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domingo, 21 de setembro de 2008

Do Pantanal ao Pantanal

















Ema-macho a servir de "ama-seca", aos 18 filhotes de diversas emas-femêa suas amigas.


















Guaratirica na noite do Pantanal!

Natureza fora de horas
Estamos com o relógio biológico todo alterado: acordar pelas 5 horas (da manhã pois!) já a ouvir passarinhos, tomar o café da manhã (aqui “quebra-torto”) pelas 6h, almoçar às 12h, jantar às 18h, deitar às 22h… parece que estamos sempre no contra-tempo… este blog também deve ter o relógio desregulado porque regista datas incorrectas... mas enfim, mantêm a sequência.

A quinta de S. Francisco no Pantanal (Fazenda San Francisco), foi iniciada no principio do século XX por Laucidio Coelho, que tem actualmente numerosa descendência. Conhecemos as bisnetas Carol e Roberta. A quinta tem 15000 hectares, 4000 ha de plantação de arroz (ai os nossos “enormes” campos no Mondego…), 7000 ha de reserva ecológica e 4000 ha de gado.


Na quinta têm vários projectos de preservação de espécies em via de extinção, entre os quais a onça pintada, e muito gosto pela natureza.

À noite fomos numa exploração-focagem com um casal de Ucranianos e duas jovens Portuguesas que vinham numa missão de exploração do potencial turístico para uma agência de viagens em Lisboa. Um grupo bem agradável e consentâneo com o ambiente: lobinho-guárá, capivara (muitas), guaratirica (tipo onça, uma visão parece que rara), cervo pantaneiro, guaxinin, jacaré, coruja buraqueira, tamanduá bandeira, anta.


Foi excelente apesar do frio (há frio no Pantanal 15 dias por ano, e foi ontem…)

Hoje um chilrear de passarinhos vários e papagaios (há 351 espécies de aves aqui) acordou-nos às 5 horas, uma delícia (?)…
E lá fomos em mais uma expedição de manhãzinha, com o bravo Jonas (autodidacta local) a instruir-nos sobre a bicheza que acorda cedo: surucuá, carão, corvo pantaneiro, urubú, caracará, socó, garça grande branca, mutum, galinha pantaneira, tuiuiu, cegonha tabuiauá, mergulhão, gavião negro, jaçanã-cafézinho, ema-macho, com 18 filhotes (é o macho que choca os ovos de várias fêmeas, e se ocupa das crias), ariranha (tipo lontra grande) e iraca (tipo lontra mais pequena), várias capivaras com montões de filhotes bebé, macaquinhos, vários jacarés com montões de filhotes, tucanos, araras, piriquitos, papagaios (muitos destes nomes de origem índia).


Fomos ainda visitar a propriedade a cavalo, mais o Guilherme, outro aficcionado da natureza que ia mostrando com entusiasmo aves, gado, plantas e animais. Excelente qualquer dos dois passeios.


E no regresso atravessámos o Pantanal, o Serrado e a serra de Maracaju com a Carol que por sorte também vinha para Campo Grande, e mais uma lição de conhecimento e amor pelo Pantanal e ecossistema envolvente ("o pantanal (há 10 pantanais identificados) é como um prato fundo com serra à volta, que recebe água de várias fontes").


Gastronomia:
Arroz pantaneiro com carne seca; batata dourada com queijo pantaneiro, carne assada de várias espécies, soufflé de queijo pantaneiro, arroz doce pantaneiro com canela, mel pantaneiro, doce de leite de búfala, saladas várias da quinta.

Bolívia
Aqui não há jornais e ninguém sabe nada da Bolívia…
Vamos então tentar o plano B, via Paraguai, amanhã. Veremos quando vamos ter acesso ao blog!

De Bonito ao Pantanal







À conversa no SKYPE
















Dengue em campanha









Folha de registo para eleições















Skype
Como a comunicação cresce com as NTI, apesar das suas vicissitudes. Até o Miguel com um ano já se ri e nos diz adeus, do outro lado do Oceano.

Eleições no Brasil
Na chegada a Miranda, depois de fazer 3 horas de estrada (130km) , ainda eram 9 horas da manhã. Transito?… só mesmo vaquinhas nelore, red e suissa, mas estrada de terra vermelha e pedra com buracos, um verdadeiro desafio.
Num breve passeio em Miranda, em busca de um café, encontramos um simulador de mesa de voto electrónico, com uma menina a treinar a população. Num teclado marca-se o número, aparece a foto e confirma-se. Voto branco carrega branco, voto nulo não parece possível: a electrónicaa não dá erro.
A moça distribuía uns folhetos onde se explicava que os Brasileiros vão às urnas dia 5 de Outubro votar para vereador e para perfeito, e onde se sugeria que os cidadãos levassem o número dos seus candidatos escrito num papel. Pergunto-me se esta estratégia não pode parecer amedrontadora,e alguns se sintam pressionados ao se apresentar nas urnas com um papelinho já preenchido… pelo menos evocará potencialmente receios de não anonimato… ou não!


