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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

De Montevideu a Dayman


Último fim-de-semana da nossa viagem.
Dentro de uma semana estaremos de regresso a Portugal, depois de quatro intensos meses de ausência.

Um dia nas termas”, parece um dos álbuns dos Queen.
Em Dayman, Uruguai, a água termal sai a 42 graus e é especialmente útil para doenças reumáticas.

O complexo termal de Dayman tem várias piscinas interiores, outras ao ar livre, todas “a ferver”, tem jactos para banhos dinamarqueses, suecos, finlandeses, escoceses…, tem sauna, jacuzzi, banho turco, massagem, limpeza de pele e tratamento facial.
Acesso sem restrições, tudo incluido por 30 euros por dia. Vale a visita!
Não sei se tem efeito anti-reumático, mas sim, relaxa os músculos das costas e ombros, crispados por estes vícios informáticos e numa perspectiva de saúde positiva é saudável sem dúvida.

Entretanto aqui fica o primeiro “ fruto palpável “ da colaboração com a América Latina que tenho querido fazer nesta viagem.
Incluo o resumo da minha participação no I Congresso Luso- Brasileiro de Psicologia da Saúde (há poucos dias deixei o link), que vai ocorrer no início de Fevereiro em Faro, e vai ser uma comunciação conjunta de colegas Portuguesas, Argentina e Chilena.


Situação e Perspectivas da Saúde Sexual na Adolescência, em Portugal e na América Latina

Margarida Gaspar de Matos, PhD (1) ; Mónica Borile, MD (2); Electra Gonzalez, MA SW (3); Marta Reis, Msc (4); Lúcia Ramiro, Msc (5) & Equipa Aventura Social

(1,4,5) Projecto Aventura Social - Faculdade de Motricidade Humana / Universidade Técnica de Lisboa e Centro da Malária e Doenças Tropicais, Portugal,
(2) Ministerio de Educación de la Pcia de Río Negro. Escuela de Medicina, Universidad Nacional del Comahue, Argentina,
(3) Centro de Medicina Reproductiva y Desarrollo Integral del Adolescente, Facultad de Medicina, Universidad de Chile, Chile.

Abstract
The increase in STI’s, unplanned pregnancy and other risks related to sexual activity is responsible for selecting young people as an important target group for intervention in terms of sexual and reproductive health. Sex education aims at developing and training attitudes and skills in young people so as to enable them to make well-informed and healthy decisions (GTES, 2005; 2007; 2007a).
The analysis of the Portuguese results of the HBSC/WHO study (Currie et al., 2004; Matos e equipa do Projecto Aventura Social & Saúde, 2006) highlights the existence of multiple risk and protection factors that determine sexual risk behavior in adolescents.
This suggests that sexual education should focus on preventive interventions, both universal, including the subgroups related to school life such as school professionals, family and peers, and selective strategies delivered to the subgroups identified as "at risk".
This work examines similarities and differences between Portugal and Latin America as a result of the first author’s sabbatical leave. It also gives insight on its consequences in terms of Health and Education policies regarding adolescents mainly in the area of sexual and reproductive health.
Further details of this period may be read in www.umaventurasocial.blogspot.com.

Key words: Sexual Education, Sexual Behavior, Young people, health and education policies

O projecto é agora ampliar esta síntese incluindo também participações de colegas da Bolívia, Brasil, Peru, Paraguai e Espanha.
As temáticas em análise serão "A sexualidade, saúde sexual e educação sexual" por um lado e por outro "A violência, a provocação entre pares, a violência associada ao género e a educação para a convivência não violenta".

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

De Montevideu a Montevideu XII


Saúde e Saúde Mental na América Latina

Já aqui há semanas referi dois livros editados pela AASM (Associação Argentina de Saúde Mental) compilados a partir de uma selecção de apresentações. O Congresso de 2007 teve como Tema “ O mal-estar do quotidiano” e o de 2008 “Modernidade, Tecnologia e Sintomas Contemporâneos

DROGAS, ALCOOL E…
Fala-se da cyberdependência e de realidades virtuais (http://www.ivcf.indiana.edu/ ; http://www.marianoacciardi.com.ar/ ), considerando-se os actuais adolescentes “nativos digitais”. Este facto seria até vantajoso para a sua sobrevivência, não fora levar a um problema de falta de figuras de referência no mundo dos adultos, tidos como incompetentes e inúteis e, claro, o excesso que os limita em termos de tempo e motivação para outras actividades .
Parta além da cyberdependência, há outras dependências “sem substância”, chamadas “sócio-dependências” (jogos de azar, sexo, trabalho, medicamentos, exercício físico, etc.).

