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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Do Rio a Lisboa





Lá se passaram 4 meses! Num instante…

Visitámos 7 países, várias Universidades, vários Hospitais, vários Centros de Saúde, várias Escolas, várias ONGs, vários trabalhos no terreno e, claro, conhecemos muitos lugares extra-laborais de um interesse turístico, cultural e vivencial impar.
Revimos colegas e amigos.
Conhecemos outros colegas e outros amigos.

Apesar das saudades da família, dos amigos e de alguns colegas… estamos até apreensivos com o regresso!

Regressamos a Portugal, hoje, sexta-feira 19 Dezembro!
Este blog “Aventura Social na América Latina”, neste formato, acaba aqui!

Vamos ainda continuar a incluir aqui os retornos que for tendo dos Países e equipas visitadas, na rubrica “ Notícias de…”
Continuaremos a incluir endereços em “ Interessante em…”, que espero que sejam útil para estudantes e profissionais de saúde e de educação.
Vamos ainda concluir a rubrica “ Cobertura fotográfica/turística”.
Este blog foi iniciado com “Os dias antes” e vai ter alguma continuação em “Os dias depois”.

Mas vai ser uma continuação muito, MUITO esporádica e MUITO dependente da existência de algo interessante para contar, da motivação para contar, e do tempo para redigir… logo…

Desta experiência do blog agradeço ao José Vítor Malheiros do PUBLICO a sugestão e o desafio, quando há 5 meses ouvi falar de “blogues” quase pela primeira vez.
Foi um grande divertimento, embora tivesse dado mais trabalho do que o previsto.

Desta “experiência sabática” agradeço:

- À FCT, a bolsa concedida,

- Ao CMDTla, o todo o apoio logístico e o apoio do Coordenador, Prof.Dr.Luís Tavira,

- À FMH, a equiparação a bolseiro e todo o apoio do Presidente do Conselho Directivo, Prof.Dr.José Alves Diniz,

- Às colegas da Equipa Aventura Social que fizeram com que a minha ausência não se notasse, em especial à Prof.Drª. Celeste Simões que "apagou muito fogos" na minha ausência, e à Drª.Tania Gaspar que acumulou o estatuto de “filha com mãe ausente” com a minha substituição em várias tarefas profissionais,

- Ao jornal português PUBLICO, a motivação inicial para este desafio “ bloguístico

- A todas as equipas e colegas na América do Sul, que tão bem me receberam e que contribuíram para tornar estes meses uma experiência única de riqueza profissional, cultural e humana.

Do Rio ao Rio VII




Último serão no Rio de Janeiro, jantar no Artigiano, em Ipanema com a Eliane Falcone (UERJ), o Bernard Rangé (UFRJ) e a Angela, já a preparar a sua visita a Portugal em Abril.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Do Rio ao Rio VII










O Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente (NESA) (http://www.nesa.uerj.br/) , pertence à Universidade Estadual do Rio de Janeiro ( http://www.uerj.br/ ) e ao Hospital Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro.

Festejou já os seus 30 anos e é considerado uma referência na América do Sul na área da Saúde Integral do Adolescente.

Oferece serviços de Atenção Primária em áreas como a saúde oral, a sexualidade, prevenção da violência, dos consumos, do VIH e DSTs, intervindo em centros comunitários, empresas e em especial na comunidade escolar, com uma equipa pluridisciplinar de médicos, psicólogos, enfermeiros, fonoaudiólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, cirurgiões dentistas, nutricionistas, promotores de saúde juvenis.
Desenvolve acções de ensino e formação, pesquisa e extensão comunitária.

Oferece ainda um Serviço de Atenção Secundária, um atendimento em ambulatório, no NESA, anexo ao Hospital Universitário Pedro Ernesto, a partir de profissionais com as mesmas especialidades.

Tem ainda um Serviço de Atenção Terciária, um internamento hospitalar para adolescentes de ambos os sexos entre os 12 e os 19 anos.
Neste Hospital, a equipa pluridisciplinar tem a mesma composição em termos de diversidade profissional e atende todos os adolescentes com excepção de situações de partos, e situações psicopatológicas graves.
Esta equipa nestes últimos anos tem construído os serviços de atendimento, investigação e extensão à comunidade através de apoio variados e em função dos vários projectos em que a equipa participou.