Mosquitos

A campanha do dengue anda por aqui.
Malária parece que não há. Está também muito frio por isso deixámos a profilaxia para quando chegarmos a Chiclayo-Norte do Peru. Apesar do repelente (que não se pode usar nas zonas ecológicas), estamos cheios de picadas.

O poeta-pantaneiro
Fomos para a fazenda de taxi. O Sô Grémio Moura veio a recitar um longo poema que fez em homenagem a um veado que viu morto à beira da estrada ("Pantanal é sítio de bicho") . Fica uma estrofe, mas vem aí um livro de poemas em breve:

Se vir um animal na rodovia
Deixa ele passar
Você está fora de sítio
Ele está no seu lugar (…)

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

De Bonito a Bonito

Tamanduá a lanchar cupim, no regresso da fazenda do Rio de Prata, safari de improviso mais o Jair




Fazenda da Cachoeira, almoço, trilha monte acima, e mergulho nas seis cachoeiras, rio abaixo. Aguas limpidas, duche de cachoeira.




Bonito - no Balneário Municipal (rio)

Nadando com milhares de piraputangas e dourados

Bonito
Bonito é o Paraíso das águas, uma forma de Ecoturismo que já vimos a nível nacional por exemplo na Costa Rica (“Pura Vida”).
Aqui porventura mantêm-se a afabilidade, o gosto e a consideração pela natureza, mas o formato não está tão estereotipado e é quanto a nós muito mais agradável.
Bontito é uma localidade com 7 ruas paralelas, três de cada lado da rua “das lojas” e dos restaurantes. O nosso Hotel foi uma boa escolha (Gira Sol ).

E gerido por um casal que apenas conhecemos no dia da chegada, mas estivemos perfeitamente “em casa”.
O João Luís esteve sempre por ali para o que foi preciso, os quartos limpos e agradáveis, o café da manhã muito cuidado e gostoso. Foi bom deixar tudo espalhado pelo quarto sem preocupações de segurança, foi bom a sua disponibilidade para nos ajudar a decidir passeios sem pressões “para turista”. No último dia forneceram o café da manhã às 5.30h porque claro, não íamos sem comer para o Pantanal… enfim, em casa no meio do Mato Grosso do Sul !
Também, excelente o Jair (o nosso transportador) que nos levou ao rio (Balneário Municipal), à Fazenda das Cachoeiras e à Fazenda do Rio da Prata. O seu serviço excedeu em muito o “transporte” e parava sempre que via “ bicho”, contava histórias e fizemos uma safari de improviso, no meio da mata, à cata de um tucano e à cata de um tamanduá bandeira, a espiar cutias, emas e siriemas... e o entusiasmo do Jair… parecia em férias connosco e não “o taxi”… E, quando falamos em excelente, falamos também de excelente preço, para o serviço.
Dos passeios fica o registo do banho com piraputangas, em águas cristalinas, e o duche de cachoeira, também em águas límpidas.
O último passeio, na Fazenda do Rio da Prata, com flutuação rio abaixo com máscara, a ver fauna (piraputangas, dourados, curimbas, pacús, pintados, piáus), incluiu ainda como incidentes mais aguerridos a descida (a nado) de um rápido e uma trilha de floresta a ver a flora e fauna terrestre. Vamos ver se conseguimos por fotos, foram tiradas com máquina estanque e são muito pesadas…
Aqui nosso guia Miguel mostrou-se um psicólogo intuitivo, com técnicas apuradas de dessensibilização sistemática, incentivando e apoiando uma senhora que não sabia nadar, ao longo do percurso rio abaixo. Foi bonito ouvi-la dizer no fim, a rebentar de felicidade, que nunca tinha pensado meter-se numa aventura dessas.
Gastronomia
Carne - capivara (aqueles animais gordos que vimos em São José do Rio Preto, comem-se, confesso que me deu alguma náusea só a ideia, mas finalmente é bom…), queixada (espécie de porco selvagem) e jacaré.
Peixe- pacú, lambaris, pintado,
Fruta - guariva, acerola, jabuticaba
Doces- doce de leite… sempre…, cocadas, doce de abacaxi, de mamão, de maracujá…

De Campo Grande a Bonito


Publicações Brasileiras e...

