quinta-feira, 23 de outubro de 2008

De Santiago a Santiago V

As escolas de antigamente! ( ver em baixo)


Exposição no Centro Cultural de la Moneda. No século XIX índios da Patagónia foram "exibidos" no Jardin d'Acclimatation em Paris, como espécimes vivos de história natural(...)
Ao lado o Palácio de La Moneda, a lembrar a história mais recente do Chile.






Mesmo no ínicio desta mensagem, detalhe de uma foto, no Museu de Belas Artes. Lamentavelmente não consegui recuperar o nome do(a) autor(a), mas aqui fica, como contributo à mudança urgente de crença, dos que continuam a dizer que a educação de "antes é que era boa".
Antes era assim!... e mesmo assim para uns poucos, priviligiados.








Xadrez na rua : uma paixão comum a vários estilos de vida e classes sociais: no coreto da Praça de Armas


O Trabalho

Hoje foi a vez do Serviço de Saúde Infanto-Juvenil do Hospital Roberto de lo Rio, em Santiago, o único Hospital com internamento de pedo-psiquiatria do Pais. Tem 17 camas para internamento e segue crianças até aos 17 anos e 11 meses. Os internamentos são de curta e média duração. As crianças têm apoio de uma equipa pluridisciplinar (pediatra, psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional, enfermeiro) e têm apoio de voluntárias do Hospital para os tempos livres.

Fica sempre a tristeza de ver tanta dor psicossocial, uma dor que adoece a mente (aparentemente) para o corpo não sofrer tanto. Quando se trata de crianças é confrangedor ver tão pouca idade associada a tanto sofrimento. Sim, porque aqui como aí uma boa parte dos casos têm a ver justamente com situações psicossociais de infortúnio.

Lembrei-me do jovem investigador da ARCIS que se propõe fazer uma tese em Psicologia argumentando que o "Direito da Criança" é na nossa realidade social o "Direito do Direito", que deixa a criança de fora, exposta e "sem direitos".
O exemplo mais flagrante são, claro os casos de negligência e maus tratos, abusos físicos e sexuais nas famílias ou com a cumplicidade das famílias.

Fiz uma apresentação/debate aos profissionais do serviço sobre a "Saúde mental na Infância e na adolescência: estudos portugueses e desafios emergentes", onde falei do nosso trabalho em Lisboa. Falei dos novos desafios emergentes em Portugal, aqui contaram-me da alarmante subida de casos de tentativa de suicídio entre adolescentes nos últimos anos.
Uma vez mais durante a discussão surgiu, entre outros temas a questão dos direitos da criança (até chamada técnicamente "Menor", e o seu Tribunal chamado técnicamente "Tribunal de Família").
Mas que direitos têm a criança quando a família é o principal agente abusador? se se retira desta a família, que alternativas restam? e que miséria humana leva os progenitores a aniquilar a sua descendência, ou a usá-la para benefícios económicos ou sociais.
Preferimos acreditar que a família já não sofre apenas porque já "nem tem por onde sofrer", mas uma vez mais é a criança que fica esfacelada física e psicologicamente, e sem horizontes de remediação, quanto mais de um desenvolvimento pessoal e social.

Esta reflexão veio a propósito da conversa de ontem sobre os Direitos da Criança e da visita de hoje... mas não é um problema daqui do Chile, é um problema de todo o mundo e, embora seja seguramente um problema de miséria psicossocial, nem sempre é um problema da pobreza, nem da toxicodependência.
É sempre uma violência e quando se trata de crianças é insuportavel.

No passeio
Na praça de Armas em Santiago, um coreto onde se joga xadrez.

O que tem graça é que se vêem executivos "fardados" lado a lado com "sem abrigo" exibindo alguma falta de higiene corporal, jogando lado a lado versões de xadrez 5 minutos, com contador de tempo e igualdade de oportunidades.
Queriamos ir ao teatro ver uma peça "alternativa" de teatro multimedia "Sin sangre" mas está esgotado.
Os teatros só abrem de quinta a domingo e no cinena, aqui como aí, as salas ficam nas galerias comerciais só vimos as grandes produções pouco apetecíveis. Vai estrear amanhã o "Ensaio sobre a cegueira" ( aqui "Ceguera"), esperamos vê-lo na Argentina.

Conseguimos ver o clássico de Arthur Miller - "La muerte de un vendedor", pelo Teatro Nacional Chileno, numa sala (Teatro António Varas) mesmo ao lado do Palácio de La Moneda. Uma reflexão interessante sobre as diversas expectativas face à vida, os segredos de família... a encenação estava muito bem conseguida, montada no palco como uns andaimes com várias divisões, os actores são excelentes.
Gastronomia
Cazuela de ave, pastel de choclo, pastel de paita, palta (pera abacate), empanadas, vinho chileno.

A primavera em Santiago continua magnífica, de dia e de noite.
Vamos amanhã embora e parece que ainda faltam mil recantos extraordinários, mil pormenores para descobrir, mil rotinas para seguir, mil pessoas para conhecer!...
Já esquecidos da entrada atribulada (ai a Leika desaparecida no metro!...), gostámos mesmo MUITO desta cidade... estamos tristes de ir embora.
Podiamos viver aqui um bom par de anos!

1 comentário:

catarina disse...

Hola!!

Qué tal chiquititos?? :P

Em santiago estao a passar dias incriveis pelo que vejo!! gostava mt de viver td isso tb!! :))

Qdo chegares tb tens q divagar um bocadinho cmg sobre o sentido da vida! :P

Cuidado com essas comidas:) mas aprendam porque eu sou cobaia com mt prazer.

Beijinhos desde Barcelona,

Catarina :))