Um foco especial para o consumo de substâncias nos espaços “pré-boliche” (antes da ida para a discoteca), onde se consome mais barato. Estes consumos são apresentados como uma “produção emocional” que, tal como a “produção física”, ajusta o estado de ânimo para a noite, condição “sine qua non”, para que a diversão ocorra. ( http://www.hugomiguez.com.ar/) . Fala-se de cultura adolescente “cool”, indiferente e sem desejos.

ADOLESCENTES, ESPELHO DE UMA EPOCA?
No fundo cada época nos mostra os seus mal-estares, e a pós-modernidade, diz-se habitualmente caracterizada pelo individualismo, pelo excesso, pela perca da perspectiva do passado e do futuro com uma concentração de energia no futuro imediato e, exactamente, pela indiferença.
Os adolescentes pós-modernos são vistos como dotados de um “não-desejo”, de uma indiferença.
Mas, curiosamente, a juventude é um espelho onde cada sociedade descobre as suas falhas (como que caricaturadas pela vulnerabilidade deste grupo, socialmente menos experiente, na sua pré-entrada na vida adulta...)
Se estamos numa sociedade que apela ao individualismo e onde há uma erosão do sentimento de pertença e uma centração no presente, que faz perder o sentido da continuidade histórica dificillmente podemos " produzir" adolescentes solidários, enraizados e com um sentido de percurso de vida .
Fala-se agora de “cidades à escala humana”, de “comunidades à escala humana” e da necessidade de que escola e hospital encontrem “o seu factor humano”. ( http://www.clacso.org/ ; http://www.caritas.org.ar/).
Os nossos adolescentes serão, como em todas as outras épocas históricas, o produto do seu ( nosso) tempo!

A SAÚDE E A EDUCAÇÂO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE E DA EDUCAÇÃO
Curiosamente falou-se muito “dos tratadores e educadores” : da saúde e da saúde mental dos profissionais de saúde e de educação que, sujeitos a um stress relacional na interacção em situações adversas com os doentes ou com os alunos, apresentam frequentes sintomas de “burn-out” com impaciência, agressividade, irritabilidade, insónia, absentismo, depressão, abuso de medicamentos psicotrópicos, somatizações, consumo de drogas e de álcool.
Pelo efeito devastador que tem nos profissionais e na sua população alvo, sugere-se uma prevenção na formação, grupos de supervisão ou de monitorização tipo “Coaching” ou “Balint”.
Lembrei-me que, quando do 11 de Março em Madrid, uma equipa de psicólogos de intervenção em crise trabalhava com vítimas e pessoas afectadas pela catástrofe e, à noite, as equipas de psicólogos tinham por sua vez ajuda psicológica para gestão do stress situacional.
Se nos lembrássemos disto mais vezes quiçá poderíamos evitar tanta gritaria nos corredores das escolas e dos hospitais!

VIOLÊNCIA ENTRE PARES; VIOLÊNCIA FAMILIAR E ABUSO SEXUAL
Falou-se do acosso laboral, da provocação entre-pares (“bullying”), da violência familiar em especial sobre menores e sobre as mulheres e do abuso sexual.
Para todas estas formas de violência sugere-se processos de detecção/identificação das situações, a capacitação das vítimas e a mudança das culturas institucionais ou da cultura da comunidade próxima.
A violência e o abuso na família remetem por vezes a 3 e 4 gerações anteriores pondo em causa tudo o que se diz sobre vinculação, modelação, monitorização, desenvolvimento pessoal! Justificam programas de prevenção da “violência no namoro” onde se trabalham sinais precoces que poderão levar a violência em fases posteriores.
Mas os recursos pessoais são muitas vezes insuficientes face a realidades tão complexas e torna-se necessário pensar mudanças culturais e legais.

