Nui") em Valparaíso, por oferta da região ( só agora chegou a foto!).
Estranho destino o deste povo que, segundo consta, se extinguiu por ter desertificado a ilha, cortando árvores sem a devida substituição, para o transporte destas estátuas gigantescas para a beira-mar. Paradoxalmente estas estátuas destinavam-se à sua protecção!
sábado, 25 de outubro de 2008
De Mendoza a Mendoza
Ontem lembrei-me que aqui há uns tempos me tinha apetecido contar uma história, mas quis deixar uns dias e alguns países para manter o anonimato. Mas agora vem mesmo a propósito da celeuma renascida sobre a educação sexual nas escolas em Portugal.
A história começa quando me resolvo ir cortar o cabelo, o que como se sabe, é um risco num local desconhecido.
Então, eram sete irmãos e ele, com 24 anos era o mais velho. Moravam todos com a mãe e ele era o ganha pão daquela família, idolatrado pelos irmãos e pela mãe, porque do pai nenhum se lembrava.
De Santiago a Mendoza
Tania e Mariana, lembram-se?
Educação sexual nas escolas : episódios recorrentes
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
De Santiago a Santiago V
Exposição no Centro Cultural de la Moneda. No século XIX índios da Patagónia foram "exibidos" no Jardin
Mesmo no ínicio desta mensagem, detalhe de uma foto, no Museu de Belas Artes. Lamentavelmente não consegui recuperar o nome do(a) autor(a), mas aqui fica, como contributo à mudança urgente de crença, dos que continuam a dizer que a educação de "antes é que era boa".
Fica sempre a tristeza de ver tanta dor psicossocial, uma dor que adoece a mente (aparentemente) para o corpo não sofrer tanto. Quando se trata de crianças é confrangedor ver tão pouca idade associada a tanto sofrimento. Sim, porque aqui como aí uma boa parte dos casos têm a ver justamente com situações psicossociais de infortúnio.
Lembrei-me do jovem investigador da ARCIS que se propõe fazer uma tese em Psicologia argumentando que o "Direito da Criança" é na nossa realidade social o "Direito do Direito", que deixa a criança de fora, exposta e "sem direitos".
O exemplo mais flagrante são, claro os casos de negligência e maus tratos, abusos físicos e sexuais nas famílias ou com a cumplicidade das famílias.
Fiz uma apresentação/debate aos profissionais do serviço sobre a "Saúde mental na Infância e na adolescência: estudos portugueses e desafios emergentes", onde falei do nosso trabalho em Lisboa. Falei dos novos desafios emergentes em Portugal, aqui contaram-me da alarmante subida de casos de tentativa de suicídio entre adolescentes nos últimos anos.
Uma vez mais durante a discussão surgiu, entre outros temas a questão dos direitos da criança (até chamada técnicamente "Menor", e o seu Tribunal chamado técnicamente "Tribunal de Família").
Preferimos acreditar que a família já não sofre apenas porque já "nem tem por onde sofrer", mas uma vez mais é a criança que fica esfacelada física e psicologicamente, e sem horizontes de remediação, quanto mais de um desenvolvimento pessoal e social.
Esta reflexão veio a propósito da conversa de ontem sobre os Direitos da Criança e da visita de hoje... mas não é um problema daqui do Chile, é um problema de todo o mundo e, embora seja seguramente um problema de miséria psicossocial, nem sempre é um problema da pobreza, nem da toxicodependência.
No passeio
Na praça de Armas em Santiago, um coreto onde se joga xadrez.
Queriamos ir ao teatro ver uma peça "alternativa" de teatro multimedia "Sin sangre" mas está esgotado.
Os teatros só abrem de quinta a domingo e no cinena, aqui como aí, as salas ficam nas galerias comerciais só vimos as grandes produções pouco apetecíveis. Vai estrear amanhã o "Ensaio sobre a cegueira" ( aqui "Ceguera"), esperamos vê-lo na Argentina.
Conseguimos ver o clássico de Arthur Miller - "La muerte de un vendedor", pelo Teatro Nacional Chileno, numa sala (Teatro António Varas) mesmo ao lado do Palácio de La Moneda. Uma reflexão interessante sobre as diversas expectativas face à vida, os segredos de família... a encenação estava muito bem conseguida, montada no palco como uns andaimes com várias divisões, os actores são excelentes.
A primavera em Santiago continua magnífica, de dia e de noite.
Vamos amanhã embora e parece que ainda faltam mil recantos extraordinários, mil pormenores para descobrir, mil rotinas para seguir, mil pessoas para conhecer!...
Já esquecidos da entrada atribulada (ai a Leika desaparecida no metro!...), gostámos mesmo MUITO desta cidade... estamos tristes de ir embora.
Podiamos viver aqui um bom par de anos!