Editam uma revista em língua portuguesa “Adolescência e Saúde”, vários livros ( aqui uma vez mais a problemática da violência contra as mulheres e os menores e as questões do abuso sexual são temática que merece destaque e apresenta a maior popularidade nas publicações).

Enumero muitos outros projectos: o “Caras & Bocas” ( saúde oral) , o PSTA ( Programa de saúde do trabalhador adolescente), Projecto H ( Saúde de Homens Adolescentes) , Projecto Cidadania e Espaço Escolar, Projecto HIPERPAPO ( prevenção das doenças cardiovasculares e metabólicas na adolescência), Projecto Fala Jovem ( saúde na rádio), Projecto Comunicação e Marketing, Projecto Intergeracional, Projecto Treinamento e Capacitação.

A equipa é pioneira no Trabalho em Rede e na Tele-Medicina.
Oferecem um programa inovador para profissionais de treino em saúde do adolescente inserido no programa do Ministério da Saúde, inteiramente on-line.

A Profª Drª Evelyn Eisenstein (dotada de uma energia e entusiasmo impar) foi pioneira na criação deste serviço e deste conjunto de projectos de atendimento, formação e investigação.
O Prof Dr José Messias é actualmente o Director do NESA e partilha com a Drª Evelyn um entusiasmo contagiante e energético sobre a equipa, sobre o que pode ser feito “partindo pedra” em cada dia.
Um serviço modelar a merecer uma visita mais longa, e uma equipa bem humorada e cordabilíssima.

FIO CRUZ





A Fio Cruz é uma referência Internacional na área da Saúde Pública e da Medicina Tropical.
Ocupa um vasto espaço arborizado, no Rio de Janeiro onde ande era uma vasta fazenda.
Inclui vários Institutos de investigação e formação, um Hospital para investigação, um laboratório de produção de vacinas, um laboratório farmacêutico, a Escola de Saúde Publica, um Instituto Politécnico de formação de agentes de saúde, uma biblioteca...

Esta vasta Universidade tem ainda campus em outras cidades brasileiras.

O Instituto Osvaldo Cruz celebrou o seu centenário em 2000 tendo tido honras de uma publicação com o historial da sua génese e História.
Um dos editores deste volume memorável, é o Prof Dr José Rodrigues Coura, meu anfitrião nesta Instituição.

O Prof. Coura é uma referência mundial na área da Medicina Tropical com largo trabalho clínico e de investigação na Doença de Chagas.
Tem neste momento estudos e trabalhos de campo nesta área na Amazónia, onde tenta rentabilizar os recursos humanos da rede de estudo e intervenção na Malária para uma atenção complementar para a Doença de Chagas. Esta metodologia de gestão e rentabilização de recursos humanos para a saúde, está neste momento a ser seguida noutros países da América do Sul, sob a sua supervisão.
Tem ainda trabalho de formação e treino de técnicos de saúde e de professores, no Brasil e em Africa (CPLP e outros), e supervisão de trabalhos de pos graduação ( mestrados e doutoramentos)

Ficou já agendada uma visita mais longa para Junho 2009, quando eu voltar ao Rio para um Congresso.
Em carteira ficou um projecto de formação de pares, com jovens lideres na comunidade, no âmbito da Promoção e Educação para a Saúde, e um possivel projecto de Mestrado na área da Literacia na Saúde.

Falar com o Prof. Coura é um privilégio científico, cultural e pessoal. Espero voltar em breve!






quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Notícias do BRASIL




II SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE HABILIDADES SOCIAIS
Rio de Janeiro , 4 e 5 de Junho 2009


"Oi, Margarida.

Finalmente, o cartaz do evento. Clicando no site, ao final do cartaz, você acessa os detalhes do evento.