CONVERSAS "VELHAS DE 30 ANOS"
Para atender necessidades locais, como conhecedores próximos da população alvo, aparecem aqui figuras como “Acompanhante terapêutico” e “Agente comunitários de saúde") que podem ser pais, mentores, lideres comunitários, profissionais com curso profissionalizante (“amigos qualificados”) , mas. aqui como tenho vindo a dizer ,voltam as “conversas velhas de 30 anos”: então não eram estes os agentes da “Community-based health”?, dos “mentores”?, “da Educação entre-pares”?
Uma vez mais se insiste nas Políticas Municipais como revitalizador (ou complemento) das Politicas Nacionais, e na importância do trabalho de inovação a partir de pequenos grupos empenhados, mas do perigo de desgaste a que estão sujeitos grupos de intervenção que trabalham sem condições e da necessidade de políticas sustentadas.

PROTEGER A SAÚDE? NOVOS “ESPARTILHOS” ou NOVAS “DEPENDÊNCIAS”?

Uma referência à protecção da saúde e à prática da actividade física, com uma ressalva que tem a ver com a emergente ameaça de uma dependência do exercício, outra ressalva com o facto das politicas de promoção da Actividade Física para adolescentes se basearem em modelos infantis ou adultos não entendendo o papel da actividade física para um adolescente em fase de elaboração formal do pensamento.
Uma vez mais, o risco de que os “promotores de saúde” apareçam com efeitos contra-producentes, gerando demasiada obsessão à volta de temas de saúde (o exemplo claro são os excessos de zelo nos comportamentos a promover: actividade física e hábitos alimentares).
Enfim, como dizia alguém, algum bom senso tentando encontrar "a saúde dos valores médios e culturalmente relevantes".

Sublinha-se também que para o estudo e promoção do exercício (ou de hábitos alimentares saudáveis?) se tem de ter em conta factores físico, psicológicos, sociais, políticos, técnicos e tácticos (e não só um destes factores, o que tende forçosamente a acontecer se a equipa não é pluridisciplinar).

ESCOLA E FAMÍLIA
Muito foco no trabalho nas escolas. Em espanhol a palavra “taller” é interessante porque dá a ideia de um espaço fecundo mas participativo.
Talleres” então com pais, alunos e professores pedindo participação na criação e manutenção de “espaços saudáveis” na escola e na família. “Talleres de projectos pessoais
Fala-se de Educação para a saúde, formação de agentes multiplicadores de saúde e de programas de promoção da mudança a nível individual e institucional. Porque educar é influir e promover a auto-motivação, a auto-monitorização, a auto-mudança (não é, apenas, ensinar).
Fala-se de programas baseados na epidemiologia e no estudo de determinantes e na avaliação de programas, defendendo-se a ligação da investigação à intervenção.

Na Argentina a Educação Sexual Integrada é já obrigatória, com carácter de transição nos próximos anos… Tenho vindo a escrever sobre a frequência da gravidez na adolescência, da violência no casal, do abuso sexual a exigir estas medidas sem atraso.
A educação para a saúde incluirá a sexualidade, a prevenção da violência e dos consumos, e os direitos cívicos, cidadania e participação social.

(Em Portugal … ai não! nem me digam que vamos um dia destes começar tudo de novo!)

Muito foco também no trabalho com famílias, tanto do ponto de vista de “ponte para chegar aos filhos” como da criação de ambientes saudáveis e contentores, como ainda do ponto de vista ao apoio aos pais no seu papel paterno (http://www.acciondigital.com.ar/; http://www.blockcenter.com/): ser pessoalmente competentes e mudar envolvimentos.

POBREZA e MISERIA

Falou-se muito da patologias da pobreza, não só no acesso à saúde e à educação, como na valorização da saúde e da educação face a necessidades mais prementes de subsistência mas ainda de factos que podem perpetuar a pobreza: a gravidez na adolescência, o abandono escolar e a desnutrição (com as suas consequências na saúde e no desenvolvimento cognitivo).