Abigail " Mulheres sem voz!"

Bolívia


Da Bolívia já não se fala, mas vamos aguardar uns dias.
Estamos mais confiantes da nossa ida a La Paz, pelo menos a tempo do Congresso.

Entretanto preparamo-nos para um fim de semana em Bonito (o Paraíso das Águas) com mergulho e passeios pela natureza, e no Pantanal, antes da ida segunda feira para o Paraguai.

Até lá lê-se, e aqui vai a apresentação de publicações recentes dos colegas que já visitei.


Leituras à espera de solução para a travessia da Bolívia:

Vencendo o Pânico
Bernard Rangé e Angélica Borges
RJ (2008)

Terapia que os autores chamam integrativa, largamente baseada na teoria e prática da Terapia Cognitiva Comportamental enriquecida pela experiência clínica dos autores
O livro tem duas partes uma para clientes e outra para terapeutas com análise de situações e exercícios práticos.

Atendimento Psicológico em Clínicas-Escola
Edwiges Mattos Silvares (org) ,
Ed Alínea, SP (2008)

Questões relacionadas com o atendimento Psicológico com crianças, adolescentes e adultos.
Na sequência deste livro temos a investigação do IP da USP sobre as actividades das Clínicas-Escolas no Brasil e em Portugal ( um dos nossos projectos conjuntos).

Adoro Odiar o meu professor
António Zuin
Autores Associados SP (2008)

O alunos entre a ironia e o sarcasmo pedagógico
Reacções sarcásticas dos alunos, ou como eles aprenderam muito bem a lição dos seus mestres. “O ressentimento dos alunos em relação aos seus mestres que os “educam” pelo sarcasmo não se reduz a um momento isolado”.

Psicologia das habilidades Sociais na Infância e na Adolescência
Zilda e Almir del Prette
Ed Vozes, Petrópolis (2006)

Numa Psicologia do Desenvolvimento em algumas áreas formatada pelo modelo adulto, aqui temos competências especificas do desenvolvimento da criança e adolescente: auto-controlo e expressão emocional, civilidade empatia, assertividade, solução de Problemas interpessoais, Fazer amigos, Competências sociais académicas

A representação do Eu na vida Cotidiana
Erving Goffman
Editora Vozes 8 ed (1975, ed original 1959) (encontrado num SEBO em S.Paulo, velhinho mesmo!)

Cenário e a Fachada: aparência e modo relacional (“invólucro externo”)
Regiões e comportamento regional
Comunicação imprópria
A arte de manipular a Impressão

Psicologia da Saúde: Pesquisa e Prática
Maria Cistina Miyazaki, Neide Micelli Domingos, Nelsom Valério
( 2006) THS Abrantes , SP

Reflexões sobre as modalidades, as vantagens, as experiências, as dificuldades do trabalho pluridisciplinar na clínica Hospitalar e na prestação de serviços à comunidade, com especial foco no trabalho do Psicólogo numa equipa de saúde. Oferecem interessantes contributos na área do aconselhamento pré-operatório (com um manualzinho para crianças “eu vou ser operado!”, diabetes, cancro, epilepsia, ACV, AVC, obesidade infantil, VIH, crianças infectadas com VIH, transplantes, stress em estudantes de Medicina (estudo de consequências como abuso de substâncias, dificuldades na relação interpessoal, depressão, suicídio).




Abigail e as mulheres " sem voz"!

Encontrei o catalogo de uma exposição de pintura que vimos ainda do Rio. Uns quadros de cores e formas agradáveis (uns mais bem conseguidos do que outros), todos num estilo consistente.
Figuras de mulher, ao estilo anos 20, chiques mas inexpressivas.

A pintora, de nome próprio Abigail (a evocar o árabe, não fora os restantes nomes, entre o indiano e o alemão).
O folheto que acompanha esta exposição de pintura, traz um texto, esse sim assustador, a transparecer problemáticas que gostaríamos de julgar extintas.

O silêncio – Abigail Vasthi Schlemm, 2008

“(…) Nunca pretendi interferir, nem remotamente nos destinos da humanidade. Com a minha arte somente procuro a beleza e a poesia possíveis.

Minhas personagens, às vezes, se confundem comigo. São concentradas, quietas, caladas, fora do ar e do tempo, como quem já não espera. Quase sempre estão de costas para o mundo. Seu universo é pessoal.