Eliane"




Clique aqui se não estiver visualizando este e-mail corretamente.


terça-feira, 2 de setembro de 2008

Do Rio a S. Paulo II












Viagem tranquila para S Paulo de autocarro (onibus).
Das localidades pelo caminho, registam-se os pormenores mais salientes: uma estrada lindíssima à beira-mar, uma estrada de montanha às curvas e contra-curvas (mas desta vez o condutor era sereno!), a multiplicidade de cartazes publicitando candidatos para as próximas eleições, e a tipologia dos serviços mais populares em cada localidade (cafés, drogarias e "Assembleias de Deus").
Da religiosidade da população falarei um dia, se me der a coragem, porque é sem dúvida um assunto fracturante, mas de importância nacional.

Das próximas eleições aqui vai mais um descritivo:
Afinal no acto eleitoral, quando se marcam aqueles números atribuídos a cada um dos candidatos, aparece a foto do candidato(a) e requer uma confirmação.

Na campanha eleitoral na televisão, faz-se um apelo sensato mas insólito “Não venda o seu voto, só assim pode impedir a eleição de maus políticos”.

As eleições por aqui, como por todo o lado, dão muitas notícias: O Globo anda a desenvolver a notícia da prisão de uma candidata por suspeição de vários ilícitos relacionados com o processo eleitoral.
Na leitura do jornal damos conta que alguns candidatos líderes de milícias, estão a ser investigados por suspeitas criminais, arrastando com eles forças policiais também envolvidas.
Muitas das suspeitas têm justamente a ver com processos vários de “compra” de votos. A televisão passa uns spots apelando para a resistência à extorsão.
As milícias apareceram como organizações locais de auto-defesa, num movimento de organização das favelas contra a liderança dos “narcos”.
Pelos vistos acabaram em muitos casos por se tornar organizações paralelas, que protegem a população mas a troco de pagamento, que robustecem, e cujos líderes pelos vistos também se candidatam às eleições.

Durante a campanha eleitoral, aparentemente há patrões que garantem despedimentos, outros garantem que molestam, outros optam por outra estratégia e prometem benefícios na terra ou nos céus….

Alguns obrigam a uma foto de telemóvel do acto eleitoral para confirmar o sentido do voto (o que é proibido), outros ameaçam que verão em quem cada um votou através de uma gravação local.
Os meios de comunicação social desdobram-se em afirmações que tudo isto é impossível. Mas a população tem medo!

Para dar uma nota construtiva um vereador de um município na zona do Rio de Janeiro, implementou, para promover a cidadania, a Câmara Mirim. Os alunos das escolas do município candidatam-se com autorização dos pais e são eleitos Vereadores Mirins do município, nos variados pelouros, pelos seus pares. A experiência iniciou-se com um mandato de um mês, mas espera-se que em breve venha a estender-se a um ano .

Que tal levar os nossos alunos a inteirar-se, interessar-se, estudar e ter uma voz, em relação aos vários problemas, de áreas diversas, dos vários Municípios, em Portgal?


Pormenor curioso para a chegada a S.Paulo ( já tinha acontecido no Rio) : há por todo o Brasil um sistema bem cómodo e seguro para os turistas e também para os locais: o táxi pré-pago.

Chegados a um aeroporto ou uma estação rodoviária, o viajante que não conhece a cidade não tem que se preocupar em fugir de um taxista desonesto ou incompetente. Há cabines ou quiosques de venda do serviço de táxi a preço fixo de acordo com o destino. Este serviço é cómodo e descansativo: o táxi não nos leva a fazer passeios imensos com o simples fito de uma corrida mais longa.
Porque será que não existe em Portugal?
Não estarão os Governos ou as Câmaras Municipais interessados em facilitar este serviço? Porquê?

domingo, 31 de agosto de 2008

Do Rio a S.Paulo

Angra dos Reis com sol















Angra dos Reis com forte chuva













A Casa do Bicho Preguiça






Um posto de trabalho que convida a ficar !












Para fim-de-semana escolhemos Angra dos Reis, desde logo avisados que “ era bonito, até quando chove”, e que chove muito…

Falemos primeiro do “transfer” que adjudicámos a uma agência turística, um condutor particular, de profissão condutor de ambulância, que na sua folga fez este serviço, para almofadar o parco orçamento mensal (aqui o ordenado mínimo é cerca de $400 reais (menos de 200 euros).