OS VIRUS MAUS , QUE VÊM SEMPRE “DE FORA”

Curiosamente na área da prevenção do VIH, as crenças negativas e a discriminação no seio da população mexicana, está por vezes associada ao migrante que regressa depois de um período no estrangeiro (Estado Unidos).
Numa comunicação chamada “O vírus que veio do Norte” revi uma realidade que já percebi em Angola onde o VIH, diz a “crença”, também veio de fora, desta feita do Congo.
Este atribuição ao “out-group” de características negativas e perigosas tem o efeito de securizar o “in-group” contra o perigo.
Estamos a adivinhar o perigo deste teorização da Psicologia Social, quando se trata da prevenção do VIH…

PLURIDISCIPLINARIDADE, REFLEXÃO ALARGADA E DEBATE DE IDEIAS
Num pais fortemente dominado pela Psicanálise vejo aqui um claro apelo ao alargamento de grelhas de análise e estabelecimento de diálogo com uma perspectiva sócio-cognitiva, humanista, inter-pessoal e cognitivo-comportamental; há ainda um forte apelo à formação, investigação e avaliação. Finalmente, melhor ainda, na Argentina a saúde mental foi eleita como ”O” conceito abrangente englobando diversas especialidades enquanto “pares”.
Três sinais quanto a mim promissores.

AO DR. EDUARDO GRANDE
Deixo no fim destas notas soltas um apelo ao Dr. Eduardo Grande, Presidente da AASM, para que nos dê o prazer de o ler em breve, numa reflexão pessoal e histórica sobre a evolução da Psicopatologia e Psicoterapia na Argentina e no mundo, deixando-nos partilhar da sua vasta experiência e reflexão nesta área.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Notícias para Portugal
























Ao Vítor com amor e reconhecimento

Vitor

Ainda estou em Licença Sabática aqui na América Latina. Esta América Latina que sei que tanto aprecia e que por seu lado tanto valoriza o seu trabalho e lhe presta o tributo que Portugal sempre tem esquecido.
Por ironia pedem-me agora para escrever um texto, por ocasião da sua jubilação, um texto para um livro de homenagem.

Eu por mim teria preferido que esse livro tivesse visto luz há 30 anos, e sob a forma de acções concretas, possibilitando-lhe uma carreira ainda mais fecunda, sem dissabores evitáveis e sem dispersão de energia emocional e cognitiva.
A nossa Faculdade não teve grande visão, tão pouco apoio lhe foi dando!
(Será um problema local isto de se apostar frequentemente “no cavalo errado”?)

O meu texto sobre si? de si digo o melhor: um jovem pai, um irmão mais velho, um amigo, um colega, um mestre, um estudioso feroz, um homem persistente algo desiludido com tanta pedra no caminho e porque tanto lhe dificultaram ter asas e voar.
Dizia-me com frequência: “eu sou o arco, vê tu se consegues ser a flecha que ultrapasse esta selva”.
O Vítor é e sempre foi um “Não-situacionista” e eu, para o melhor e para o pior, "herdei" isso de si com muito orgulho.
Não sei se vou conseguir ser “flecha” porque as Instituições, óh Vítor, são assim mesmo, asfixiam sempre os “Não-situacionistas” e preferem “Yes-persons” onde se apoiam para sobreviver. A ironia, Vítor, é que são mesmo essas “Yes-persons” que não deixam as Instituições evoluir e as condenam ao imobilismo.
O Vítor foi até onde pôde, contra esta abulia Institucional.
E deixou muito caminho facilitado para nós.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

De Montevideu a Montevideu XI





O que o Dr Pons não me disse, foi que tinha acabado de publicar um livro.


Esse livro, dei com ele numa livraria muito bonita, na Rua 18 Julio, mesmo a chegar ao jardim onde há sempre música para se dançar na rua, e onde se vêem sempre uns casais “mayores” a dar uns passinhos mais ou menos aficionados.

O livro “El Sexo que Cambio la História” ( o cómo las cosas que a veces suceden a las mujeres pueden lhegar a alterar la historia de reyes, emperadores y algunos prójimos no tan pomposos) lê-se com agrado e surpresa e recomenda-se a médicos, médico-ginecologistas, historiadores, psicólogos, outros profissionais de saúde, professores,.