Mas elas são instigantes, envolvem, provocam, seduzem. seu silêncio é profundo, patético e profético. Seu silêncio é o silêncio que denuncia a ausência das mulheres na história da humanidade”

Esta descrição corresponde exactamente ao oposto do que se advoga para a promoção da igualdade de género e do bem-estar interpessoal: estas mulheres silenciosas e passivas, quiçá manipuladoras!

De Campo Grande a Campo Grande III


Ainda os Jogos Para-Olímpicos- Excertos da opinião de um especialista, que esteve em Beijing


Jogos Paralímpicos e Inclusão

"Tive oportunidade de assistir em Beijing à abertura e a algumas competições dos chamados Jogos Paralímpicos.
Os meus comentários são inumeráveis mas gostava de regressar a uma conversa que tive com um amigo meu antes de partir.
Em síntese ele perguntava-me “ o que é que uma competição que se passa só entre pessoas com deficiência ( e destas só com algumas deficiências dado que as pessoas com deficiência auditiva ou intelectual não participam) tem a ver com o movimento da Inclusão”? . (….)

1. Antes de mais as pessoas com condições de deficiência (PCD) são rejeitadas para efectuar práticas desportivas (sejam elas de rendimento ou de simples manutenção) em estruturas "regulares" (digo "regulares" entre aspas porque uma estrutura que assim segrega as PCD parece-me muito mais "irregular"). (…)

2. Os Jogos Paralímpicos celebram a diferença e valorizam o desempenho de pessoas que em condições adversas conseguem desempenhos espantosos. Desafiava os meus leitores a se informarem qual é a marca que uma pessoas amputada do membro inferior salta em altura.
Trata-se aqui não de valorizar só a performance humana (um corpo como uma magnífica máquina) mas de valorizar o que é possível fazer face a uma circunstância. Assim, o desporto Paralímpico abre novas perspectivas sobre as possibilidades humanas. Talvez antes desta organização existir não soubéssemos que se pode nadar sem braços ou sem pernas ou mesmo sem uns e outros. (…)

Mas que fique claro: não foram as PCD que se colocaram "à parte": elas foram colocadas à parte e quando se organizaram para poderem ter acesso à prática desportiva e à competição, assim mesmo nos dão exemplos de abertura e de solidariedade.

Prática desportiva não segregada? Sim, vamos a ela, mas não esqueçamos que vai implicar um novo conceito de desporto. Um desporto que se assuma diverso como a humanidade, que recupere os valores lúdicos e que se desenvolva mais numa linha horizontal do que numa hierárquica pirâmide.

Os Jogos Paralímpicos são assim uma celebração da diferença e são uma prova cabal que o termo "deficiente" ("não eficiente") sempre foi um disparate e um anacronismo. Bem-vinda pois a mediatização dos Jogos para abrir as bocas e os corações. (E sabem que pessoas sem braços comem, na China, o seu arroz com os pauzinhos manuseados pelos pés?)"

David Rodrigues

De Campo Grande a Campo Grande II

Bolívia, via a colega em Portugal que mais sabe de NTI

terça-feira, 16 de setembro de 2008

De Campo Grande a Campo Grande




Os Jogos Para-Olímpicos acabaram . Faltam-nos informações sobre a equipa Portuguesa. Deixamos aqui os parabéns à equipa Brasileira, 9 º lugar, 18 medalhas de ouro, 47 medalhas no total. Aqui (finalmente) deu meia página de um jornal, e várias noticias na Televisão.




Morreu Richard Wright dos Pink Floyd e de repente recordo mentalmente o Dark Side of the Moon, que havia lá em casa em versão LP (claro!), e as discussões com o meu irmão que clamava ser ele o proprietário (a propósito “Wish you were here”!)

Era deles a canção que dava como finda a noitada de uma das discotecas muito em voga em Lisboa nos anos 80 (seria o “Jamaica” ou o “Bolero”?), e a visão do Tita, ao rubro, a esbracejar e a gritar “teachers! leave the kids alone!”

O caminho para a Bolívia

A presidente do Chile, Michele Bachelet convocou os chefes de estado da UNASUL / OEA (União das Nações Sul Americanas e Organização dos Estados Americanos) para uma reunião em La Moneda (Santiago do Chile) para debater alternativas e evitar a crise na Bolívia.
Evo Morales foi explicar a situação e obteve completo apoio internacional, na América Latina.
Por aqui ninguém quer uma guerra. Ninguém quer um país dividido.
Hoje com o regresso de Evo Morales à Bolívia esperamos o desenrolar dos acontecimentos.