Não vou fazer a descrição desta viagem, deixando ao sabor da imaginação as emoções fortes possíveis num automóvel velhote, conduzido por um condutor de ambulância, exímio na técnica que os franceses celebrizaram com a expressão “queue de poisson”!...

Estes dois dias em Angra foram providenciais.
A Casa do Bicho Preguiça (Casa do Bicho Preguiça) pertence a um casal com 3 filhos.
Quando os filhos cresceram e saíram de casa, eles resolveram transformar o local numa pousada. Têm agora, nas suas próprias palavras, um desafio novo.
O local é um repouso para os olhos e um remédio para o stress residual.
Um serviço atento e familiar, onde nada falta mas, no entanto, nos deixam a ilusão de que estamos sós.
Bom para descansar...bom para trabalhar!

Do Rio ao Rio VIII













Numa folha qualquer,
eu desenho um navio de partida (…);
de uma América a outra,
eu consigo passar num segundo;
giro um simples compasso,
e num circulo faço o mundo.

Toquinho e Vinicius
(na parede do restaurante)


Contrariamente ao que aconteceria ainda não há 20 anos, todos os dias temos notícias de casa, via correio electrónico, SMS, telefone, SKYPE.
Todos os dias encontramos um ambiente de rede sem fios para enviar mais um texto a dar notícias.
Mesmo hoje ouvi em directo o Miguel a palrar, quando se dirigia para a sua festinha de aniversário, com quatro horas e todos estes milhares de quilómetros de mar de distância.

O tempo e a distância já não são o que eram, para o melhor e para o pior.
O exótico e a diferença ou a rotina; o convívio ou o isolamento, terão que ser reinventados. Esperemos apenas que o sejam numa boa direcção.

Hoje estive um bom tempo a falar com o Iago, um adolescente de 14 anos, filho de mãe brasileira e pai alemão, a viver em Munique e de visita ao Brasil.
O Iago nasceu na Alemanha e é nas suas próprias palavras, “um alemão, de coração brasileiro”.

Fiquei a ouvi-lo falar, em (bom) português, dos seus amigos em Munique: uns turcos, uns brasileiros, uns italianos, uns ingleses, uns franceses, outros alemães.

Comentava o Iago que alguns colegas às vezes eram arrogantes para os que consideravam estrangeiros.

Rematou em tom filosófico, do cimo dos seus 14 anos:

Ser arrogante, faz ficar com o coração frio, ou você muda, ou você vai congelar mesmo!

sábado, 30 de agosto de 2008

Do Rio ao Rio VI





















A encher de brios os nossos olhos lusos, deparámos com um jornal carinhosamente aberto, na mesa do “café da manhã”, acompanhado do olhar sorridente do nosso hospedeiro:
“Guardei pra vocês”.

O jornal O Globo está a fazer um concurso “ Cidades reinventadas” e hoje era justamente Lisboa “a fénix” renascida.

O argumento era triplo: a reinvenção do Chiado após o incêndio de 1988, em obra do Siza Vieira, a reinvenção da zona degradada de Cabo Ruivo após a Expo 98, e a reinvenção da zona ribeirinha Stª Apolónia -Algés, antes atulhada de contentores do Porto de Lisboa.

Já tínhamos reparado algumas coisas em Lisboa estão cada vez mais bonitas.
(Outras nem tanto, mas não somos nós que vamos contar…)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Do Rio ao Rio IV



RIO DE JANEIRO, 19/9/2008
LOCAL: Instituto de Psicologia da Universidade do Rio de Janeiro IP/UERJ

Temas:
Integração das psicoterapias cognitivas
Neurociência
Transtornos de personalidade
Terapia sexual
Transtornos alimentares
Transtornos do humor
Terapia na infância e adolescência
Dependência química
Habilidades sociais
Psicologia da saúde

Atividade prática: Supervisão ao vivo de casos clínicos

Para inscrição e mais informações consulte:
ATC-RIO

Realização:
Instituto de Psicologia da Universidade do Rio de Janeiro IP/UERJ
Apoio:
Sociedade Brasileira de Terapias Cognitivas e Casa do Psicólogo
--------------------------------------------------------------
A Eliane Falcone, psicóloga e professora na UERJ, é a promotora deste evento.
Parabéns por mais uma edição desta Mostra de Terapia Cognitivo Comportamental, esta é já a sexta !
Este ano não vamos poder estar presentes, mas já estivemos em anos anteriores e esperamos voltar.
Parabéns também por mais um número da Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, revista indexada e com peer review, onde enviamos regularmente os nossos trabalhos.
Este é já o vol. 3 (2). A Revista disponibiliza os artigos em:

Sociedade Brasileira de Terapias Cognitivas
Revista Brasileira de Terapias Cognitivas


Neste número temos publicado um artigo:

Práticas parentais educativas, fobia social e rendimento académico em adolescentes.
Inês Camacho
Margarida Gaspar de Matos

Abstract:
Parental educational practices and their implications on variables such as social phobia and academic performance are becoming increasingly interesting to researchers working in the Psychology field, due to the fact that these variables may influence the academic and social lives of children and adolescents. The aim of this research is to study the relationship between parental educational practices, social phobia and academic performance in adolescents. The study was conducted with 285 individuals (146 female and 139 male) of the 7th and 8th grades between the ages of twelve and fourteen. We used: demographic data questionnaire, QLP-A to evaluate parental educational practices, SPAI-C to evaluate social phobia. A questionnaire was also used to check for academic performance. It has been noted that there is a higher incidence of social phobia in individuals of the female gender. It has also been noted that teenagers whose parents give autonomy and care, show a tendency to have a better academic performance and also less probability of presenting social phobia. Teenagers whose parents give protection have a tendency to have social phobia and worse academic performance

Inês: Parabéns!

Comentários


 

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Do Rio ao Rio III














Restaurante-bar Jobi no Leblon, um botequin de Portugueses, típicamente Carioca.
Aqui discute-se a participação do Brasil nos Jogos Olímpicos, horas depois do ouro do volley feminino.
















O Centro Cultural Luis Gonzaga, em S.Cristovão, a celebração da cultura Nordestina.
Aqui, um conjunto "aplicado" de forró, a seguir-se a uma prova de carne de sol, carne seca do Nordeste.




Conhecer o cordel - José Mapurunga. SESC – Ceará, 2005

“Este trabalho tem como objectivo fornecer algumas informações sobre literatura de cordel, para que professores do ensino secundário possam melhor nortear os seus alunos nesta classe literária tão afinada com a mentalidade nordestina”

Na festa Nordestina vendiam-se " livros de cordel", atados por um cordel fora, como manda o preceito.
Livros tipo A5, papel tipo "pardo", com umas 30 folhas cada, e várias encantadoras xilogravuras acompanhadas de histórias ou crónicas. Dois reais (menos do que um euro cada).
Trouxemos "Conhecer o cordel", de aqui deixamos a capa da " Lira Nordestina" e a " venda na rua".

domingo, 24 de agosto de 2008

Do Rio ao Rio II

Ipanema ao sol

















Ipanema à chuva



sábado, 23 de agosto de 2008

Do Rio ao Rio I


(NOTA: Lisboa – Rio de Janeiro por avião: lembrar sempre, mas sempre, de comer antes de viajar ! ou levar bolachinhas, ou então mentalizar-se que é uma boa oportunidade para perder peso!).

O Rio de Janeiro faz parte de um imaginário colectivo que evoca de imediato o “calçadão”, o Corcovado, o Pão de Açúcar, a Igreja da Candelária, a Rocinha, a obra de Niemeyer, o Maracanã, as escolas de samba e…

Ver o Rio pela primeira vez é “maravilhoso”, mas regressar também é… Regressar e rever o mar, o posto 11, o “calçadão”, os amigos, a rua Visconde de Pirajá, o Teatro-Café Pequeno (está em cena um musical que celebra o Rio de Janeiro, através de conhecidas músicas populares brasileiras, algumas dos anos 30, tipo a “Cidade Maravilhosa” de André Filho), os bares e restaurantes de antepassados Portugueses, embora agora considerados tipicamente cariocas, oferecem refeições híbridas de muqueca de peixe, vinho argentino e pastéis de “Belém”, ou chopp, salgadinho de aipim, salada e azeite português.
Tudo isto ali pelo eixo Copacabana- Ipanema- Leblon !