Do prólogo de Ricardo Pou- Ferrari ( pp11) “ Obertura para un erudito divertimento histórico ginecotocológico, escrito en clave de humor, destinado a galenos y pacientes ( para leer o escuchar) "

No epílogo ( pp 302) escreve o autor “ Hemos llegado al final de esta visita a hechos sexológicos, ginecológicos y obstétricos que tuvieram incidencia en la historia de la humanidad




Pelo meio, histórias que prendem o nosso interesse. re-colocam o nosso pensamento numa perspectiva de espessura temporal e que nos deixam deslumbrados pela paixão do autor, aparentemente desde pequeno, segundo nos conta, quando se auto-cita num trabalho não publicado.

O livro foi editado no Uruguai pela Planeta com data de Novembro de 2008. A correspondente em Portugal é a D Quixote.


De Montevideu a Montevideu X


Contactei o Prof Dr Enrique Pons aqui em Montevideu, depois de o ter ouvido no Congresso Latino Americano de Ginecologia e Obstetrícia em Mendoza (Argentina) no mês passado.
O Dr Enrique Pons é Professor Catedrático de Ginecologia e Obstetrícia da faculdade de Medicina do Uruguai e dirige a Clínica Ginecotocológica do Hospital Pereira Rossell de Montevideu, que é também um Hospital Universitário. Foi presidente da ALOGIA (Associação Latino Americana de Ginecologia de Infância e Adolescência), do centro Latinoamericano de Saúde da Mulher (CELSAM) e de várias Sociedades nacionais na área, nomeadamente a Sociedade Uruguaia de Ginecologia da Infância e Adolescência (SUGIA) e Sociedade Uruguai de Saúde Sexual e Reproductiva (SUSSR).

O Hospital Pereira Rossell é um complexo hospitalar vasto, que se deve a um milionário que morreu sem descendência e o doou, com a expressa instrução de que teria de ser para um hospital (assim não pode ser loteado e vendido “ a retalho”)
Aqui diz-se “o Hospital de mulheres e crianças” enquanto que o Hospital das Clínicas é “o Hospital de adultos”.

O Hospital tem um internamento onde as jovens parturientes têm os seus bebés e onde se lhes fixa um internamento maior, para se aproveitar esse tempo para a “ prevenção da segunda gravidez”, algumas são muito jovens, diria 13-14 anos e algumas estão acompanhadas dos seus parceiros, muitos também muito jovens (os mesmos 13-14 anos).

As jovens mamãs têm quartos individuais para uma melhor atenção e cuidados individualizados. Segundo o Dr Pons, quando chegam ali têm o melhor atendimento durante a gravidez e parto. O problema é a prevenção, da primeira gravidez não planeada e da segunda. Até porque muitas vezes é mesmo planeada. Por exemplo se o parceiro da jovem mãe se afasta no processo da gravidez, o parceiro seguinte muitas vezes clama um filho, podendo depois por suas vez afastar-se.
Assim vê-se por vezes mães adolescentes com 2-3 filhos de pais diferentes. Entendem que 2-3 filhos na adolescência dificulta a concretização de sonhos de vida individuais, mas a verdade é que muitas vezes não há mesmo sonhos para além de alimentar um envolvimento afectivo pontual. O serviço de atendimento de saúde integral a adolescentes é pluridisciplinar e inclui ginecologistas, pediatras, enfermeiros, psicólogos, trabalhadores sociais, parteiras.

No Uruguai a Ginecologia infanto–juvenil é também uma especialidade própria com formação especifica e uma Associação Nacional (SUGIA) , tal como nos outros países da América Latina (e mais recentemente na Europa, quem diria!) .

A questão da violência doméstica e abuso sexual também aqui é um assunto de destaque, havendo várias dinamizas no sentido de apoiar sócio-economicamente, culturalmente e do ponto de vista logístico o “reporte”.

Conversar com o Dr. Pons flui, muito agradavelmente. As suas preocupações antropológicas, históricas, culturais, sócio-económicas e psicossociais transcendem em muito o habitual na carreira médica. A sua vasta experiência dá-lhe uma visão abrangente e perspectivada no tempo e no espaço sócio-histórico.