Quanto a nós, encontrámos uma solução. Vamos tentar atrasar a ida para La Paz, até à última data, correspondente à ida ao Congresso.
Para isso vamos oferecer-nos uns dias de férias no Pantanal e depois vamos pelo Sul, para Asunción no Paraguai (16 horas de onibus!), em vez de entrar directamente na Bolívia.
Dia 26 resolvemos: ou vamos de avião para Cochabamba, já na parte ocidental, e daí para La Paz, ou desistimos de vez e vamos directos para o Peru.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

De S. José do Rio Preto a Campo Grande


O interior do Brasil. Vista de uma pequena vila ao nascer do sol, tinta da china sobre grafite sobre papel ( tentativa desesperada num onibus aos solavancos)







Mesma vista, agora ao pôr do sol, adivinhe-se os materiais usados...







Polémica à volta do desenvolvimento e preservação socio-cultural.








Loja Maçônica Oriente Maracaju, em Campo Grande







Saída de São José do Rio Preto pela noitinha e chegada de madrugada a campo Grande no Mato Grosso do Sul.
O Inverno aqui tem oscilado entre 30 e 38 graus, ficando-nos a questão de como será o Verão. Mas hoje durante toda a noite trovejou imenso e a temperatura chegou aos 13 graus, acompanhada de chuvinha à chegada a Campo Grande. Por aqui, para fugir aos roteiros mais tradicionais, o modo de viajar é o onibus-executivo, com lugares largos tipo primeira classe de avião, reclináveis a fazer cama, com “banheiro”… barato e muito repousante…

Estamos agora em Campo Grande, a estudar percursos alternativos para atravessar a Bolívia, e mesmo a ida de avião para La Paz, para não deixar a organização do Congresso "pendurada", mesmo isso se torna cada vez mais remoto…

Num primeiro passeio deparámo-nos com dois pormenores curiosos, um grande outdoor a questionar “Para valorizar as etnias é preciso desacelerar o desenvolvimento?”. Tentámos aprofundar esta questão misteriosa.
Justamente num dos últimos números do jornal “ A Folha de São Paulo” este assunto foi abordado num debate tipo o nosso “ Prós e Contras”.
O Brasil tem tido um enorme crescimento económico, neste ano o PIB aumentou quase 6%.
A questão é se este desenvolvimento acelerado, que terá as suas raízes em vários factores entre os quais a exploração petrolífera, tornará não-sustentável a valorização das minorias étnicas no País. O outro lado da questão é alegadamente a vantagem de manter esta parte da população pobre e iletrada.
Como é costume nestas polémicas polarizadas, ambas as correntes de opinião não conversam procurando convergências, e rebatendo os argumentos da outra parte, por isso, para um outsider como nós até parece que cada parte está a falar de um assunto completamente diferente, ignorando a argumentação opositora!

Depararamos mais tarde com um bonito edifício térreo, que ostentava na fachada um baixo relevo com as palavras “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” e um cartaz na porta de entrada onde enunciava ser ali a sede da Loja Maçónica Oriente Maracajú , fundada em 1921 e Juridiscionada à Sereníssima Grande Loja Maçónica do Mato Grosso do Sul.

Em Campo Grande tivemos o privilégio de visitar, mesmo nu último dia a primeira Feira Internacional de Artesanato e Decoração Artesanal, com representações de 19 países e 16 estados Brasileiros (Feira Internacional de Artesanato). Portugal estava representado pelos verdadeiros e tradicionais pastéis de Belém, confeccionados no Brasil desde 1935, mas que não vimos porque estavam esgotados, pastéis de Santa Clara (penso que são os da minha terra natal, Coimbra, mas não reconheci…) e os pastéis de Tentúgal na sua versão original e com sabor a maçã (?).

Ainda o caminho para a Bolívia

No Público que consultámos esta manhã não vimos notícias sobre a Bolívia. No entanto por cá ouvimos esta manhã na televisão, que o exército avançou numa tentativa de controlar a situação.
Os opositores de Evo Morales desbloquearam as estradas, e um dos governadores de uma das províncias revoltosas foi detido, o das províncias revoltosas reuniram-se e falam de “ditadura”. Evo Morales apela à serenidade fala de interesses económicos com o apoio dos Estados Unidos e pede ao Brasil que não deixe entrar na Bolívia milícias brasileiras. Registaram-se mais mortes entre a população.
O Presidente Lula foi hoje aceite por ambas as partes como interlocutor e viajou já para o Chile para iniciar esta missão.

Por cá estamos a ver como sair de Campo Grande para Asunción, e como ir de Asunción para o Peru, mas ainda não perdi a esperança de voar para La Paz dia 28, se as coisas serenarem. Ainda iria a tempo de alguma participação.