Da zona norte do Rio, a norte da Floresta da Tijuca, não reza história nenhuma. Até parece que não se passa nada, e não há nada na história dos Cariocas que tenha inscrições a norte. A “ Cidade Maravilhosa” é mesmo esta, aqui na zona sul, porque da outra, ninguém sabe.
A Cidade de Deus (na zona oeste) realojou compulsivamente habitantes de uma favela, aqui há uns anos. Os (maus) resultados remetem para uma reflexão sobre realojamentos físicos compulsivos e realojamentos sócio-culturais…
Agora, em tempos de eleições, alguns candidatos prometem a “desfavelização”, mas não falam claramente no que vão propor.

Voltando a Ipanema, é admirável a metamorfose do “calçadão” em dias de sol e em dias de chuva. Impressionante como os Cariocas preservam a praia e como todos a usam, estimam e usufruem. Diz-se que em tarde de domingo 1 milhão de cariocas se passeia pelo “ calçadão”, apanha sol nas praias, joga volley no areal.

A propósito de volley, ainda com o Nelson Évora a encher os nossos brios, partilhámos com os cariocas o ouro olímpico da equipa feminina de volley, jogo que seguimos com o merecido suspense.
À noite estava tudo pronto para a noitada, e para repetir a festa com a equipa masculina de volley a defrontar também os Estados Unidos. (O jet lag não nos permitiu acompanhar e soubemos já de manhã que não havia mais ouro).

Não havia ouro, mas houve notícias… Imagine-se que um deputado fez contas dividindo o investimento do governo em “desporto” desde os últimos jogos olímpicos pelo número de medalhas ganhas pelo Brasil, e concluiu que as medalhas ganhas pelos atletas Brasileiros tinham ficado demasiado caras (???).
Esta mimosa notícia mereceu toda a minha perplexidade!
Outro jornal anunciava que o COB (Comité Olímpico Brasileiro) ia contratar uma equipa de psicólogos do desporto, almejando um aumento de medalhas de ouro em 2012, esta sim uma ideia mais interessante e cujos ecos mereciam chegar a Portugal.

No Centro Cultural Luís Gonzaga, um grande pavilhão, com ingresso de um real (menos que 50 cêntimos de Euro) há agora a festa Nordestina. Uma festa verdadeiramente popular, que acolhe os Cariocas e os Nordestinos na capital, de sexta à noite a domingo, sem parar. Ali, come-se, ouve-se música, dança-se, transacciona-se produtos regionais do Nordeste e convive-se.
Numa das bancas, pequenos livros de cordel (genuinamente pendurados em cordel) e um livro a contar a história e a técnica dos livros de cordel com as ilustrações em xilogravura.
Com alguma coragem testámos a carne ao sol (isso mesmo, seca ao sol), com aipim cozido, num restaurante do recinto. Bom aspecto, bom sabor e até agora sem sinal de perturbação digestiva…
Os olhos escuros e tristes dos “garçons” Nordestinos, excessivamente gratos pela nossa presença e apreço, pungentemente atentos, veneradores e obrigados, bastaram-me para passar o dia seguinte em deambulações sobre o que é ser educado sem o direito à indignação.

A música, essa era um pouco indescritível, a precisar urgentemente da gestão de um técnico de som. Gravámos uns 5 segundos promocionais, mas não temos coragem de os expor; apesar da música, dançar “forró” /(for all) por ali, foi um gostinho partilhado por centenas de pessoas.
Os nossos amigos Cariocas ofereceram-nos um DVD do conjunto musical forró mais famoso da actualidade, os “Calcinha Preta” ao vivo no Recife. Ofereceram-nos também uma noite divertida, à conversa sobre os estereótipos dos Portugueses e dos Brasileiros, vistos pelos olhos uns dos outros.

Em breve serão eleições para a Prefeitura e Senado e a cidade está cheia de misteriosos cartazes com fotos de homens e mulheres, e por baixo números que à primeira vista parecem telefones num jeito de anúncio “Telefona-me, e não te arrependerás!”.
Mas não! É o número a marcar na votação …
Processo complexo, pergunto-me o efeito que terá numa população com (ainda) tanto analfabetismo.