Voltei à minha preocupação com as “conversas velhas de 30 anos” e de como passar a uma prática que leve a mudanças sustentadas, agora que tantos problemas já estão identificados junto com as suas determinantes sociais.

Identificámos as necessidades " universais:
-de melhor gerir o que há: recursos materiais e recursos humanos. As soluções “de cima para baixo” nunca chegam a tempo e perdem-se muitas vezes nos confins da inércia burocrática, por outro lado organizações que se formam para agilizar a acção, muitas vezes perdem-se no balanço entre interesses internos e públicos.

-de avaliar e disseminar boas e más práticas para não partir sempre do zero nem repetir erros.

-de intervir precocemente para se obter mudanças de mentalidades uma vez que muitos problemas, como o abuso físico e sexual se radicam numa tolerância e até incentivo do grupo familiar e social.

-de formar profissionais para trabalhar na prevenção, na detecção, no encaminhamento e na intervenção, não só a nível individual como do grupo familiar e social.



domingo, 7 de dezembro de 2008

De Montevideu a Montevideu IX














































Punta del Este

O "Descanso dos guerreiros” em Punta del Este, a afamada estância balnear do Uruguai.



Mas…então não é que era o Dia Internacional de Encontro de Motards de Harley Davidson e, cumulativamente a o Grande Prémio 2008 de TC2000 de Punte del Este.
O que seria a sorte grande para alguns foi para nós, um pouco um barulho infernal…

O que vale é que está sol! E fica-nos a Praia Mansa porque a Praia Brava, foi fechada pelo circuito dos TC2000.

Não resistimos e lá fomos ver as corridas, e conseguimos fotos!


O barulho dos TC2000 fez-me regressar à infância, quando nas tardes intermináveis de chuva, ou mesmo nas tardes de sol, em alguns domingos, o meu pai e o meu irmão ficavam hipnotizados frente ao ecrã da televisão (ainda a preto e branco) por vezes entusiasmados, por vezes tensos e agarrados aos braços das poltronas com um “ ah!”, enquanto que os automóveis faziam voltas e voltas com aquele barulho característico tipo “melga a motor”.

A mim, esse barulho dava-me sono no Inverno e calor no Verão. Decididamente não era a minha vocação!

Deste tempo e destas corridas ficaram expressões como “julgas que és o Fanggio” ou, mais tarde “julgas que és o Fitipaldi” aplicadas aos nossos "sprints" de bicicleta à volta da casa, cada vez que alguma nossa queda espalhafatosa (em geral na curva pelo lado da garagem), nos levava aos primeiros socorros, entre sangue e gemidos!
As (reconfortantes) portas da memória que um som (massacrante) abre!


Notas:


1) A Leonor (Moniz Pereira) faz hoje anos!

Parabéns Leonor ! Quem me manda uma foto?

2) Inaugurámos hoje uma secção de "avaliação turistica" desta viagem (agora quase a acabar), pela selecção (na faixa lateral) de vários " Os Mais...". Enfim até à última hora pode haver alterações mas...

3) Incluímos hoje mais Fotos na "Cobertura Fotográfica", agora até à Argentina.

sábado, 6 de dezembro de 2008

De Montevideu a Montevideu VIII










Algumas fotos de Montevideu.

O “ postal” tradicional na parte antiga e uma vista do Rio da Prata, que separa o Uruguai da Argentina.
A parte antiga da cidade é muito bonita em estilos ao longo de todo o século XX. A sua praça central (Praça da Independência) é muito interessante do ponto de vista arquitectónico porque tem uma boa amostra de edifícios de todas as épocas.
Mas para quem adora água, a marginal, que aqui se chama Rambla, é uma avenida longa com edifícios e casas de qualidade, à beira rio.

O Dr. Juan de Mila, Director da Escola de Tecnologias Médicas da Faculdade de Medicina da Universidade da Républica, e Psicomotricista, no meio das actividades pós-Congresso e de uma valente gripe, ainda arranjou tempo para fazer connosco um giro e de nos proporcionar um almoça à beira-rio e uma amena cavaqueira sobre as problemáticas mais relevantes no Uruguai em matéria de saúde dos jovens e dos futuros projectos Ibero-Americanos.

De Montevideo a Montevideo VII




A arte acompanha as problemáticas sociais. Em Montevideu vimos e lemos sobre uma peça de Marinela Morena.

Jaula de Amor
Un proyeto sobre violência doméstica

“ El tema, como todos los temas espesos, cuando uno los abre les ve los infiernos desarmados y la infinidad de puntas”...

“ No sabemos amar. Nadie nos enseña, dependemos de la moda, el género, lo social, cultural, personal, sensibilidad, el trabajo.
Nadie habla cómo se ama, como se da, cómo se comparte, cómo es ser querido y no ser querido, como diferenciar romanticismo del control, celos de amor, sometimento de machismo.”...

“ La prensa habla de insecurudad en las calles. Hay peligro en las relaciones amorosas?

“ Es la historia de Juan y Maria, dos que se amaron sin saber hacerlo”...” uno que somete y el otro que desaparece”...
Marinella Morena

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

De Montevideu a Montevideu V


Mudar mentalidades a partir do dia-a-dia!

De Montevideu a Montevideu IV



O Hospital da Clínicas é um Hospital Universitário associado à Universidade da República , à Escola de Medicina, à Escola de Tecnologia Médica (www.fmed.edu.uy/) e ainda à Faculdade de Psicologia.


Orientei aqui um Seminário destinado a Médicos, Psicólogos , Psicomotricistas, Fisioterapeutas, Fonoaudiólogos, Enfermeiros, Trabalhadores Sociais e Professores com o tema " Educação para a saúde nas escolas: que formação para os técnicos de educação e de saúde: perspectiva Portuguesa e Latino Americana"

Do debate que se seguiu aparecereram os temas da violência doméstica, violência sobre mulheres, abuso sexual, gravidez não planeada e violência em geral.
Os participantes falaram de uma "cultura machista" que faz com que a violência doméstica seja tolerada, sendo a vítima por vezes criticada pelo seu próprio comportamento que "terá levado à violência", por vezes pelos seus próprios familiares.
E, claro as questões da confusão " amor-paixão-violência", as questões da dependência económica, afectiva e social ( até aqui igual em todo o lado, pela America Latina quiça mais frequente)
Referiram um programa destinado a alertar as jovens para sinais precoces preditores de violência do homem, ainda durante o namoro, no sentido de ajudar as jovens a proteger-se de futuras relações tóxicas.
Não há intervenções para ajudar as mulheres a afirmar-se na sua individualidade e a encontrar alternativas à esta convivência com cenários de violência, nomeadamente a nível económico, social e de realização pessoal; não se referiu por exemplo trabalho com as famílias e intervenção precoce no sentido de potenciar a comunicação e resolução de problemas inter-géneros e encontrar alternativas futuras (não-violentas) para o convívio no casal, ou alternativas indicuduas ( socio-económicas) para a jovem/mulher.
O problema é por aqui demasiado duro para ser brindado com soluções "simples", mas de momento o que se faz é incentivar a o reporte da violência e providenciar logística a curto prazo.

Outro problema, a violência na escola, esbarra com problemas logísticos indiscritiveis, quando se fala de salas onde os professores podem, em casos especiais ter 60 alunos uma turma e onde 40 alunos por turma, é habitual...
Os Professores do ensino público básico e secundário têm várias lacunas de formação, por vezes não têm formação superior, o seu papel social e poder económico tem sido desvalorizado, e assiste-se a uma grande desvalorização da carreira, grande demissão e abstentismo dos Professores ( onde é que já li e vi isto?)

De Montevideu a Montevideu III

Na chegada a Montevideu um atraso do avião não deixou nem ao menos que saudasse uma colega da Faculdade que aqui tinha estado a participar no Congresso Mundial de Psicomoticidade.

Na chegada ao hotel, o mesmo onde ela tinha estado, e nos dias que se seguiram quando trabalhei com algumas das pessoas que a ouviram no Congresso, ouvi referências muito elogiosas à prestação da Prof Dr Paula Lebre, que aqui veio falar dos seus projectos Europeus de Mentoria.
Fiquei muito feliz, como portuguesa, como colega e como amiga, da excelente representação da FMH na pessoa da Paula Lebre.
Parabéns Paula!